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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

PACIÊNCIA (11.11.2016) (VOLUME II)

Tenho muito medo de conversa vazia. Sem sentido. Como diria um amigo: “Sem pé e sem cabeça”. Fruto de fofocas. Puras ilações... De pessoas que só pensam em agradar. E só agradar. Não raro, com intuitos escusos. Deus nos livre dessas pessoas. Machado de Assis dizia: “Prefiro a lição que melhora ao ruído que lisonjeia.” 

Consulto minhas anotações. Vejo em Alexandre Herculano: “Cismou algum tempo no caso, mas como não atinava a deduzir daí uma ilação razoável, não pensou mais nisso.” Digo: as pessoas, hoje, são mais açodadas que nos tempos de Herculano. É que hoje sequer se dão ao trabalho de cismar. Vão logo às ilações. 

Cabe a nós, contudo, escutar. E escutar. De forma religiosa, atenciosa. E, respeitosamente, escutar e escutar. E, daí, discernir e discernir! Essa a palavra. Esse o verbo. Hoje, tão carecido. Carecido de ser mais conjugável. 

Sempre tive em mente esses cuidados. Que, por mais que você os tenha em mente, não lhe impedem de tomadas de decisões injustas e erradas.  Conquanto, respaldadas em informações descuidadas de auxiliares próximos a você que, por sua vez, tiraram suas conclusões com base em ilações das pessoas que os cercam. Que, no entanto, não fizeram “o dever de casa”. Ou seja: Não foram a fundo. Não procuraram a raiz da questão. Não tiveram o dever da cautela. Da análise do que lhe fora referido. Enfim, de auxiliares que não discerniram. 

Sempre digo que é preciso muito cuidado na escolha das pessoas para ocupar os chamados “cargos de confiança”. Quer na iniciativa pública, quer na privada. 

A expressão chama a atenção para duas palavras. Uma explícita na própria expressão: “confiança”. A outra, nela implícita, “competência”. No meu olhar, a ausência de uma delas exclui a outra, inexoravelmente. Ou seja: você não pode nomear para ocupar um “cargo de confiança” uma pessoa em quem você não confia, posto que competente. Ou, em quem você confia, mas que não tenha competência. Um dos predicados é excludente do outro. E vice versa, portanto.  

À minha mesa, recorrentemente, vejo-me diante desse problema. Fico a ouvir. A escutar. Vou a fundo. Faço-me de conta, convivendo na ponta. Na origem. Na profundeza da raiz. 
Digo-me: prefiro perder algum tempo acertando, a ganhar algum tempo, errando. Daí ter errado menos. No que fiz e no que faço. Deus me deu paciência para essa obra.  

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

PALADINOS DE QUEM PRECISA (29.09.2006) (VOLUME II)

Claro que em poucas linhas não podemos falar tudo desse Movimento fantástico que é o Leonismo Internacional. Às vezes, penso na imensidão que é o Lions Clubes Internacional, com quase 100 anos de existência. É tão grande que tem sido a razão de a grande maioria ou a totalidade de seu exército de homens e mulheres, nele viverem gratificados e agradecidos a Deus pelo ensejo que tiverem algum dia, de ingressarem em seus quadros.  

A palavra que mais escutava no Lions nos meus primeiros anos de Leão era “gratificante” “O que fizemos lá na creche fora muito gratificante.” Ainda: “A visita que fizemos, ontem, a comunidade, deixou-nos muito gratificados.” E por aí vai. E você a se perguntar do por que dessa sensação? Dessa magia... A resposta você só terá quando colocar a “mão na massa”. Ou seja, for cumprir sua missão voluntária e desinteressada no Movimento. 
     
Um exemplo que registramos nessas linhas está no que o Movimento vem fazendo no Hospital das Clínicas do Recife, chegando-se ao ponto de triplicar o acolhimento de pacientes na sua área oftalmológica e promovendo um investimento de cerca U$ 100 mil, em aquisições de uma série de equipamentos que aquele Hospital estava a precisar. 

