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segunda-feira, 30 de outubro de 2017

RUA DO RECIFE (30.10.2017) (VOLUME II)

Minha família morou na Rua do Recife por alguns anos. Antes, todavia, morou na Rua do Cajueiro. Em ambas as ruas, sob o mesmo número - 161. Mais tarde, e em definitivo, minha família mudou para a Rua Dantas Barreto, também sob o mesmo número - 161. 

A primeira rua, contudo, em que minha família morou em Garanhuns não tinha o nome de Rua. Chamava-se, como se chama, ainda hoje, de Praça Dom Pedro II, lá no bairro da Boa Vista. 

Meus pais, com toda a família, chegaram a Garanhuns, procedentes da vizinha cidade de Correntes. Eu, ainda nos braços de minha mãe, e com dois meses de idade. Pouco tempo depois, fui levado à Pia Batismal, para receber o sacramento do batismo, ministrado pelo Pe. Matias, então pároco da Igreja de São Sebastião.    
  
Da Rua do Recife, guardo algumas recordações. Dos nossos vizinhos e da Escola de Dona Geraldina em que estudei até o então terceiro ano primário, já que no final deste, e uma vez aprovado no exame de admissão ao Colégio Diocesano, lá, não fizera o quarto - nem lá, nem em outra Escola, porque no ano seguinte dei início ao primeiro ano do então curso ginasial.

Quem não gostou dessa armação fora Dona Geraldina Miranda. Ainda em mim, vaga lembrança: “Menino, como você conseguiu essa façanha?” - teria ela me perguntado. Ao que teria eu respondido: “Estudei em duas Escolas de referência em minha cidade: a de Dona Dulcina e a de Dona Geraldina.”

Lembro-me, ainda, que, naquele tempo, eu procurei saber, mas sem dizer nada a ninguém - meus pais, Dona Dulcina, Dona Geraldina... Ninguém! Como se daria o exame de admissão ao Colégio Diocesano. Responderam-me: “Simples! Você se inscreve, paga uma taxa e enfrenta o exame. Se passar... Bem, se passar, no começo do ano que vem você procura a Secretaria do Colégio, faz sua matrícula, e começa o primeiro ano de seu curso ginasial.” E assim fiz. Sem contar nada a ninguém. Nem mesmo a meu irmão mais velho - Geraldo. Bem mais velho do que eu - 14 anos.

Quando me vi aprovado naquele exame é que contei da minha façanha à minha família. Primeiro, a meu irmão Geraldo. E fi-lo, não sem antes lhe fazer um pedido: ir comigo aos nossos pais e a eles contar o que teria ocorrido, dizendo-lhes do meu esforço à aprovação do referido exame. Ah! Como me lembro! Foi uma festa. Todos ficaram felizes e, eu, sentindo-me glorificado.

Na Rua Dantas Barreto fora onde mais pontificamos, enquanto crianças. Residência espaçosa. Dona de um grande quintal e florido jardim. Ali, eu e meus irmãos mais novos brincávamos e éramos felizes. 

Ainda me lembro de meus brinquedos. Ou, na verdade, o meu único brinquedo que, com ele, ficava boa parte do dia a vagar pelo amplo quintal, sobretudo nos períodos de férias escolares: uma lata de doce cheia de areia era o meu carro, e lá ia eu percorrendo as pistas do quintal de Dona Eulália, minha saudosa mãe. 

Aos seus jardins, praticamente não tínhamos acesso, tamanho o seu ciúme às suas roseiras. Dizia-nos sempre: “Jardim sem roseiras não é jardim.” E delas, minha mãe cuidava pessoalmente. Era tarefa intransferível. Só a ela cabia fazê-lo. Com suas roseiras, falava. Com suas roseiras, era feliz. Tudo levando a crer haver uma cumplicidade entre minha mãe e suas roseiras. Que estavam sempre bonitas e coloridas.   

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

GOSTO DE SAMPA - BOA TARDE III (01.09.2017) (VOLUME II)

Já tarde. Quase noite. No Kopenhagen, da Oscar Freire com Bela Cintra. Uma delícia! Do passeio pelas lojas bonitas para uma gente com poucos reais no bolso, mas comprando. Disse a Emília: “Quanta gente de sacolas nas mãos. Viva o Brasil! Essa gente não vai baixar o nosso astral. Roubar o nosso humor. Ah! Pelo menos o meu não! E, penso também, do forte povo brasileiro, que apesar de indignado e revoltado, não lhe falta alegria de viver e vontade de superar tudo de ruim que teria ocorrido em seu país de alguns anos para cá.” 

A gente, apesar das andanças, compras zero. E viajamos com esse espírito. Compras, zero. Afinal, não se paga nada pelo banho de moda a que se assiste e até se prova. E, antes de adentrarmos no “Kopenhagen”, percorremos todas aquelas maravilhas que a Oscar oferece a quem a visita.  Foi, realmente, um final de tarde muito gostoso. Que costumo viver toda vez ou quase toda vez que venho a São Paulo.  


Do “Kopenhagen”, partimos para visitar o Shopping Cidade São Paulo, na Avenida Paulista. Dizia a agenda do meu netinho. “Vamos pra lá, vovô?”, cobrou-me. “Está na sua agenda? Então vamos. Mas claro que vamos, Gui! Depois, Maksoud. Seus avós vão precisar descansar um pouco. E sinto que você também”, disse-o. “Eu não, vovô. Estou bem. Não estou cansado”. Tive que lembrá-lo: “É que, Gui, você é muito novo. Ainda não passou dos 30. Seus avós, sim. Portanto, depois do Shopping Cidade São Paulo, cama! Que amanhã é outro dia e, segundo sei, sua agenda está cheia”, disse.


GOSTO DE SAMPA - BOM DIA I (01.09.2017) (VOLUME II)

Gosto muito de São Paulo. Vez em quando levo meu netinho Guilherme conosco - eu e Emília. Disse-o desta vez: “Vou a São Paulo me encontrar com sua avó. Quer ir comigo?” No que ele me responde: “Quero, vovô. Também gosto muito de São Paulo.” “Então fale com seus pais”, disse. 

