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domingo, 20 de agosto de 2017

TEREZA GUERREIRA (23.03.2017) (VOLUME II)

Ela bem que poderia se chamar assim: “Tereza Guerreira”. Mas era, formal e juridicamente, Resende. Ou seja: Resende, de capa. De fachada. Guerreira, de conteúdo. Intrinsecamente, guerreira. Dos pés à cabeça.

Não conhecia temores, dificuldades, imbróglios... Ela ia em frente e, quando a gente menos esperava, tudo estava pronto e acabado. Ao gosto dos fregueses. Fregueses? Não! Dos amigos e amigas. Que eram tantos.

Inteligência afiada e disponível a qualquer desenlace, deixava a todos que lhe confiava uma tarefa em estado de tranquilidade e segurança. Porque sabiam estar em boas mãos.

Aqui, em São Paulo, já faz dias. De repente, soube da notícia. Não! Não é possível! Aquela mulher? Aquele monumento? É de não se acreditar. Não! Definitivamente, não!

Volto a mim: “Ah! É a vida! A vida que a divindade nos concedeu. A vida que a divindade nos tira. Para viver outra vida pertinho dela. Em aconchego, esse perpétuo. É a vida!”

Consternado. Vejo-me. Consternado. Encontro-me. Consternado. É a palavra que me vem à mente, e, nesse estado, repasso a triste notícia aos amigos e amigas de Tereza.

A notícia me dera Emília, quando finalizo algumas palavras em saudação ao nosso Governador de Lions Internacional que, a partir de quinta-feira, visita meus dois Clubes do coração - Lions Clube Cidade das Flores e Lions Clube de Garanhuns. O primeiro que fundei, com tanto amor e dedicação, enquanto Governador.

Tinha uma grande admiração por Tereza. Mulher guerreira. Mulher disposta. Mulher líder. Mulher... E que tanto me ajudou, com tantos e tantas de Alagoas na minha governadoria.

Lions Clubes Internacional perde muito hoje. Perde um Leão por inteiro. Ela reunia amizade com carinho; solidariedade com dedicação; fraternidade com devoção... Enfim, tudo que um Leão precisa para, realmente, ser um Leão. Ela era, sem nenhum fiapo de dúvida, uma mulher gigante...

A mim nunca faltou. Penso que a ninguém também. De dentro e de fora do Leonismo.

A par desses atributos intrínsecos a uma grande Leão, Tereza era discreta, honesta e inteligente no trato com as pessoas, particularmente quando em seus negócios. Que cuidava com grande zelo e dedicação e, sobretudo, grande amor. Ao negócio em si. E a quem se destinava: seus incontáveis clientes. A quem preferia chamar de amigos e amigas.

Que Deus a receba, em seu repouso eterno.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

MINHA MÃE (10.07.2006) (VOLUME II)

Sempre penso em minha mãe. Nisso, todavia, não sou único. Com certeza, todos trazem na memória algumas passagens sobre aquelas que lhes trouxeram ao mundo. Os momentos felizes vividos. Os sonhos que com elas tiveram. Os momentos difíceis vivenciados. Estes, somente muito depois, reconhecidos. Enfim, o amor típico de mãe - amor materno. Forte. Muito forte. Excitante. Muito excitante. À nossa vida. 

“Excitante essencial da glória e dos grandes amores”, na feliz definição de Drummond. 

Penso que sem esse amor, amor materno, não teríamos alçado patamares em nossas vidas - da tenra idade a idade adulta. E, em cada um deles, sobretudo nos primeiros, com forte presença de nossas mães. Atentas. Vigilantes. Observadoras. Nesses estágios de nossas vidas. 

Felizes aqueles que tiveram essa mão protetora ao tempo desses caminhos e descaminhos, que compõem nossas jornadas.

De uma estou certo: nada nesse mundo que porventura venhamos a fazer poderá ser entendido por nossas mães como contributo ao que delas recebemos no passado, ainda na tenra idade, ou ao longo de nossas vidas, em quaisquer dos seus patamares. E isso porque, delas, recebemos desmedido e incondicional amor. Amor materno. Que não tem preço.  

