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terça-feira, 23 de maio de 2017

GARANHUNS UNIVERSITÁRIA (VOLUME I)

Quando começamos a pensar no Ensino Superior em Garanhuns, temos que começar pensando em nossa cidade nas décadas de 50 e 60. 

Nos anos 50, a história registra que houve um governador do Estado que se referiu à nossa Garanhuns como “Cidade Universitária”. Na época, ela só contava com 03 Colégios - XV de Novembro, Santa Sofia e Diocesano. 

Evidente que a mensagem do governador da época - Agamenon Magalhães - fora cifrada, sem dúvida. Ele pensava no porvir. Mas estava claro que Agamenon apontava à Garanhuns a sua vocação ao Ensino. Máxime ao Ensino Superior. E, quem sabe? Por seu clima, sua água... A cultura de sua gente... E, de modo especial, por conta de nossa posição geográfica - próxima das capitais: ao norte, Recife, João Pessoa, Natal... Ao sul, Maceió, Aracaju, Salvador..., isso sem mencionar as cidades do interior desses estados. 

Ainda nos anos 50, certamente inspirados nas palavras visionárias do então governador, políticos e estudantes da cidade passaram a sonhar com a criação e implantação do nosso Ensino Superior. Foi aí quando surgiu a ideia da fundação e construção da Casa do Estudante de Garanhuns, para receber estudantes pobres, egressos de todos esses estados do Nordeste.  
      
Na época, Celso Galvão era prefeito de Garanhuns, eleito que fora em 15.11.1951, tendo cumprido mandato de 1952 a 1955.  A esse ideário, Garanhuns muito deve a ele e aos estudantes de época. Foi o gestor Celso Galvão quem assentou a pedra fundamental da Casa do Estudante, sob o olhar de meu irmão, Geraldo, e tantos. Pouco depois, seria a Casa tida como a ‘precursora’ da nossa tão sonhada Universidade. 

Só na segunda metade da década de 60, no entanto, é que Garanhuns ganharia a sua primeira Escola de Nível Superior com a fundação e instalação de sua primeira Faculdade: a Faculdade de Administração, no governo do prefeito Amílcar da Mota Valença, que fora vereador à época do prefeito Celso Galvão. De lá para cá, Garanhuns parece que correu para realizar o seu sonho. Sonho do passado que se renovava ao longo dos anos. Sonho do passado que se realiza, pouco a pouco, ainda em nossos dias, com a criação de mais e mais cursos. Hoje, Garanhuns conta com inúmeros cursos superiores - administração, engenharia, direito..., criados pelo município. Medicina, filosofia e letras..., criados pelo estado. Veterinária, agronomia, zootecnia, informática..., criados pela união. Por isso se dizer: Garanhuns, no seu esforço, computa, hoje, praticamente, três Universidades. E todas estão a disposição de sua juventude. Inclusive, com os chamados cursos tradicionais - engenharia, medicina e direito. E mais... Que já vêm. 

Ensina-nos, Camões, em “Os Lusíadas”:

“Cesse tudo o que a Musa antiga canta 
Que outro valor mais alto se alevanta.” 

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

PROBIDADE E CORAGEM (VOLUME I)

Ainda não era eleitor, mas participei ativamente ao lado de tantos colegiais da época, eleitores e não eleitores, como eu, da campanha com vistas às eleições de 18 de agosto de 1963.

Isso já nos remete ao “Mercado 18 de Agosto”, inspiração de Amílcar da Mota Valença, nas suas andanças pelos Estados Unidos da América, trazida à então província de Garanhuns. 

Naquelas eleições (1963) ele se insurgia contra aqueles que se julgavam “donos” da cidade: prefeito, governador, presidente e deputados. Estes, só da cidade, três. De algures, indizíveis. “Vamos para Garanhuns derrotar aquele matuto insurgente”, diziam. Resultado: por ter traduzido os anseios da população “matuta” da cidade, tornou-se o seu prefeito apesar de todo aquele aparato político, que, nas ruas, se portava com arrogância, conquanto se julgava verdadeira “máquina eleitoral”. Imbatível.  De impossível enfrentamento. Por isso as ameaças explícitas no sentido de querer machucar, humilhar, subjugar e maltratar os homens e mulheres de bem de Garanhuns. A vitória do povo, no entanto, foi arrasadora. A derrota daqueles “poderosos” da época, acachapante.