Durante esses nossos dias a dia em São Paulo, estas linhas levarão o título de “Gosto de Sampa”. Nossa estada será no Maksoud, que sempre nos acolheu muito bem nesta cidade. 

Emília, já em São Paulo, em nosso aguardo, já que aqui chegara desde sexta-feira (25), procedente de Paris, aproveitando as férias de nossas filhas, Germana e Giovanna, que moram nos EUA. Cheguei a perguntar: “Por que só as três?” E ela me respondeu: “Viagem só de mãe e filhas.” Fiquei na minha. Mas com uma pontinha de ciúme. Fazer o quê?   

Nosso desembarque, ontem (31), meu e de Gui, se deu por volta das 13 horas, no aeroporto de Congonhas, de onde partimos direto para o Maksoud. Lá, Emília já nos aguardava. De lá, saímos para almoçar, e só viemos a fazer Check In por volta das 16 horas. E por lá ficamos. E por lá jantamos. No “150”, restaurante do hotel. Muito bom! 

Só agora, quase 10 horas da manhã deste 1º.09.2017, abrimos os olhos. Abrimos? Eu, pelo menos, ainda na dúvida: abrir ou não abrir? 

Gui, de “falador ligado”, dizendo dos hábitos de seu professor de mandarim: “Ele toma café da manhã pelo menos uma vez por mês em um hotel chique da cidade.” Tive vontade de pedir a Gui para perguntar ao seu professor se ele já tomara café da manhã no Palace. Balbuciei, todavia: “falador ligado” Perguntou-me: “Que é isso vovô?” 

“É um eufemismo, Gui. Cá pra nós. Às vezes sou meio eufêmico. Ou seja: substituo expressões por outras mais suaves. Como não gosto de usar a expressão ‘sujeito tagarela’, ‘sujeito matraqueador’... suavizo essas expressões e digo ‘sujeito falador’. Aí quando o sujeito está naquele estado, lá venho eu e digo: ele está com o ‘falador ligado’.” 

Silêncio, todavia, diante das gostosuras das camas. Que pareciam, nelas, nos segurar. No mínimo, por terem gostado de nossas presenças.

Emília, “ligando o falador”, começa dizendo da nova concepção de aluguéis em São Paulo: “Um espaço, um vão, alugado para tantos exporem seus produtos, disse-me Aparecida.” Aparecida, amiga com quem Emília esteve por esses dias. Ela, que mora em São Paulo. “Vou falar com Dinho sobre o assunto.”, disse-me.  E por aí ia, ia. Sem parar. Com o seu “falador” disparado. 

Eu, dizendo a mim mesmo: não se dorme nessa cidade. Nem no Maksoud. Templo sagrado de Sinatra. Sim, de Frank Sinatra. Quando de suas incursões pelo Brasil. Que horror! Que horror! Não se dorme...

De repente: “Minha gente! Vamos embora! Senão vamos perder o café da manhã!” A ordem, não precisa dizer. Sabe-se de sua autoria. 

“Verdade!”, digo eu que, ainda sonolento, ouvi Emília, perguntar, ato contínuo: “E a programação de hoje?” Digo: “É com Gui. Passou horas montando. Certamente fazendo pesquisas, entrevistas... para saber do bom em São Paulo. Não vamos contrariá-lo. Vamos cumprir seu programa. E, integralmente. Neto é neto. E avós são para isso mesmo.”  

Descemos para o café. Uma beleza! Tudo! A começar pelo encanto, educação e atitude receptiva do controle do Restaurante 150. Lá dentro, os garçons muito servis e diligentes. Sobre as mesas, um anúncio: “Não hesite em solicitar a um garçom o que desejar.” Disse: “Mas que lindo!” Claro que a mim mesmo. Coisa de quem sabe das coisas nesse ramo difícil que é a hotelaria. Salve a paixão! O hoteleiro tem que ser sempre, sobretudo, um apaixonado pela arte de bem receber. E bem servir. Vou levar essa mensagem ao Palace. “Será que tenho que pagar algum direito autoral?”, pergunto a mim mesmo. 

Penso em Emília: aqui ela está feita. Olho pra Gui e digo: “Tá sabendo, não é Gui? Aqui, no Maksoud, temos que comer muito, sobretudo no café da manhã.” No que ele me fala: “Vovó, ontem comprei sorvetes. Botei na geladeira e ele derreteu todo!” Emília, de imediato, responde: “Gui, a geladeira da Unidade não tem congelador”. 

“Emília, teste o anúncio e peça ao garçom para colocar os sorvetes de Gui no congelador”. Ela falou com o garçom, e os sorvetes de Gui vão voltar a ser sorvetes. 

“Vamos, vovô! Vamos sair. Vamos!”, chama-me. “Vamos, Gui. Mas vamos todos, primeiro, ao Hospital Santa Catarina. Sua avó vai fazer um exame lá. Depois a gente sai à execução da nossa agenda.”, disse-o. “Nossa não, vovô. Minha!” De certo, Gui. De certo! Coisa de neto para vovô.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

MÃE, FILHAS, NORA E NETOS EM CANCÚN (13.08.2016) (VOLUME II)


Já agosto. De repente, eu, no escritório, Germana liga, e diz: “Painho vamos para Cancún.” Eu, surpreso, indago: “Como é a história, Germana?” E ela continua: “É painho. Vamos para Cancun. Pro México. Todos! Vai ser legal.” Pergunto: “Todos quem, Germana?” No que ela responde: “Mainha, eu, Giovanna, Cláudia, Gui, Bella, Gabi, Sophia e Lucas. Todos!” Continuo: “Todos? Como todos, Germana? E eu? E seu irmão, Givaldinho? Não contam não? Ou vocês estão esquecidos da gente?” Germana completa:  “É que nós, painho, decidimos que essas férias são para mãe, filhas e netos. Portanto, vocês estão de fora. E, depois, vocês têm as empresas para cuidar.” Perguntei: “Como é a história? Vocês estão querendo dizer que nessa família alguém precisa trabalhar, não é?”        