Tenho dito: eu tive. E felizes dos homens e das mulheres desse mundo que também o tiveram. Que cuido, muitos! Indizíveis... E que trazem em suas memórias registros sublimes; passagens maravilhosas... Todos, ao lado de quem nos trouxera ao mundo. E que hoje excitam nossas vidas, tornando-as melhores, mais fraternas e mais humanas. E nos permitindo dizer “Obrigado, minha mãe. Obrigado, minha luz. Sem a senhora... Sim, sem a senhora, com seus gestos de bondade, de carinho, de amor... Talvez minha jornada não fosse essa. Do bem, do amor, da caridade, da decência, da dignidade...”

Costumamos dizer: “Minha mãe fora uma heroína!” Também digo da minha mãe, quando entro no túnel do tempo. E o faço sempre. Sobretudo, para reviver passagens de minha infância, pré-adolescência e adolescência. E dessas, com ela, guardo muitas recordações.    

Tenho uma amiga no Leonismo a quem digo que jamais vou esquecer seu nome. Outro dia ela me perguntou: “Por que, Givaldo, você sempre diz que não vai esquecer o meu nome?” Eu respondo: “Por várias razões.” A primeira, e mais importante é que você leva o nome de minha mãe: Eulália. A segunda, não menos importante, é que você foi esposa de um grande amigo meu - Elton. Como vou poder esquecer o seu nome, Eulália? E depois, você é muito parecida com minha mãe. No jeito de ser - simpática, amável, cordial... Disposta e, sobretudo, disponível. Também, elegante e vaidosa. Sempre pronta para fluir com sua agenda. Depois, Eulália, deixa-me muito feliz ver a viúva de Elton, erguendo a bandeira, que fora a razão de ser de sua vida. Ou pelo menos uma das razões. Minha admiração por você é grande. Muito grande! Como posso esquecer seu nome diante de tantos registros?”

sexta-feira, 2 de junho de 2017

REDE FEMININA (VOLUME I)

Gosto muito dessas “meninas” da Rede Feminina de Combate ao Câncer de Garanhuns. É assim que me dirijo a elas. 


Outro dia, pensei: “Meninas? Por que eu as chamo de ‘meninas’? Será que em um dia desses não vou receber uma repreensão de alguma delas por chamá-las de ‘meninas’? Elas com suas condições de senhoras da nossa sociedade, lá estando para prestarem um serviço voluntário, focado na solidariedade, na fraternidade e no humanitário? Não! Avancei demais. Não! Não as devia estar chamando de ‘meninas’.” E já há um bom tempo, eu me refiro a elas assim. Sei lá o sentido que alguém de fora possa dar à minha saudação. Resolvi abrir um hiato. Passar um tempo sem mais chama-las de “meninas”; até me esconder um pouco delas, já que se reúnem em um dos salões do Garanhuns Palace. 

“Coisa feia, Givaldo!” - Disse a meus botões. “Esconder-se das ‘meninas’? As que você tanto admira? A quem a cidade tanto aplaude?” - Arrematei. Vulgarizar a saudação “meninas”? Impossível! Todos sabem. Já sei! Já sei! Vou consultar o Aurélio. E fui. E não para minha surpresa, ele é fulminante. “Menina”, dentre outras, mas, sobretudo: “Tratamento familiar e afetuoso dado às pessoas do sexo feminino, crianças e adultos.” Mais, ainda: “Tratamento familiar e afetuoso entre parentes e amigos, ainda que adultos.” 

Bateu com o sentido que eu vinha conferindo às minhas “meninas” da Rede. Que adoro. E respeito, deveras. Fui às minhas anotações que sempre faço, e encontrei essa do poeta Jorge de Lima: “Joaquina Maluca, você ficou lesa / não sei por que foi / Você tem um rosto de graça menina, na boca, nos peitos / não sei onde é”... 

Vou voltar às minhas “meninas”. E não vou fazê-lo porque, só agora, esteja certo que elas absolverão minha saudação. Até porque sempre estive certo disso. Vou voltar porque elas já me fazem falta com seus sorrisos. Com suas alegrias. Suas histórias interessantes da Rede e de fora dela. 