Em 15 de Novembro de 1968, a vitória foi mais contundente ainda. Até pelas circunstâncias da época. Os generais e os coronéis não aceitavam o candidato lançado e apoiado por Amílcar da Mota Valença. Mas ele e o povo de Garanhuns o fizeram seu prefeito - Luiz Souto Dourado que era candidato pelo MDB. Portanto, partido de oposição aos governos do estado e da união. Luiz Souto Dourado tinha um grande defeito, diziam: “É que fora Secretário da Justiça do ‘comunista’ Miguel Arraes de Alencar.” Quem sabe se, por isso, os generais e os coronéis não o queriam e não o credenciavam para ser o nosso prefeito.

Em 15 de Novembro de 1972, muito mais pelos seus atos de bravura, de coragem e de independência política do que pela sua gigantesca obra, realizada no seu primeiro mandato, ele, Amílcar da Mota Valença é eleito prefeito de Garanhuns mais uma vez, porque, para ele, como para Mahatma Gandhi, passava em julgado princípios inalienáveis em política e porque, ainda, teria durante toda a sua vida se identificado com os ricos e com os pobres, com os brancos e com os pretos, com os letrados e com os iletrados da sua cidade. Prática que exercitava de forma muito tranquila e espontânea, a ponto de ter o respeito e admiração de comunistas da cidade, adversários seus, que chegaram a considerá-lo como o mais “comunista” dentre os políticos da sua época, por conta de sua efetiva proximidade e ação em defesa das camadas mais carentes de sua gente. E, também, por sua conhecida probidade frente ao erário público. 


O trabalho de Amílcar, nesse particular, bem que poderia servir de exemplo àqueles que fazem militância política, sendo, portanto, positivamente, intemporal.      
Em 15 de Novembro de 1976 ocorre quase uma repetição do que ocorrera em 1963 e em 1968. Amílcar da Mota Valença teve que repetir os seus gestos do passado e, de novo, com bravura, coragem e independência, contra um sistema organizado e orquestrado, elege como seu sucessor, um amigo, para quem, um dia, dera a palavra: Ivo Tinô do Amaral. Justamente ele que, como Amílcar, enfrentou o episódio histórico de 1963. Com isso, ratifica o seu respeito aos princípios de palavra, da honradez e de honestidade na política. 
Para as eleições de 2012, Amílcar da Mota Valença, também esteve ao lado do povo de Garanhuns, dando “não” àqueles que pensaram humilhar, subestimar e subjugar nossa cidade, impondo uma candidatura contra os nossos interesses e tradições.
Esses episódios da vida de Amílcar da Mota Valença o engrandeceram e me orgulham e, tenho certeza, também, a gente garanhuense. 
Como minhas filhas - suas netas, quero dizer: “Que  Deus  o abençoe! Foram 98 anos vividos intensamente.” 
A tudo isso, assisti de perto. Lá atrás, como simples colegial. Sequer eleitor, já o disse. Mais adiante, como eleitor. Militante político. E, depois, já como seu genro. Que trazia, como traz ainda, a ideia de que se deve ser, suficientemente, livre para discordar e concordar. A ideia de que política se faz conversando. Respeitando o contraditório. E tendo a felicidade de, um dia, um sonho lá do passado, fruto de muitas lutas e pedidos, ser realizado, como a rodovia que une a sede do Município de Garanhuns ao Distrito de São Pedro. Sonho que acalentou durante toda a sua vida, até porque, lá, viveu. Mas que deixou para a posteridade a tão sonhada rodovia, que não a conheceu, e que leva o seu nome: Rodovia Amílcar da Mota Valença.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

MEU QUERIDO LAR FAZ 100 ANOS (VOLUME I)


Estive presente à solenidade de lançamento da Programação do Centenário do “Templo Sagrado de Luz e Saber”.

Confesso que fiquei emocionado ao cantar, com os presentes, o Hino do “Querido Lar”.


É que, de repente, voltei ao ano de 1965 quando, presidente do Diretório Estudantil do “Gigante da Praça da Bandeira”, eu participava, enquanto aluno, do desfile de 12 de outubro de seu cinquentenário.