A verdade é que foram todos para Cancún e, na terrinha, ficamos eu e Givaldinho. Afinal, alguém precisava trabalhar nessa família. 
Cancún é aquele paraíso mexicano, na costa do estado de Quintana Roo, em uma península que se tornou um dos centros turísticos mais importantes do México, tendo conseguido preservar suas belezas naturais e sua cultura ancestral. Cancún é um dos principais destinos turísticos do mundo, senão o principal quando se pretende descansar em uma excelente praia. Limpa e de um mar com água azul, típico da região do Caribe. Que encanta o mundo, e enfeitiça, sobretudo, os americanos que lá aportam durante quase ou todo o ano. 

Pois bem! Foi para lá que foi minha família, e por lá ficaram durante vários dias naquela vidinha paradisíaca de fazer inveja a todo mundo, que dirá a mim e a Givaldinho, proibidos de seguirmos com eles. Mas... Tudo bem! Ficamos por aqui no batente. Nos nossos dias a dia das empresas nesses tempos difíceis e de insegurança econômica e financeira.  

De Cancún só apreciávamos mesmo as fotos que por aqui chegavam. Ainda bem que muitas. De forma instantânea e diária ou quase diária. E lá eu a conferir a pose de todos, sobretudo dos netinhos. Cada um mais bonito ou belo. Ou todos bonitos e belos. 

Bonitos, lindos e belos. E com aquelas carinhas e sorrisos de felicidade que atentam contra o normal do coração do vovô. Que ficou para trás. Saudoso. Sonhando com Cancún. Com todos eles. 


terça-feira, 8 de agosto de 2017

CASAS 161 (08.12.2014) (VOLUME II)

Sábado à noite, na Rua do Cajueiro. Rua em que morei quando criança. Antes, todavia, morei na Praça Dom Pedro II. Rua e praça da minha infância. Infância das minhas primeiras letras na Escola de Dona Dulcina Galvão, na Avenida Santo Antônio. Infância na Escola de Dona Geraldina Miranda, na Rua do Recife, hoje Rua José Mariano. Rua em que depois vim a morar antes da mudança definitiva de meus pais para a Rua Dantas Barreto. 

Gostei muito... Muito! De ter me reencontrado e confraternizado com muitos amigos e parentes, lá, na Rua do Cajueiro. Anualmente, seus moradores promovem com muito carinho esses reencontros e, neles, vivem momentos de grande confraternização, como que saudando um passado que se fora, todavia, mantendo a amizade, a estima e o respeito a todos seus antigos e atuais moradores.

Na Rua do Cajueiro, morávamos na casa 161. O mesmo número que haveria de nos receber na Rua do Recife e, mais tarde, na Rua Dantas Barreto.    


Abracei e conversei com tantos e tantas, como os amigos Paulo, Marcus e Expedito. Que nos contaram tantas histórias. Estas, vividas em comum pelos moradores da Rua do Cajueiro dos meus verdes anos.

Uma lembrança, todavia, não me saía da mente: a do meu avô. Que naquela rua viveu até partir. Lembrança da sua amizade e doçura para com todos e, em particular, com seus netos. Dele, lembra-me de sua imponência, embora humilde. Da sua beleza, embora sóbria. Dos seus encantos, embora sérios. De seus afagos, embora discretos. 

Na Rua Dantas Barreto, nossa morada definitiva, ele ia todos os dias ou quase todos os dias nos visitar. A nós, seus netos, e a nossa mãe. E nós a esperá-lo, porque sabíamos que com ele estaríamos a receber outro pai, todavia sem exigências. Já que não mais tínhamos outra mãe, a nossa avó. 

Só mais tarde, muito mais tarde, eu encontrei a definição correta para meu avô. Humberto de Campos, citando Lauro Muller: “Avô - pai, sem exigências / Avó - mãe com açúcar”. 

Tenho muita saudade de meu avô. Dele, guardo sua foto ao lado de minha avó, em exibição em uma das paredes de minha residência. E a todos a apresento com muito orgulho. “São meus avós!”, digo sempre. E volto, um pouco, aos meus bons tempos.         
Hora já avançada, tivemos que deixar os amigos. De lá, revigorados, saímos eu e Emília para a festa da Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo do Socorro, para onde voltaremos, amanhã, para participar da Procissão e da Missa em reverência a Nossa Senhora. 

terça-feira, 25 de julho de 2017

POLO DOMINGUINHOS - QUINTA NOITE (VOLUME I)

“Como posso marcar presença no Festival de Inverno se não há um lugar seguro para eu ficar?” E mais: “Não há um espaço, em seu principal palco, em que eu possa estar bem acomodado com minha família.” E mais... Essas críticas me chegam, recorrentemente, por parte daqueles que aportam em Garanhuns por ocasião de seu Festival de Inverno. 

A mim me parece, contudo, questão de fácil solução. Com efeito, por que não se instalar no outro lado do palco um espaço destinado aos turistas? Que, evidentemente, pagariam por ele. Não ensejando, portanto, maiores custos ao FIG. E trazendo melhor retorno à cidade e ao estado? O retorno de podermos contar com uma maior presença de turistas, sobretudo se alongado para quatro finais de semana aquele palco. E o turista é o público que deve perseguir o Festival, a fim de termos o retorno econômico desejado. Insisto: o FIG tem que ter como foco o retorno econômico, já que é “O Maior Produto Cultural do Estado.”  


Mas a noite de ontem foi muito boa, com um bom público no Palco Dominguinhos. Por lá, passaram Lucas Santana, a Banda Eddie, Baiana System. Espetáculos maravilhosos que bem poderiam constar na agenda de um daqueles quatro finais de semanas propostos, acrescidos, para encerrar com um nome de peso.  

Mas, enquanto acontecia esse espetáculo nessa noite de terça-feira, tivemos também outros espetáculos nos diversos palcos, que encheram de entusiasmo a tantos e fortaleceu o clima do FIG na cidade. Assim, no Palco Cultura Popular. Que foi das 12 às 19 horas. No Palco Pop, das 17 às 20 horas. No Palco Som na Rural, a partir das 21 horas. No Palco Instrumental, das 17 às 20 horas; no Palco Forró das 22 às 24 horas. Este, inclusive, culminando com Assisão. São verdadeiros espetáculos que dizem alto do “Maior Festival Multicultural da América Latina”. E, ainda, o Palco Mamulengos e Pontos de Cultura, durante toda à tarde.             

domingo, 28 de maio de 2017

TRÊS MULHERES MARAVILHOSAS (VOLUME I)

Três mulheres fantásticas... A primeira, a da esquerda, é a alegria em pessoa. Há até quem diga que só viaja se ela estiver dentre os viajantes. Ela é a alegria da viagem. Versátil, dona de uma voz e repertório maravilhosos que encantam a todos com seu olhar bondoso. Quase poético. Leão disponível, solidária, prestimosa... Sempre à disposição de tudo e de todos. 