Naquele hospital, além de contarmos com um Companheiro Leão, que cuida pessoalmente do comando desses atendimentos, ainda dispomos de uma equipe de Companheiros e Companheiras do Lions, cuidando desses atendimentos em todas as áreas do hospital, através de um permanente trabalho voluntário - ideário Leonístico - sob a coordenação da Companheira Virgínia, esposa do nosso ex-governador Luiz Carlos Feitosa.

Além dos recursos carreados para o Hospital das Clínicas do Recife, também foram carreados para os Hospitais das Clínicas das cidades de Natal, João Pessoa e Salvador, cerca de U$ 300 mil. Nesses Hospitais o nosso serviço voluntário é presente. De maneira também permanente e firme.

Ainda na área da oftalmologia, estamos construindo o “Hospital de Olhos”, para atender a população da região de São Gonçalo do Amarante e de todo o Estado do Rio Grande do Norte. A empresa tem a participação do Instituto Banco de Olhos dos Lions Clubes daquele estado, iniciativa audaciosa do Movimento Leonístico Nordestino, que conta com a supervisão do nosso vice-presidente e futuro presidente Internacional Jimmy Ross.

Projeto permanente como o “Pequeno Nazareno”, que tem a coordenação do ex-governador Edward Lago de Macedo, também mereceu investimento da nossa Fundação Lions, da ordem de U$ 135 mil.
Projeto permanente como a “Nossa Escola”, junto aos cegos e as nossas crianças da cidade do Recife, com a doação da bengala branca para os nossos cegos e cuidando da visão de nossas crianças, sob a coordenação dedicada da Companheira Tereza Falbo.

Projeto permanente como a “Escola Lions”, que cuida de mais de 2.700 crianças e adolescentes na nossa cidade de Garanhuns, todas elas portadoras de necessidades especiais.    

“Quem conhece o Pequeno Nazareno, lá em Itamaracá, chora, não se sabe se pelas crianças resgatadas das ruas e a caminho da recuperação, sobretudo do Recife, ou se por verem o amor com que as trata esse casal bonito, Edward e Marisa.”, disse-me outro dia, o nosso Governador Paulo Nunes. 

Ações humanitárias no mundo. Ou em quase todo mundo. Já dissemos: estamos em 200 países desse “Mundo Plano”, na feliz expressão de Thomas Fridman, na sua monumental obra “O Mundo é plano”.

E se as distâncias não mais existem - aí está a internet, a telefonia celular, a rede de fibra óptica mundial... E se os homens e mulheres do mundo não perderam a sua capacidade de amar ao próximo - ai estará o Lions Clubes Internacional para dar-lhes as mãos, e dizer-lhes que estamos prontos para, juntos, construirmos um mundo melhor.   

Mas o trabalho do Lions continua. Ele está, hoje, se preparando com seu exército de voluntários para realimentar seus recursos financeiros, porque a previsão para 2020 é no sentido de que a população cega no mundo passará para 74 milhões de pessoas e o número daqueles que sofrem de baixa visão dobrará para 250 milhões de pessoas.

Daí a meta do Movimento Leonístico: alcançar um caixa mínimo de U$ 150 milhões, através de seus Leões. Mas já em vista o desafio de reunir U$ 200 milhões para o combate a essa chaga.
Para esse combate, todos os Leões estão instados. Todos! Sem exceção. Porque todos são iguais. Todos são Companheiros e Companheiras.

Aqui, um exemplo a ressaltar: o Companheiro Jimmy Carter, ex-presidente da maior potência do mundo, os EUA, que aos 81 anos, em plena atividade na Etiópia, chefiava há pouco uma caravana de voluntários ao encontro de milhares de etíopes, sobretudo crianças, para salvá-los da chaga do tracoma. Que é - todos sabem - uma enfermidade dos olhos que causa a cegueira de muitas pessoas naquele país - preocupação da humanidade desde a época dos faraós. 



A esperança daquele povo era tamanha que suas crianças, adultos... Enfim, todos, cantavam, saudando os Leões sob a liderança do Carter:

“Não é muito tarde / Os olhos fechados se abrirão / Veremos a luz / Uma mulher disse a um Companheiro Leão: / Nem meus filhos, nem meu esposo / e nem meus vizinhos me ajudavam / Todos tinham vergonha de mim e me ridicularizavam”

Pessoas como essa mulher, Tazie Shiferaw, estão sofrendo com a dor e cegueira.