De repente, ainda, veio-me a lembrança de um colega meu da velha Faculdade de Direito do Recife, José Paulo Cavalcanti Filho, autor de uma obra magistral, singular e densa sobre Fernando Pessoa. Que Zé Paulinho, no seu esforço literário, intitulou-a de “Fernando Pessoa - uma quase autobiografia”. E parece mesmo, tamanho o empenho dele em traduzir, com exatidão e riqueza, a vida do grande poeta português.  Na obra, numa passagem, ele se refere a Miguel Torga, que foi apanhador de café dos 12 aos 25 anos. Que escreveria, mais tarde, lembrando aquele passado:

“Há quanto tempo já te deixei
Cais do lado de lá do meu destino.

Os versos de Miguel martelavam a minha cabeça. Era como se eu os tivesse escrito. E eu os pronunciava baixinho, na medida em que adentrava àquelas portas, pensando nos bons tempos de minha adolescência. Que não voltam mais.

De repente, toda uma vida pregressa me vem à mente. Os meus anos na Escola de Dona Dulcina Coelho, lá, na Avenida Santo Antônio, hoje, Shopping Center Brasil. Criança, ainda, no aprendizado das primeiras letras. Depois, lá, na Escola de Dona Geraldina Miranda, na antiga Rua do Recife, Dr. José Mariano, hoje. No “pulo do gato”, que dei ao enfrentar o exame de admissão ao Ginásio, à revelia de Dona Geraldina - cursava eu o terceiro ano primário. A minha aprovação no exame ao Ginásio, e o meu entusiasmo por estar entrando, como aluno, no “Gigante da Praça da Bandeira”.

Do Ginásio, histórias infinitas a contar. As aulas de educação moral e cívica, formadoras de cidadãos, do Mons. Adelmar da Mota Valença - mais tarde, o Tio Padre, como o chamava em família. Dos desfiles, que não perdia, dos dias 7 de setembro e 12 de outubro, este em homenagem ao aniversário do Colégio. Dos colegas dos cursos ginasial e clássico que tive - muitos que se foram, já faz algum tempo, de forma precoce. Da formação de meu caráter. Do despertar do meu espírito público, que muito me honra, e muito me orgulha. De minha participação nos embates políticos, de forma destemida, solidária, corajosa e franca. Tudo, eu, ainda muito jovem. E à espera da maioridade para poder votar.  
Ah! Como me lembro daqueles tempos! A eles devo tudo o que sou hoje. Deles, peço sempre a Deus nunca me afastar. 
Da solenidade de lançamento da programação do Centenário do “Querido Lar” e da Missa de Ação de Graças pelos 100 anos de sua fundação, confesso que saí de lá em estado de graças. Pela profundeza das recordações. Pelo reencontro com muitos... Muitos amigos. 
   
Disse a mim mesmo: “Vou cumprir toda a programação desse centenário, ou quase toda, pensei, devido às minhas múltiplas atividades.” E o fiz ou estou fazendo. Presente a todos os eventos ou quase todos eles. Feliz e distinguido. Distinguido pelo Senhor. Sim, porque, aqui, estive nos festejos de seu cinquentenário, e jamais imaginei que estaria nos festejos de seu centenário. E aqui estou. Maiúsculo. Saudável. Forte. Cheio de saúde. E sentindo aquelas mesmas emoções que sentia, lá atrás. Cinquenta anos passados. Ah! Meu Deus! Muito obrigado! A Sua bondade é infinita. A Sua bondade que me motiva ao trabalho. Trabalho que me gera prazer. Prazer que faz crescer minhas amizades com tantos e tantas. Amizades que renovam meu desejo de servir cada vez mais. Inclusive à minha cidade. Cidade em que recebi o meu batismo, na minha querida Igreja de São Sebastião da Boa Vista. Cidade em que aprendi as primeiras letras. Cidade que me viu criança, pré-adolescente e adolescente. Cidade em que vi meus filhos crescerem e se educarem. E que ainda hoje, me acolhe e acolherá até meu último suspiro. 

Chega perto o dia 12, quando teremos a nossa Missa de Ação de Graças pelo nosso nascimento. Nascimento do Ginásio de Garanhuns, nosso eterno Ginásio. Antes, contudo, no dia 11, estaremos todos pelas ruas e avenidas da cidade, orgulhosamente, dizendo de nosso amor pelo “Gigante da Praça da Bandeira”, na certeza de que o nosso orgulho se confunde com o orgulho da população de Garanhuns. Sim, porque feliz e orgulhosa é a cidade que tem um educandário como o Colégio Diocesano de Garanhuns.