Outro dia alguém me pediu para falar com ela. De seu nome não sabia. Chamou-a de “Manda Chuva do Lions”. Achei engraçado e fiz uma crônica sobre ela e, incontido, contei essa história de Manda Chuva do Lions. Ela ligou pra mim e disse: “Givaldo... Que história é essa de Manda Chuva do Lions?” “Bem, Tetê, a expressão não é minha. É de um fã seu”, respondi. Ele estaria querendo direitos autorais por eu ter tornado público o seu invento? Sei que no Lions não tem disso não. Fui governador do Distrito, e disso sei muito bem. Embaixatrizes, consulesas, diplomatas, advogadas, médicas... Enfim, todas, em Lions, são Companheiras a serviço das comunidades. Todas, simplesmente, pertencem à maior organização de serviço voluntário do mundo. 

No Lions, todas são iguais e irmanadas com um só objetivo: servir a quem precise de alguma presença humanitária. Todos e todas são Companheiros e Companheiras. Aqui, portanto, não existe “Manda Chuva do Lions. Existem, em abundância, corações e ações que atenuam dores de irmãos e irmãs no mundo inteiro.” 

A do centro. Ah! A do centro... Parece uma santa! Pela pureza e leveza de suas palavras. Palavras puras. Quase inocentes, sinceras, solidárias, amigas. 

Sempre a cumprimento como a mais elegante da minha cidade. E me parece que tenho feito muito bem a minha vista, eis que ela tem aprimorado sua elegância. Reciclado e inovado seus modelos. Sempre em dia com a moda. 

Outro dia quase que perco o “prestígio” com ela. De repente, aparece em minha frente, Quiterinha, esposa do Companheiro Natanael. Estava deslumbrante. Não me contive, e disse: “A mulher mais elegante de Garanhuns!”. Eis que chegava Margarida. Sim, ela mesma. A mulher de quem falo. Não sei se ela ouviu o que dissera eu de Quiterinha, mas me apressei em completar a sentença: “Quiterinha, a mulher mais elegante de Garanhuns, depois de Margarida”. Ela, penso, ficou feliz. 

A terceira, a da direita, é Emília. Outra época fiz-lhe um pequeno elogio. Muito menor do que devia. De repente, alguém me liga. De longe, sim, de lá, partem verdadeiros desaforos, tomados por expressões machistas e pouco civilizadas. De lá de trás. Do século XIX. Quem sabe, de antes... Dois ou três mais atrás. Aos gritos, dizia-me que “Homem não elogia a mulher, de público”. E mais: “Você fez muito mal em elogiar sua mulher. Vai pagar caro por isso”. E continuou ele. Aquele antiquado! Aquele irracional! 

Dividi esse desgosto com um amigo irmão. Ele me disse: “Essa criatura, Givaldo, é assim com todos. Deixa pra lá. A gente caminha e avança sempre. Ele descaminha e recua sucessivamente. Recua na expressão, que nunca teve. Recua no tempo, para ele, já muito abundante... Crescer, só na empáfia. Crescer, só na antipatia. Crescer, só na intolerância. No preconceito. E, máxime, na autossuficiência e na arrogância.” 

Disse-lhe: “Amigo, não vou deixar de elogiar Emília e reconhecer os seus méritos. Sua capacidade de trabalho. Sua disposição. Sua liderança. Sua dedicação... Seu cuidado com os mais pobres e necessitados... Enfim, seu jeito de ser que agrada a todos.” 

Que Margarida, Tetê e Quiterinha não leiam estas linhas. Mas também tenho Emília como elegante. Muito elegante! E pronto. Digo-o de público. E que aquele cidadão me faça o favor de não mais me telefonar com ideias de séculos passados. 

Por favor, vamos ser contemporâneos ou não prestamos mais para esse mundo, que avança de contínuo...

quarta-feira, 3 de maio de 2017

CIDADE DAS FLORES (VOLUME I)


Enquanto Governador de Lions Clubes Internacional para os estados de Pernambuco, Alagoas e Sergipe fundei e recuperei diversos Clubes. Não tenho registro que tenha encerrado as atividades de nenhum deles.


Procurava reorientá-los, recuperá-los e assisti-los. Tudo que me fosse possível. Enfim, voltá-los à prestação de serviços, razão maior de suas fundações e, portanto, existência. Minimizava os discursos que nomeavam toda sorte de dificuldades. Com paciência e tolerância. E partia para o ataque, colocando-me sempre à disposição dos Companheiros e Companheiras, mostrando a relevância de seus serviços. Serviços esses que não poderiam sofrer solução de continuidade, sob pena de causar grandes prejuízos, justamente àqueles que mais precisam de nossa presença, enquanto Leões, daqui, e de todo o mundo. 

Tenho que registrar que, não raro, era compreendido por todos ou quase todos, e, aí, recupera Clubes, não raro, ameaçados de deixarem de existir. 

O Lions Clube Garanhuns Cidade das Flores seria o Clube que tinha tudo para dar certo. E deu! Para minha alegria. Para alegria do Leonismo. 

Aos poucos, até porque o havia fundado, o Lions Clube Garanhuns Cidade das Flores, passava a ser a menina de meus olhos. Quem sabe? Por ser de Garanhuns. Muito mais porque o fundara. Com muito carinho. Com muito amor... É certo! Aliás, como ocorrera com os demais. Mas, quem sabe?... Com uma “pitadinha” a mais de carinho, de amor. No que seria natural. E, por derradeiro, carregando dentro de mim um sonho. O sonho de um dia vê-lo forte, maduro. E servindo de forma desinteressada.  