Mas eis que, entrementes, encontro uma delas: “Givaldo, você nunca mais nos chamou de ‘meninas’. Estamos sentindo falta.”

Ah! Se eu ia. Agora é que eu vou mesmo. Vou cumprimentar as minhas “meninas” sempre que estiverem por aqui, reunidas. Contando suas histórias de solidariedade, falando sobre suas histórias de fraternidade, dizendo, enfim, de seus feitos humanitários. Não! Não vou mais só me ater, e tão só, às festas de São João da Rede que, com grande brilho e animação, elas promovem na cidade. E que contam com a presença de muita gente da sociedade garanhuense, que vai muito mais para levar o seu “muito obrigado” por elas existirem em nossa cidade. Em nossa região. 

Vou muito mais além. Eu quero! Afinal, São João só ocorre uma vez ao ano. Vou me colocar à disposição dessas “meninas” em suas tarefas humanitárias, fazendo tudo o que me for possível. 

Muito bonita a festa de São João dessas “meninas”, desse ano. Disse alto à cidade de suas grandes iniciativas, a contar pelo grande número de pessoas presentes. 


Estão de parabéns todas as que fazem a Rede Feminina de Combate ao Câncer de Garanhuns, em especial a essa abnegada Irene Leal, sua presidente.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

A DENTISTA (VOLUME I)

Logo cedo, às 06 horas da manhã, no Café Columinho do Palace. 

De repente, dois amigos chegam para me acompanhar. E por lá ficamos ouvindo as novas da cidade, que promove a III Edição do seu Natal Luz. E o assunto, puxado à mesa, descamba para o Natal Luz, que Garanhuns promove. Eles encantados com o que viram em nossa cidade, certamente sem precedente em nossos Natais. Em beleza. Em programa. Também em extensão. Para atrair mais visitantes. Eles, que geram emprego e renda aos seus destinos turísticos. 

É Garanhuns se encontrando. Querendo exercitar sua vocação. De receber. De acolher. De recepcionar... milhares que nela aportam a procura de seu merecido lazer. 

“Mas nem concluímos a nossa conversa de ontem”, exclamaram outros amigos que acabavam de chegar, e com quem jantara, na noite de ontem, e me viram correndo à dentista, mal terminado o jantar. A eles disse que tive de sair às pressas, mas não, antes, de dizer a todos que voltaria logo. “A gente precisa atualizar nossas conversas e ouvir as últimas da cidade. Perdoem-me! Não deu. E não daria para ficar com dor de dente com vocês.”


Na dentista, ontem, fui atendido de urgência. E, por lá fiquei durante quase três horas em inesperada cirurgia. A dentista murmurou: “É bronca! As raízes trincaram. São duas para um bloco com três elementos. É que, com a reabilitação oral, você passou a mastigar, confortavelmente, pelos lados direito e esquerdo. Aí, as raízes do lado esquerdo não suportaram a carga”. 

Deu trabalho. Muita anestesia. Muita dor...

Suava muito numa sala gelada. E eu com calor. E a dentista parecia também sofrer comigo. Afinal, o dia todo naquela pisada. Pobre dentista. Não sei como suporta atender a tantos clientes. E, por cima, muitos deles tensos. Também medrosos. Dengosos... 

Foi uma emergência em que ela teve de tirar uma série de radiografias, e falava com um colega no Recife para providenciar um provisório, que ela pede para segunda-feira, já que ela entra em recesso na terça. 

Mas, deu tudo certo. Quando ela conseguiu puxar o bloco com as raízes... Que alívio!

Tomei, na hora, um coquetel dos mesmos antibióticos que passara das outras vezes em que fui cirurgiado. E continuarei a tomá-lo a cada oito horas. Durante os dias seguintes. 

Agora, em casa, de repouso, escrevo essas linhas sobre a noite de ontem. Nesse começo do dia de hoje. Mas evitando pensar naquela cadeira gostosa da minha dentista. Que apesar de ter mandado a tormenta de minha dor para longe, fez-me suar muito enquanto a dor sumia. Mas não amanheci inchado. Estou bem. E também confortável!

