“De novo na Esplanada?”, perguntaram-me. “De novo? Já? Mais uma vez?”, arremataram. “Mas se são dez noites. Tenho que estar nas dez noites. É assim que venho fazendo desde os primeiros. Sim, desde 1991!”, respondo. E digo: “O FIG não se limita só a essas dez noites, não. Na verdade, são dez dias e dez noites. Essas noites que tanto valorizamos não são os únicos espetáculos do FIG, não. Como se fossem só elas. Mas não são só elas, não. Temos palcos por todos os lados. Inclusive à noite, além do Palco Dominguinhos, temos o Palco Cultura Popular, o Palco Pop, o Palco Instrumental, o Palco Mamulengos, o Palco Forró, o Palco Música Erudita e o Palco Som na Rural.
Outro ano, numa dessas XXVII edições, disse a mim mesmo: “Vou estar presente em todos os palcos. Todos”! Quase que viajo para o além, e não consegui visitar nem a metade. Eu disse: “visitar”.
Por essa, e outras, o nosso FIG é multicultural. Todas as linguagens. Todas! E não tem essa de você comprar ingressos para poder se fazer presente, não. Tudo às nossas mãos. Tudo!
Agora, eu pergunto: eu, você, enfim, todos nós... Nós podemos continuar assim? Vendo o FIG sendo mal aproveitado por milhares que vêm de longe para vê-lo em sua plenitude, mas que só veem parte dele? Ou muito menos que parte dele? Não seria isso um desperdício, sobretudo quando a ideia é mostrar a todos a grandeza do espetáculo? A razão de ele ser reconhecido como “O Maior Festival Multicultural da América Latina”?
Penso que temos razões de sobra para defender um Festival em que nos seja possível, sem maiores esforços, nele estarmos presentes, sobretudo os turistas. Aproveitando-o bem e melhor. Por inteiro. Plenamente. Para isso, temos que distendê-lo. E já! Para ser o Festival que Pernambuco deseja e que Garanhuns quer. Afinal, não é ele um produto? “O Maior Produto Cultural de Pernambuco”?
Durante esses dias, irei dizer de nossas ideias para que nos seja possível, quem sabe no próximo, ou em outros ainda por vir, alcançarmos esse ideal.
Mas ontem, no Palco Dominguinhos desfilaram Rogério e Os Cabras, Maciel Salu, Cantos Rurais, Adiel Luna e Mestre Bule-Bule, Alice Caymmi e Baby do Brasil.
Foram espetáculos que, se não agradaram a todo um público presente, agradaram a muitos. Quem sabe, a grande maioria! Agora, é preciso que não se perca de vista a condição de multicultural do Festival.
Mágica e belíssima noite do FIG, tivemos, ontem. Com o frio se reencontrando, intenso e saudoso, com Garanhuns. E esta, sendo mais Garanhuns, pelo seu frio, pelo seu Festival.


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