Graças ao Lions, através de cada um de seus membros espalhados pelo mundo inteiro e da sua Fundação, essas pessoas podem se sentir mais aliviadas. Vão poder enxergar ou enxergar melhor e ter uma melhor qualidade de vida. 

Por fim, atuais as palavras do nosso eterno líder e fundador de nosso Movimento, Melvin Jones: “Enquanto um homem na terra, ao chegar da noite, não tiver um lugar decente para repousar, justificar-se-á a existência dos Lions Clubes.”

sexta-feira, 2 de junho de 2017

REDE FEMININA (VOLUME I)

Gosto muito dessas “meninas” da Rede Feminina de Combate ao Câncer de Garanhuns. É assim que me dirijo a elas. 


Outro dia, pensei: “Meninas? Por que eu as chamo de ‘meninas’? Será que em um dia desses não vou receber uma repreensão de alguma delas por chamá-las de ‘meninas’? Elas com suas condições de senhoras da nossa sociedade, lá estando para prestarem um serviço voluntário, focado na solidariedade, na fraternidade e no humanitário? Não! Avancei demais. Não! Não as devia estar chamando de ‘meninas’.” E já há um bom tempo, eu me refiro a elas assim. Sei lá o sentido que alguém de fora possa dar à minha saudação. Resolvi abrir um hiato. Passar um tempo sem mais chama-las de “meninas”; até me esconder um pouco delas, já que se reúnem em um dos salões do Garanhuns Palace. 

“Coisa feia, Givaldo!” - Disse a meus botões. “Esconder-se das ‘meninas’? As que você tanto admira? A quem a cidade tanto aplaude?” - Arrematei. Vulgarizar a saudação “meninas”? Impossível! Todos sabem. Já sei! Já sei! Vou consultar o Aurélio. E fui. E não para minha surpresa, ele é fulminante. “Menina”, dentre outras, mas, sobretudo: “Tratamento familiar e afetuoso dado às pessoas do sexo feminino, crianças e adultos.” Mais, ainda: “Tratamento familiar e afetuoso entre parentes e amigos, ainda que adultos.” 

Bateu com o sentido que eu vinha conferindo às minhas “meninas” da Rede. Que adoro. E respeito, deveras. Fui às minhas anotações que sempre faço, e encontrei essa do poeta Jorge de Lima: “Joaquina Maluca, você ficou lesa / não sei por que foi / Você tem um rosto de graça menina, na boca, nos peitos / não sei onde é”... 

Vou voltar às minhas “meninas”. E não vou fazê-lo porque, só agora, esteja certo que elas absolverão minha saudação. Até porque sempre estive certo disso. Vou voltar porque elas já me fazem falta com seus sorrisos. Com suas alegrias. Suas histórias interessantes da Rede e de fora dela. 

Mas eis que, entrementes, encontro uma delas: “Givaldo, você nunca mais nos chamou de ‘meninas’. Estamos sentindo falta.”

Ah! Se eu ia. Agora é que eu vou mesmo. Vou cumprimentar as minhas “meninas” sempre que estiverem por aqui, reunidas. Contando suas histórias de solidariedade, falando sobre suas histórias de fraternidade, dizendo, enfim, de seus feitos humanitários. Não! Não vou mais só me ater, e tão só, às festas de São João da Rede que, com grande brilho e animação, elas promovem na cidade. E que contam com a presença de muita gente da sociedade garanhuense, que vai muito mais para levar o seu “muito obrigado” por elas existirem em nossa cidade. Em nossa região. 

Vou muito mais além. Eu quero! Afinal, São João só ocorre uma vez ao ano. Vou me colocar à disposição dessas “meninas” em suas tarefas humanitárias, fazendo tudo o que me for possível. 

Muito bonita a festa de São João dessas “meninas”, desse ano. Disse alto à cidade de suas grandes iniciativas, a contar pelo grande número de pessoas presentes. 


Estão de parabéns todas as que fazem a Rede Feminina de Combate ao Câncer de Garanhuns, em especial a essa abnegada Irene Leal, sua presidente.