Viva a dentista! 

A gente só dá viva aos nossos médicos e dentistas quando os incômodos que nos atormentam vão embora. Penso, lembrando-me de uma mestra que tive. A ela, disse: “Quero mudar de turma. Quero sair do curso clássico para o curso científico.” Ela, assustada, me perguntou do por quê? Do... “Quero ser médico, professora. Desisti de ser advogado.” Ao que ela me replicou: “Volte para a sua sala de aula. Não está vendo que você não tem cara de médico?” Acertou em cheio. Devo isso a ela.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

CABEÇA ERGUIDA (VOLUME I)


Uma amiga me telefonou outro dia. Senti-a, nervosa, ansiosa, preocupada... tensa.  

Disse-lhe: “Ponha na cabeça: tudo vai acontecer como planejado. E você planejou... E bem! Você, antes, conversou com todos de sua equipe. Seus amigos e amigas de trabalho. E isso é certo. Agora, amiga, pense. Mas com otimismo e segurança. E, claro, assegurada a devida cautela. Que a ânsia, a tensão... tudo irá se escorrendo... Se escorrendo... E, de repente, em seu lugar, a sensação de vitória. Quase de êxtase. Senão ele.” 

Faz pouco, me voltou essa amiga. “Quero lhe agradecer. Deu tudo certo. Foi um sucesso meu evento.” Disse-lhe: “Agradeça! Mas agradeça a você mesma. Chame todos de sua equipe e diga: ‘Olha como foi bom estarmos unidos, gente! Focados em nossas tarefas... Deu tudo certo! Certinho! Como todos nós imaginávamos. Como planejamos. Muito obrigada, meu Deus! Muito obrigada! Obrigada a todos e todas vocês.’” 

E cravei, ainda: “Ademais, amiga, tudo não pode ficar sob sua exclusiva guarda, embora você seja a responsável maior. Mas, sob seu comando, há tantos e tantas, a você. E você não deve querer ser a única a salvar a pátria amada. Que, portanto, todos a salvemos. Todos! Cada um fazendo suas tarefas, designadas por você. E você, com olhar em tudo. Conferindo-as, todas, à medida que chegam às suas mãos. Chamando um a um para suas considerações. E nunca se esqueça de agradecer o empenho de cada um, o trabalho de cada um. No final, você vai imprimir sua marca. Mas, na apresentação do trabalho é indispensável agradecer a todos e a todas, pelo empenho e colaboração recebidos.” 

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

REFLEXÃO (VOLUME I)

Um casal amigo me procurou essa semana. Estava aflito. “Givaldo, sabemos de nossa amizade. Amizade construída ao longo de tantos anos. Sempre estivemos a conversar durante esses anos todos. E nós, como você, sempre tivemos uma conversa séria e leal. Além de civilizada e respeitosa. De sorte que viemos, aqui, conversar com você para pedir uma orientação. Na verdade, sua ajuda.” 

De repente, descamba o casal amigo a... falar e falar... de fatos pretéritos, ocorridos em nossas vidas. E a conversa se prolonga e se prolonga, e o casal amigo não entra no assunto que o trouxera ao meu escritório. Olhei para o relógio. Sempre o faço quando atendo as pessoas. Não, por não gostar de atendê-las. Claro que gosto. E muito! Para mim uma satisfação. Mas, porque tenho que administrar meu tempo para atender a tantas outras. 

Verifiquei que quase uma hora se passara, e nada de o assunto sair. Resolvi, atento, sugerir: “Amigos! Por que não marcamos para conversar sobre o assunto lá em casa? Vocês viram, não é verdade? Tenho tantos e tantas, ainda, para atender.”

Combinamos com o casal amigo para conversarmos nesse final de semana. Às 20 horas, lá em casa. Marcamos. 

Às 20 horas, estávamos, eu e Emília, prontinhos para recebê-los. E nada de chegarem. Quando os dois aportaram lá em casa, já passava das 21 horas. Mas, tudo bem... O que fazer? 