O Lions Clube Garanhuns Cidade das Flores protagoniza grandes iniciativas. Quer pelo seu vigor e de seus membros. Quer, sobretudo, pelos históricos Leonísticos destes, uma vez preparados para enfrentar o desafio das missões que lhes seriam confiadas.  E, assim, tem ocorrido ao longo desses 10 anos, que coincide, inclusive, com os 100 anos de Leonismo Internacional a serviço do planeta.     

Ontem à noite, fui procurado por Companheiros e Companheiras daquele Clube que me comunicaram e solicitaram presença e defesa em pelo menos três grandes iniciativas em ultimação: primeira - criação e instalação de um Conselho dos Clubes prestadores de serviço com a intenção de reunir Companheiros e Companheiras dos vários Clubes da cidade para estudar e debater nossas experiências no exercício da prestação de nossos serviços voluntários; segunda - criação e instalação de um Clube Leo na pretensão de formarmos futuros Leões e, terceira - instalação de um obelisco na cidade, em artéria pública estratégica, lembrando os 10 anos de fundação do Lions Clube Garanhuns Cidade das Flores e os 100 anos de Lions Clubes Internacional. 

Não preciso dizer da minha alegria e da minha felicidade em ter  recebido os Companheiros e as Companheiras. 

Em Lions, aprendemos logo cedo que companheirismo, fraternidade, solidariedade, honestidade, lealdade..., são pilares que nos dão força e nos habilitam melhor à nossa razão de ser. E, portanto, esses atributos devem ser intrínsecos ao bom Leão. A ausência de qualquer desses atributos pode ser razão ao fracasso de um Leão. 

De pronto, estive à disposição do Lions Clube Garanhuns Cidade das Flores como sempre me ocorreu. E o fiz, quem sabe? Pensando nos versos do poeta português, Luís de Camões: 

“O dar-vos quanto tenho e quanto posso, 
Que, quanto mais vos pago, mais vos devo”

E minha dívida diante do Leonismo é impagável. Daí não me ser possível negar minha presença e meu estímulo às iniciativas dessa natureza. Quem sabe, até por não as ter realizado, como queria, ao tempo de minha Governadoria. E, ademais, ainda tenho e posso, com as graças de Deus. E, vou continuar pagando, enquanto Ele ainda o permitir, posto que sabedor que continuarei em débito diante do Leonismo Internacional, que sempre me ofertou e oferta, azos para ser melhor do que era. E disso não guardo o menor fiapo de dúvida.      

sexta-feira, 21 de abril de 2017

DOMINGUINHOS - SEGUNDA NOITE (VOLUME I)

A IV Edição do “Dominguinhos” tem se mostrado arrebatadora. Muito maior do que sua III, que já foi bem maior que as duas que lhe antecederam.

Caminha para sua consolidação. Para sua sedimentação. Para sua irreversibilidade.

Esse deve ser o foco. O caminho para nossa cidade: educação, cultura, turismo e comércio. Sem esquecer-se de nossos campos. É uma questão de vocação da cidade. Da sua irresistível vocação, que, se bem orientada, tornará Garanhuns mais forte e grandiosa. E, tudo, sob o ponto de vista da sua economia. E, também, da felicidade de sua gente. Agora, temos que persistir. 

Aqui, nos anos 50, fomos considerados pelo governador de então, em visita à “Cidade de Simôa”, uma “Cidade Universitária” e, no entanto, só dispúnhamos de três colégios - XV de Novembro, Santa Sofia e Diocesano”. Ou seja: já naquela época, os visionários de então nos indicavam o caminho a ser seguido.


A ideia da fundação e construção da Casa do Estudante de Garanhuns apontava para o acolhimento do estudante que viria, em breve, estudar em nossas escolas de nível superior. Que surgiriam, mais tarde. Daí, dizer-se que a Casa teria sido precursora das escolas do porvir. Da sonhada e pretendida Universidade do Agreste.  

O que nos diriam aqueles visionários quando hoje já contamos com muito mais colégios e quase três universidades em nossa cidade? Que disponibilizam dezenas de cursos, neles incluídos os chamados cursos tradicionais - Engenharia, Medicina e Direito.

Ontem, mais uma vez, a Esplanada estava tomada de gente. Muita gente para assistir a “Genaro”, a “Os Nonatos”, a “Alcymar Monteiro” e a “Fulô de Mandacaru”.

Êxito absoluto! Cada show melhor que outro.

Ouvi algum amigo dizer o que ouvira de um artista: “Mas como gosto de me apresentar em Garanhuns! Que terrinha boa!” Mas é isso mesmo. Não precisa tomar nem da nossa água para considerar a nossa cidade boa. Se tomar...

Fico radiante quando ouço isso da gente daqui, da gente de fora - Maceió, Aracaju, Salvador..., Recife, João Pessoa, Natal... Já, já, do Norte e Nordeste inteiros, a caminho de grande parte do Brasil.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

DOMINGUINHOS - PRIMEIRA NOITE (VOLUME I)

A Esplanada estava lotada. Os shows já haviam começado quando chegamos.

Já passara Mourinha do Forró. Nádia Maia e Targino Gondim terminariam seus espetáculos, em poucos minutos.

Quis saber das pessoas como teria sido o show de Mourinha do Forró. “Muito bom!”, disseram-me quase em uníssono.

E quanto a Nádia e Targino? De novo a resposta de tantos: “Eles foram maravilhosos.”

De Mourinha, já tinha notícias de muito longe. Já, pois, o conhecia de perto. De vários shows. Realmente, muito bons. Contagiantes!

Quanto à dupla, ainda assisti um pouco, já que o espetáculo fluía, a caminho de sua conclusão. Pelo pouco que vi, fiquei impressionado.

A última apresentação estava por conta de Dorgival Dantas. Que me disseram muito boa.

Estive, como nunca, focado no espetáculo de Andrea Amorim. Talvez porque nunca a ouvira cantar Forró. Conhecia Andrea, cantando Rock e Bossa Nova. Forró mesmo, só ontem. Um verdadeiro show. Maravilha de show. Vi em Andrea uma Elba Ramalho bem melhor. Incrivelmente, melhor. Sem nenhuma restrição à grande cantora paraibana. 

Fui ao êxtase com sua participação. Por seu repertório. Por seu encanto. Por sua presença de palco. Por sua voz... Tudo nela, maravilhoso.