O casal amigo começou a falar de seu filho que casou, já faz alguns anos, e que estava passando por “um probleminha de relacionamento com sua esposa”.

Pediu-me desculpas pela digressão que fizera em meu escritório, e nos falou, a mim e a Emília, que ia direto ao assunto. Aos meus botões disse: “Graças a Deus!”  

E começou: “Soube que meu filho está participando de uma conferência na Igreja.” E se apressou em dizer a ele: “Filho, eu quero dizer que fiquei muito feliz quando soube do ‘Encontro’ que você está fazendo nesse final de semana. 

Penso que, na vida, há momentos em que devemos parar um pouco para analisá-la e mudar os rumos que a ela estávamos dando.
 
Você está tendo esse momento. Prenda-se a ele. Só a ele. Peça ao Senhor Sua ajuda. Ajuda para você. Ajuda para sua esposa. Forças. Forças para vocês vencerem, juntos, esse momento difícil porque estão passando. E que para superá-lo, depende de vocês com a ajuda e a benção de Deus. E Ele quer fazer isso por vocês. Aliás, Ele já está fazendo, levando-o para esse ‘encontro’.

Quer saber? Todos ou quase todos passamos pelo que vocês estão passando. Bom? Horrível! Gostoso? Terrível! 

Lembrei à sua mãe, outro dia: nós também passamos por esses momentos. Mas nos lembramos de você - sim, do nosso filho. Único filho. Do que havíamos construído, juntos, até ali. Do que nos ocorreu dizer, lá atrás, perante o Senhor e, de forma espontânea.

Como você está indo ao encontro do Senhor, vá! Mas vá pensando em se reencontrar com sua família. Em reconquistar forças para continuar a sua caminhada...   

Lembre-se: vocês têm dois filhos maravilhosos que precisam de vocês. Porque os amam. E por eles todo ‘sacrifício’ que fizerem para mantê-los por perto, convivendo com vocês, ainda será pouco diante das bênçãos que terão do Senhor em suas vidas. E para sempre. 

Estou, portanto, muito feliz em saber que você vai a esse ‘encontro’ à procura de ajuda. Depois de alcançada a graça, que venha o reencontro de você e sua esposa com a Santa Igreja.
 
É o que peço todo dia ao Senhor para você, meu filho. 

Para mim, só peço a Deus paz e saúde para poder, em vida, assistir à ascensão de meus netos. Às suas conquistas que advirão com as graças do Senhor. E para minha felicidade plena.

Fiz bem, Givaldo, em dizer-lhe tudo isso? Você acha que com essas palavras que lhe disse, ele vai acabar com essa ideia maluca de separação?” 

Fiz-lhe ver que a ninguém é dado saber do que acontecerá daqui para frente. Mas elogiei sua postura de pai, dizendo-lhe ser possível que, diante de seus exemplos, de seus conselhos, de suas ponderações, o casal possa se reencontrar, reatando seus laços. E, ademais, o “encontro” teria tudo a ver. Suas palavras, dirigidas ao seu filho, saíram do seu o coração. E ele haverá de entender. Foram palavras calcadas na experiência que vocês mesmos viveram.

Vi, já tarde, o casal sair de minha casa, feliz. Não sei se pelas palavras que dirigi a ele, ou se pelo vinho que degustáramos. Eu, Emília e eles. Nós quatro. 


De uma coisa, no entanto, estou certo: temos que ter paciência para ouvir. Com ela, você pode fazer verdadeiros milagres. Fui para a cama, feliz. Pelo bem que penso ter feito àquele dileto casal de amigos.  

QUE LINDO! (VOLUME I)


E Gui, já em Tamandaré, organizando tudo, para receber as tias e os tios, as primas e o priminho. E eles só chegam na próxima semana. Mas, tudo bem! Gui é previdente e organizado...

Acabo de ter essa notícia. E fico feliz. Coisa de avô. Que o digam. Tudo bem! “Vovó vem me buscar.” E a vovó foi. Ela, que já está em Tamandaré desde a terça última, pretende ficar até lá para os dez dias de janeiro de 2017. Sim, do próximo ano. Ela, que foi branca e de cabelos loiros, quer voltar morena e de cabelos castanhos. Coisa de mulher. Tudo bem! Será que vou gostar? Vou torcer! Torcer com fé...  

Daqui, ela partiu na terça-feira, em dois carros, com seis auxiliares para lhe ajudar, fora o caseiro que, já, lá, esperava-a, angustiado. Soube depois que, desde segunda.   

“Por que tantos Emília?”, perguntei. Ao que ela me respondeu: “Quero organizar tudo para recebermos com imenso prazer e alegria nossos filhos e netos, e, com eles, termos um Grande Natal e um excelente Final de Ano, carregado de alvíssaras.”
  
Que Deus a ouça, Emília, e a todos nós - os 13. 

De repente, a lembrança de palavras que ouvi, faz pouco, de personagens dessas “Minhas Linhas e Linhas”, que me soam, recorrentemente: “Lembrem-se: vocês têm dois filhos maravilhosos que precisam de vocês, porque os amam e, por eles, todo ‘sacrifício’ que fizerem para mantê-los perto de vocês é pouco.”

 
Às minhas personagens que me procuraram outro dia, esqueci-me de dizer: “Nunca me esqueço de uns versos que diziam: ‘Meu filho / Meu sangue / A certeza que eu existo / A minha continuação / O volume 2 do meu livro / O amor puro como água’.” 

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

OBRIGADO, SENHOR! (VOLUME I)

Vocês são muito carinhosos conosco. Todos: Natanael, Romildo, Paulo, Eulália, Wilma, Flora, Geise, Tetê, Ruth... São tantos! São tantas! Enfim, vocês todos e todas!

E o que dizer de nossos cronistas? Cronistas da família. Cronistas das Academias. Cronistas... Deixa-nos vertendo lágrimas. Como deixaram indizíveis familiares. Amigos e amigas, aqui, não reverenciados.

De uma das crônicas de família que nos chegou, agora, apesar de datada de 02 de setembro de 2012, saboreamos essas recordações, que não as entendemos a destempo, a despeito de a família ter crescido nesses últimos anos: 

“Há 40 anos, um estudante e uma estudante começaram a viver uma bonita história. Um casamento como outro qualquer: Maria Emília e Givaldo... Tio Padre os abençoou aos pés do altar. O juiz os uniu em frente à sua mesa. Os acontecimentos bons, até agora, suplantaram os mais difíceis. Um casal vencedor, tendo como principal razão de suas vidas, uma bonita família.”

E mais outra das Academias:

“Hoje, vocês estão completando 40 anos de casados, representados em celebração pela simbologia das ‘Bodas de Carbonato’... Givaldo e Emília, muitas dificuldades vocês enfrentaram na vida, muitas lutas vocês venceram juntos... Foi preciso muita coragem para vencer tudo aquilo que vocês dois encararam, tudo que passaram. Isso tudo, sem dúvida, é um belo exemplo de vida... Acreditem: muitas coisas ainda vão mudar e melhorar. Vocês ainda têm uma vida inteira pela frente, para aprender a ser família, e não apenas um casal... Casamento não é para qualquer um...”

E mais. E mais... Que a todos agradecemos e pedimos para se considerarem referenciados nessas tortuosas linhas.

Mas, de repente, outra que foi demais... Que foi fundo... Que não podemos deixar de referir. Ela lembra o diálogo de Matias Cardoso com Fernão Dias. Eles, bandeirantes do Brasil. Do Brasil que surgia para ser o país que é hoje. Matias, lugar-tenente de Fernão, arrefecera o sonho de encontrar esmeraldas, e fora anunciar sua deserção ao chefe, ao seu govenador Fernão Dias. 

O amigo cronista, citando Paulo Setúbal, destaca: “Fernão Dias escutava, arrasado. Podia esperar tudo, menos ouvir de Matias Cardoso a dureza que estava ouvindo. E dizia ferido: ‘Vós, Matias Cardoso? O meu lugar-tenente? O que eu busquei com tanto gosto? Vós?’ ‘Eu mesmo, D. Fernando! Digo e repito: desanimei. Não continuo mais. Já reuni os meus homens. Estão todos prontos. Hoje mesmo deixamos a Bandeira.’ Fernão Dias refletiu e disse: ‘Está bem, Matias Cardoso. O companheiro mais querido abandona-me no momento cru. Não importa! Eu tendo vencido índios e feras. Hei de vencer a ingratidão dos amigos.’  