Com Cezzinha, vi Dominguinhos ressuscitado. Eis que aquela sanfona, aquele chapéu... E, sobretudo, aquela voz... Tudo nele me remetia ao Mestre. E ele caprichou na interpretação das músicas do Mestre. Parecia mesmo Dominguinhos ressuscitado. Milagrosamente, ressuscitado.

Hoje, comentando com amigos o seu show, disseram-me que ele trabalhara com Dominguinhos. Que acompanhara o Mestre durante muitos anos.

Em resumo: muito boa essa primeira noitada do Dominguinhos.
Tenho certeza de que, lá de cima, ele esteve muito feliz, ontem, e estará durante todo o Festival. Homenagem da “Cidade de Simôa” a um filho seu.

quarta-feira, 15 de março de 2017

JAZZ! QUE SAUDADE! (VOLUME I)

“Que saudade! Que saudade!”, escrevi em 2015. Porque sentia mesmo. Porque ouvira mesmo. De tantos. E de tantas. Daqui e alhures. Saudade do “Garanhuns Jazz Festival”. Que chegara ao seu último dia.

Parecia que eu, que todos os milhares de apreciadores do Jazz e do Blues estavam se despedindo deles, já que, em 2016, não contamos mais com o nosso “Garanhuns Jazz Festival”, que se consolidava, que se sedimentava, que orgulhava a todos que enchiam seus pulmões para dizer: “Garanhuns, dentre tantos codinomes, é conhecida como a ‘Cidade das Flores’, a ‘Cidade onde o Nordeste Garoa’... E, a partir de 2008, com o Jazz e o Blues, também como a ‘Cidade dos Festivais’.”

É, foi uma pena. Está sendo uma pena, o fim do Festival do Jazz e do Blues.  Perdermos esse diferencial, que conferia charme e glamour ao nosso Tríduo de Momo. Diferencial que não tínhamos, mas que passamos a ter para a alegria maior da cidade, sem embargo das marchinhas e dos frevos dos carnavais. E para o entusiasmo de milhares de amantes do Jazz e do Blues, que aportavam em Garanhuns, nos dias de Carnaval. Estes, hoje, concentrados em Recife e Olinda, com pequenos respingos em algumas outras cidades do interior de nosso estado. E eles acorriam para nossa cidade, trazendo a ilusão de que se dirigiam para Nova Orleans, Chicago ou Nova York, e o sonho de um encontro com ícones jazzistas americanos e brasileiros como: Miles Davis, Louis Armstrong, Ella Fitzgerald, John Coltrane, Billie Holiday e tantos..., dos EUA, e como André Mehmari, Vinicius Dorin, Babi Assad, Romero Lubambo e tantos, do Brasil.

Para se ter uma ideia, em 2008, primeiro ano do “Garanhuns Jazz Festival”,  a ocupação da hotelaria na cidade, com o Jazz e o Blues, chegou à marca de 51,00% contra 24,09% , em 2005; 24,04% em 2006 e 42,00% em 2007, por conta dos retiros das Igrejas Evangélicas na cidade. Chegamos a alcançar, no ano de 2.011, 91% de ocupação, com declínio em 2015, para 69,00%, mesmo assim considerada uma boa marca, na classificação da hotelaria, que vai de taxas péssimas a excelentes, passando por ruins, razoáveis, boas e ótimas. São indicadores, portanto, que não poderiam ser deixados de lado na hora de uma tomada de decisão sobre o avanço ou não do Jazz e do Blues em nossa cidade.

Aqui, impõem-se as perguntas: A1. Ultimaram as mínimas providências para que o Jazz e o Blues não fossem para outra cidade, já que, aqui, com VIII Edições sucessivas, e de sucesso - 2008 a 2015? A2. Ouviu-se o trade turístico da cidade sobre o assunto? Ouviu-se o seu comércio? Ouviram-se as suas associações de serviços de táxi e de moto táxi? Ouviu-se o pequeno comércio ambulante? Ouviu-se ....  Enfim, auscultou-se a sociedade civil organizada da cidade sobre o Jazz e o Blues?

Temos que reagir! Unir forças. Iniciativa pública e iniciativa privada. Enfim, todos! Para podermos melhor “vender” nossa cidade. “Atrair” para ela os reais de fora para sua economia. E, deles, muito precisamos. 

Os turistas na cidade impactam todos os seus segmentos. Isso é aqui e em todo o mundo. Do flanelinha ao  empresário - são 52 segmentos da economia. É só conversarmos com o menino que toma conta do carro do turista. Com a menina que vende a sua pamonha ou a sua pipoca. Com a senhora que vende o seu milho cozido ou assado. Com o rapaz do táxi e da moto táxi. Com as pessoas dos restaurantes, das lojas comerciais, dos bares... Com os desempregados que, nos Festivais da cidade, têm assegurado o seu emprego, embora temporário. Enfim, com dezenas de pessoas. De segmentos. Que preparam os seus produtos. E que os vendem, e que são os responsáveis maiores pelo nosso desenvolvimento econômico, que pretendem participar dele com mais ousadia, com mais presença, com mais permanência, já com um programa turístico de sua cidade nas mãos. 

Será que já paramos para pensar quanto um turista deixa na cidade, da forma a mais horizontal possível, ao longo de um período desses - seis dias com cinco noites? A conta é fácil. Muito simples. Vou fazê-la. Por que não? Com transparência. Com despudor... Afinal, deve ser assim. 

Um turista que vem a um evento como esse gasta por dia, em média, cerca de R$ 400,00. Se recebermos 5.000 visitantes - número modesto - temos aí um faturamento de R$ 2 milhões no dia. Ou seja: R$ 10 milhões, no período. 

Garanhuns pode perder esses reais? A sua economia pode dispensar esses valores, sobretudo quando sabemos que todos são beneficiados com alguns deles, como disse: do flanelinha ao empresário -  micro, pequeno e grande? E, não se pode esquecer do município - recolhem-se impostos e taxas; também do estado - recolhem-se impostos de circulação de mercadoria; igualmente da União - recolhem-se uma infinidade de tributos federais. Penso que não podemos abrir mão disso, nem na crise, nem fora dela. 

Ano passado, saí de minha cidade e fui passar o Carnaval em Recife. Na volta, na quarta-feira de cinzas, passava eu por Gravatá e ouvia pelo rádio uma entrevista do prefeito daquela cidade que falava de sua alegria com o Jazz e o Blues que promovera. E ele dizia: “Faturamos cerca de R$ 10 milhões”. Eu disse a Emília, que viajava comigo: “O número não é esse”. Emília, que vinha ao meu lado, me perguntou: “Você estima em quanto, Givaldo?” Eu respondi: “Eles faturaram muito mais. Aqui, tudo é mais caro. O dobro. De repente, o triplo. Esse faturamento não pode ter sido inferior a R$ 30 milhões.” 

Em Gravatá não tinha menos de 10.000 turistas no Jazz e no Blues do ano passado - 2016. Lá, se gastou, por dia, em média, R$ 600,00. Ou seja: aquele faturamento/dia foi da ordem de R$ 6 milhões, totalizando cerca de R$ 30 milhões no período. 

A contar pelas diárias dos hotéis... Vamos a um, de lá, equivalente a um dos nossos, daqui: R$ 334,70 por pessoa/dia, com pensão completa, lá. Em nossa cidade: R$ 198,44 por pessoa/dia, também com pensão completa. Veja a diferença. Só em hotel. E, no mais? Restaurantes, bares, compras... E tudo o que o turista gosta de consumir nessas ocasiões. 

Para esse ano de 2017, temos lá em Gravatá diárias por pessoa ao preço de R$ 380,40. Em nossa cidade, R$ 218,50. Grande a diferença, não é verdade?


Aí, é de se perguntar: O que eles têm lá, que nós não temos aqui? Clima? Água? Beleza? Geografia...? Não! Nenhuma dessas riquezas. Eles têm, sim: união, ousadia e disposição ao trabalho. Trabalho organizado e permanente. Calendários turísticos às mãos, sempre melhorados e ampliados. E, sobretudo, anunciados com a antecedência recomendada, a fim de que o turista, na verdade para quem fora montado, possa melhor se programar. Melhor se organizar. 

É disso de que precisamos em nossa cidade: da união do público com o privado para fazermos um grande trabalho pela cidade. Para que possamos “vender” melhor os nossos produtos. “Vender”, em uma palavra: Garanhuns. “O melhor produto turístico de Pernambuco” - dissera-me sobre nossa cidade, outro dia, um amigo que trabalha na FUNDARPE e que é conhecedor do trade turístico do estado. E esse amigo, diga-se de passagem, não é da “Cidade de Simôa”, da “Cidade Poesia” de Garanhuns. 

Quando penso sobre essas questões de minha cidade, me vem a lembrança uma passagem de Machado de Assis: “As ruas podem ser ou estreitas, para se alargarem daqui a anos, ou já largas, para evitar fadigas ulteriores.”  

Somos, com orgulho, a “Cidade do Clima Maravilhoso”, a “Cidade das Sete Colinas”, a “Cidade das Flores”, a “Cidade onde o Nordeste Garoa”, a “Cidade dos Festivais”... E nenhuma outra cidade há de subtrair os nossos títulos. 

Ah! Não! Não, mesmo! Donde a conclusão: se lá atrás fizemos nossas ruas largas. Se lá atrás montamos festivais que ao longo dos anos deram certo, por que os encerrarmos agora? Sobretudo, sem se ouvir os diversos segmentos, responsáveis pela economia da cidade, e pelo seu desenvolvimento. 

Que enfrentemos, portanto, as “fadigas ulteriores” na tentativa de revertermos esses nossos equívocos, produzidos, de certo, por nossos açodamentos. E que, hoje, tanto mal fazem à gente de Garanhuns.  

Mas vamos enfrentar as fadigas, porque esse é o preço que temos de pagar.   

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

BELA NOITE DE CONFRARIA (VOLUME I)


Estava, aqui, já a essas horas da noite. Madrugada de um novo dia, imaginando, pensando, lendo... Imaginando o inimaginável, pensando o impensável, num exercício mental espetacular ou quase espetacular... Apesar do real da história que tenho em mãos. E que, vorazmente, a folheio, sem embargo dos destaques que faço de forma cuidadosa e sistemática. 

Na memória, a conversa que tivemos, horas atrás, com amigos. Conversa boa. Muito boa! Que estimo que outras se sucedam. Aqui, em Garanhuns. Lá, em Recife, alhures... Não importa! Importam as conversas. Boas! Maduras! 

Um amigo querido, delas, saiu encantado. Seu semblante e sua expressão o denunciavam. Semblante e expressão de quem queria mais e mais... E ele o quer. Quer voltar àquelas conversas que, a cada palavra, a cada sentença, encerre impressão de satisfação. De regozijo e conforto. De quem quer mais e mais. Pela pertinência dos assuntos. Pelo foco de seus argumentos. Pelo nível de sua inteligência... Enfim, pela disciplina e respeito a todos. 

Saí do encontro com meu amigo querido, já que nele chegamos juntos, deveras animado com a perspectiva de outros e mais outros de igual modelo. E rogando a mim mesmo por eles, num porvir próximo. Tão próximo desse que dele ainda se registre saudade. Muita saudade! 


Bela noite nós tivemos, ontem. Com amigos que nos fizeram lembrar François D'Amboise, citado, certa vez, pelo grande Afonso Arinos de Melo Franco: “Fazer amigos não é tudo. É mister conservá-los”. E pensado que François tivera escrito essas palavras para mim, disse aos meus botões: “Que bom ter conversado com tantos amigos dos meus tempos de criança. Pré-adolescente. Adolescente. Hoje, já homem maduro, reunindo ainda tantos amigos. E mais: tendo-os perto de mim.” Que outros encontros venham. E logo!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

O NATAL CHEGA MAIS CEDO EM GARANHUNS (VOLUME I)

Aqui, em curso, o Natal Luz 2016. A cidade está bonita. Linda. Bela... Como, certamente, ainda não a tínhamos visto. 

E como lhe fazia falta o toque que lhe deram para esse Natal. Parecia que a cidade estava a clamar por esse realce. Para lhe parecer mais bonita. Mais linda. Mais bela. De tal sorte que uma vez atendida, ela encanta muito mais aos milhares que a ela aportam. Tamanho o glamour conferido. Tornando-a mais bonita. A mais linda. A mais bela... A cidade luz... Pronta para o seu Natal. 