Você, Givaldo, nunca abandonou um amigo. Por isso quero lhes saudar nessa hora, a você e a Emília, pelo exemplo que vocês nos dão.” 

Que Deus nos abençoe nessa caminhada. Que já faz anos. Que, no entanto, seu primeiro dia, ainda presente em nossas memórias, dele nós recordamos como se fora ontem. E Deus tem sido muito bom conosco por isso.

Muito obrigado, Senhor! Ontem, éramos apenas nós dois aos pés do Vosso Altar, naquela noite fria de Garanhuns de 02 de setembro de 1972, na Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

Hoje, somos 13. Nós dois, seis filhos e cinco netinhos. E todos vivendo num ambiente de muita paz e compreensão e, sobretudo, seguindo os Vossos ditames e a eles tementes.

E agradecidos por ouvirmos, como acabamos de ouvir, outro dia, de nossa netinha Isabella. Ela, que vive nos EUA: “Eu quero ir para o Brasil.” E de nossa netinha Gabriela: “Eu quero morar em Garanhuns.” 

 Por fim, fazemos nossas as palavras do grande Victor Hugo: “Errem, caiam, pequem, mas sejam justos. Porque ser santo é uma exceção. A regra é ser justo.” E que Deus nos conserve assim. Com nossa família. Com nossos amigos. E com toda a sociedade.  

sábado, 30 de julho de 2016

ESCORRIA NO TEMPO (VOLUME I)

 Não, amigo. Não! O Wagner é daqui. Das terras de Simôa. Que um dia resolvemos homenagear, atendendo a tantos pedidos da sociedade civil organizada da nossa cidade. Não, amigo. Não! No que pese Clarice ser internacional. No que pese ser a nossa maior contista, romancista... Enfim, a nossa maior... É que Wagner é daqui. E digo isso não porque ele trabalhou comigo. Mas, talvez, até por isso, também, porque, aí, conheci melhor o seu talento. 

Vejo Wagner, portanto, como a nossa Lispector de calça, no porvir. E estamos conversados. 

Ah! Sei lá. Sei lá. Preciso ordenar melhor minha cabeça. Focá-la num objetivo. Objetivo ainda não definido. De vida? Sei lá. Sei lá. Até quando? Cobro-me. É terrível, amigo.

Enquanto decorre... E escorre... Recebo repetidas cobranças de amigos e amigas como você. O que dizer? Valho-me do Senhor. E, resignado, deixo tudo em Suas mãos. 

Prosa é conferir em “Isso Que Escorre”. Que li num fôlego só. E por ter feito isso, sobrou-me tempo para conferi-lo. Devagar. Devagarinho. A tempo de avaliar a dor de Cássia e a tristeza de Murilo na peleja em que se meteram. Sobretudo, quando o amor deles “escorria” no que se chamava tempo. O “inconfessável tempo” e seus atos.

Penso que Wagner conseguiu contar em seus maravilhosos contos, muito do que a grande Clarice Lispector não contou em seus “Todos os Contos”. E a todos digo isso. Como o disse nessa XXVI Edição do FIG. A Karina. A Aristóteles. E a tantos presentes. 

Aposto nesse “menino”. Sei de sua dedicação às Letras. Estas, da “Última Flor do Lácio, inculta e bela”.

Conheço-o! Por isso, permito-me dizer: Aposto nesse “menino”.

terça-feira, 8 de março de 2016

DIA INTERNACIONAL DA MULHER (VOLUME I)


Evidente que a beleza de uma mulher não está só em suas roupas. No penteado de seus cabelos. No gosto de sua maquiagem...

A beleza de uma mulher é tão infinita que prefiro dizer que está, sobretudo, em sua alma. Em sua doçura. Em sua paixão... Enfim, em seus gestos, que entendo vindos de lá de dentro do coração com a sua capacidade de amar e ensinar a amar. 