Muita falta. Muita falta fazia à nossa cidade. E lhe custou tão pouco essa empresa. Custou amor. Vontade. Compromisso... Da parte de nossos gestores para vermos a cidade ao encontro de sua principal vocação: o Turismo, que gera empregos, que produz renda. E tudo para tantos segmentos da Economia. E de forma horizontal e universal. 


Nesta IV Edição do Natal Luz 2016, observamos as ruas e as avenidas da nossa cidade tomadas por pessoas de fora, de longe, que para aqui acorrem, para nossa alegria. 

Alguém diria que ainda é pouco. Decerto. Ainda é pouco. Mas de forma crescente. E em número que caminha para o impensável. 

É isso que a gente tem percebido nos dias a dia da cidade neste Natal Luz 2016. Tendo começado a 11 de novembro e terminando a 31 de dezembro. Com suas ruas e avenidas frenéticas, anunciando que a hora do nascimento do Menino Jesus está chegando.

E aos milhares e milhares, todos dizendo que no próximo Natal estarão de volta a Garanhuns.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

REFLEXÃO (VOLUME I)

Um casal amigo me procurou essa semana. Estava aflito. “Givaldo, sabemos de nossa amizade. Amizade construída ao longo de tantos anos. Sempre estivemos a conversar durante esses anos todos. E nós, como você, sempre tivemos uma conversa séria e leal. Além de civilizada e respeitosa. De sorte que viemos, aqui, conversar com você para pedir uma orientação. Na verdade, sua ajuda.” 

De repente, descamba o casal amigo a... falar e falar... de fatos pretéritos, ocorridos em nossas vidas. E a conversa se prolonga e se prolonga, e o casal amigo não entra no assunto que o trouxera ao meu escritório. Olhei para o relógio. Sempre o faço quando atendo as pessoas. Não, por não gostar de atendê-las. Claro que gosto. E muito! Para mim uma satisfação. Mas, porque tenho que administrar meu tempo para atender a tantas outras. 

Verifiquei que quase uma hora se passara, e nada de o assunto sair. Resolvi, atento, sugerir: “Amigos! Por que não marcamos para conversar sobre o assunto lá em casa? Vocês viram, não é verdade? Tenho tantos e tantas, ainda, para atender.”

Combinamos com o casal amigo para conversarmos nesse final de semana. Às 20 horas, lá em casa. Marcamos. 

Às 20 horas, estávamos, eu e Emília, prontinhos para recebê-los. E nada de chegarem. Quando os dois aportaram lá em casa, já passava das 21 horas. Mas, tudo bem... O que fazer? 

O casal amigo começou a falar de seu filho que casou, já faz alguns anos, e que estava passando por “um probleminha de relacionamento com sua esposa”.

Pediu-me desculpas pela digressão que fizera em meu escritório, e nos falou, a mim e a Emília, que ia direto ao assunto. Aos meus botões disse: “Graças a Deus!”  

E começou: “Soube que meu filho está participando de uma conferência na Igreja.” E se apressou em dizer a ele: “Filho, eu quero dizer que fiquei muito feliz quando soube do ‘Encontro’ que você está fazendo nesse final de semana. 

Penso que, na vida, há momentos em que devemos parar um pouco para analisá-la e mudar os rumos que a ela estávamos dando.
 
Você está tendo esse momento. Prenda-se a ele. Só a ele. Peça ao Senhor Sua ajuda. Ajuda para você. Ajuda para sua esposa. Forças. Forças para vocês vencerem, juntos, esse momento difícil porque estão passando. E que para superá-lo, depende de vocês com a ajuda e a benção de Deus. E Ele quer fazer isso por vocês. Aliás, Ele já está fazendo, levando-o para esse ‘encontro’.

Quer saber? Todos ou quase todos passamos pelo que vocês estão passando. Bom? Horrível! Gostoso? Terrível! 

Lembrei à sua mãe, outro dia: nós também passamos por esses momentos. Mas nos lembramos de você - sim, do nosso filho. Único filho. Do que havíamos construído, juntos, até ali. Do que nos ocorreu dizer, lá atrás, perante o Senhor e, de forma espontânea.

Como você está indo ao encontro do Senhor, vá! Mas vá pensando em se reencontrar com sua família. Em reconquistar forças para continuar a sua caminhada...   

Lembre-se: vocês têm dois filhos maravilhosos que precisam de vocês. Porque os amam. E por eles todo ‘sacrifício’ que fizerem para mantê-los por perto, convivendo com vocês, ainda será pouco diante das bênçãos que terão do Senhor em suas vidas. E para sempre. 

Estou, portanto, muito feliz em saber que você vai a esse ‘encontro’ à procura de ajuda. Depois de alcançada a graça, que venha o reencontro de você e sua esposa com a Santa Igreja.
 
É o que peço todo dia ao Senhor para você, meu filho. 

Para mim, só peço a Deus paz e saúde para poder, em vida, assistir à ascensão de meus netos. Às suas conquistas que advirão com as graças do Senhor. E para minha felicidade plena.

Fiz bem, Givaldo, em dizer-lhe tudo isso? Você acha que com essas palavras que lhe disse, ele vai acabar com essa ideia maluca de separação?” 

Fiz-lhe ver que a ninguém é dado saber do que acontecerá daqui para frente. Mas elogiei sua postura de pai, dizendo-lhe ser possível que, diante de seus exemplos, de seus conselhos, de suas ponderações, o casal possa se reencontrar, reatando seus laços. E, ademais, o “encontro” teria tudo a ver. Suas palavras, dirigidas ao seu filho, saíram do seu o coração. E ele haverá de entender. Foram palavras calcadas na experiência que vocês mesmos viveram.

Vi, já tarde, o casal sair de minha casa, feliz. Não sei se pelas palavras que dirigi a ele, ou se pelo vinho que degustáramos. Eu, Emília e eles. Nós quatro. 


De uma coisa, no entanto, estou certo: temos que ter paciência para ouvir. Com ela, você pode fazer verdadeiros milagres. Fui para a cama, feliz. Pelo bem que penso ter feito àquele dileto casal de amigos.