Por isso que me ombreio a todas as mulheres neste dia de louvação a elas. Neste dia em que lhes cabe muita reflexão sobre sua realidade no passado, sobre sua realidade no presente, sobre as conquistas que ainda lhes faltam alcançar.

Da caminhada longa e espinhosa, que encararam, vencendo preconceitos, os mais abusivos e absurdos... Lutando contra forças poderosas e reacionárias, que as consideravam verdadeiros subprodutos humanos, mas que chegaram, por aqui, no Ocidente, devagarinho, devagarinho, nas décadas de 1910 e 1920. Um pouco mais, em 1932 e 1934, no Brasil, com o direito ao voto; em 1946, com o dever ao voto; posteriormente, na década de 1960, com suas presenças nas ruas, cobrando sua melhor inserção na sociedade; mais adiante ainda, em 1977, com sua relevância internacional, em boa hora, reconhecida pela ONU, dedicando este dia a elas.  Sem esquecer que, um pouco mais na frente, em 2008, era criada a campanha “As Mulheres Fazem a Notícia”, ampliando essa relevância em todo o mundo, através da atenção à igualdade de gênero.


Mas a grande luta das mulheres, hoje, no meu entender, foca a sua maior participação política, visto que somente cerca de 10% delas têm assento em nosso Congresso Nacional. Percentual muito baixo, sobretudo se levarmos em conta que a maioria de nosso eleitorado é formada por mulheres. 

Penso que essa deve ser a grande luta das mulheres nesse limiar de milênio, e já há quem diga, com grande atraso, se nos lembramos de que já estamos no ano de 2016, e somente com a última eleição de 2014 é que as mulheres conseguiram pontuar 9,9%, ou seja: 51 mulheres fazem partem da nossa Câmara de Deputados, num colegiado de 513 membros. O crescimento foi muito pouco se compararmos a última eleição de 2014 com a penúltima de 2010, quando as mulheres eram representadas, apenas, por 45 delas, numa Câmara de igual tamanho - 513.   Ou seja: uma relação de menos de uma mulher para cada dez deputados homens. No Senado, o cenário não é diferente. Tendo se renovado apenas em 1/3 nessas últimas eleições, e considerando as já existentes naquela Casa, as mulheres contabilizam 11 de um total de 81 senadores, ou seja: apenas 13,6% da Casa formada por elas. 

Veja que só em 1932, com Getúlio Vargas, as mulheres conquistaram o direito ao voto, mas com uma série de restrições, como: se casadas, com autorização do marido, e, se solteiras ou viúvas, se provassem renda própria. Dois anos depois, também com Getúlio Vargas, em 1934, é que essas restrições foram abolidas. Mas elas continuavam apenas com direito ao voto. Só em 1946, afinal, e com a redemocratização, é que elas, as mulheres, passaram a ter, como os homens, o dever ao voto, e, mais recentemente, em 2009, a nossa legislação eleitoral criou a chamada “cota feminina” mínima e obrigatória para elas.

Vanessa Grazziotin, senadora pelo estado do Amazonas, considera a situação atual das mulheres “muito grave”. Segundo ela: “Somos mais de 50% da população e do eleitorado. Respondemos por 45% da produção deste país e pelo sustento de 1/3 das famílias. Mas todo esse protagonismo não reflete na nossa representação política. O problema tem sua raiz na discriminação que as brasileiras sempre sofreram em todo esse processo histórico. As desigualdades no mercado de trabalho, nas famílias e em outras esferas sociais ainda estão presentes.” 

Ela diz crer que vencer o preconceito é “um processo de longo prazo, para o qual os percentuais de recursos e de tempo de propaganda previstos, hoje, são claramente insuficientes.”

Saúdo, portanto, todas as mulheres brasileiras, e, em particular, as mulheres da minha cidade, neste dia tão importante para elas. E, daqui, exorto todas elas a continuarem a sua luta histórica.

Que esse dia seja de reflexão e de chamamento à luta de todas as mulheres. Que suas bandeiras sejam, sempre, por uma vida mais igualitária.