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sábado, 15 de abril de 2017

MESTRE DOMINGUINHOS (VOLUME I)

Escrevi, outro dia, melancolicamente... em pleno Festival de Inverno de 2013. Era 24 de julho daquele ano:                                                          “Dominguinhos morreu. Estou triste! Muito triste! E, comigo, todo o povo brasileiro. Particularmente, todo o povo nordestino. E, ainda mais, particularmente, todo o povo da cidade de Garanhuns. Cidade que o viu nascer.”

Cheguei à Esplanada, muito animado, com Emília e um grupo de amigos e amigas para assistirmos ao show de Andrea Amorim. Ela, como Dominguinhos, nascera em Garanhuns e hoje faz sucesso lá fora, inclusive no exterior, agora abraçando a Bossa Nova.

De repente, a notícia: morreu Dominguinhos. Eu, todos fomos acometidos de uma profunda tristeza e de um sentimento de perda irreparável, que, no fundo, viria a prejudicar o nosso entusiasmo diante do show que se anunciava da nossa cantora revelação.

Garanhuns deve muito a Dominguinhos. O nosso cantor-poeta sempre levava consigo, para o Brasil inteiro, as belezas e os encantos de sua cidade. E ele o fazia com toda a sua genialidade, mas com aquela simplicidade que encantava a todos e a todas. Daqui, e de todo esse imenso Brasil.

Os versos de suas canções encarnavam alguma coisa que transcendia e transpassava os nossos sentimentos. Senão, vejamos esses: “Estou de volta pro meu aconchego / Trazendo na mala bastante saudade / Querendo um sorriso sincero, um abraço / Para aliviar o meu cansaço / E toda essa minha vontade / Que bom poder estar contigo de novo / Roçando o teu corpo e beijando você / Pra mim, tu és a estrela mais linda / Teus olhos me prendem, fascinam / A paz que eu gosto de ter. / É duro ficar sem você vez em quando / Parece que falta um pedaço de mim / Me alegro na hora de regressar / Parece que vou mergulhar / Na felicidade sem fim”.

Agora, não vai faltar mais esse pedaço, Mestre Dominguinhos. E sua alegria, esteja onde você estiver, será plena porque você regressa para o lugar de onde saiu. E vai mergulhar, eternamente, na felicidade sem fim.

A Esplanada Guadalajara vai ter que mudar de nome. Se é que todos nós já não a chamávamos, com orgulho e vigor, de Esplanada Mestre Dominguinhos, por conta de suas frequentes presenças. Presenças de que você tanto apreciava.. Por certo, recordando seus tempos de menino, vagando...  cantando e tocando pelas ruas de sua cidade.



Sinto, no entanto, que não basta que troquemos o nome da Esplanada. Sinto que queremos muito mais. Queremos o resgate de Dominguinhos à sua cidade. Queremos, portanto, que lhe seja cumprido o seu maior desejo. O de ter o seu descanso eterno na sua querida cidade de Garanhuns, “onde o nordeste garoa”, porque foi aqui onde tudo começou. Porque foi aqui que o “Rei do Baião” o descobriu para ele reinar, em sua sucessão, como o grande Mestre Dominguinhos.

Garanhuns, por sua gente, pede à família de Dominguinhos a guarda de seus restos mortais, até para que seus filhos, netos... não venham a dizer como Gabriel Garcia Márquez: “A gente não é de um lugar enquanto não tem um morto enterrado nele.”

Dominguinhos vem aí. E, daqui, de sua terra. De sua Garanhuns. Ele estará sempre, quem sabe, a cantar: “No meu Garanhuns / O forró é bom demais / Todo mundo se sacode / Cada vez querendo mais / Neve caindo / Ai, meu Deus, que coisa boa! / Suíça Brasileira / É a terra da Garoa / Quando chega o São João / É grande a emoção do povão / No Parque Ecológico Pau Pombo / Tem um relógio solar como atração / Foi lá que comecei com meus irmãos / Tocando na feira pra ganhar o pão / Tudo isso é motivo de recordações / Garanhuns, Garanhuns”.

Garanhuns recebeu Dominguinhos. Ele está de volta para sua terra em atenção e em homenagem ao seu desejo. E criou o “Viva Dominguinhos” para que ele, em tempo algum, deixe de ser lembrado e festejado, como o será a partir de hoje, nessa IV Edição do “Viva Dominguinhos”. Para que ele, em tempo algum, saia da memória de todos nós, garanhuenses.

Sem o menor fiapo de dúvida, o prefeito Izaías atendeu não só a um desejo de Dominguinhos, mas a um desejo de toda a gente garanhuense.  

terça-feira, 28 de março de 2017

TEMOR E INSEGURANÇA (VOLUME I)

Temo! Temo muito pelo nosso país. E esse temor me remete aos versos de Camões: “Que nos perigos grandes o temor / É maior vinte vezes que o perigo.” 

Tomara! E que seja sempre assim. Porque assim já ocorrera tantas vezes em nosso país. Mais temor que, propriamente, perigo. Perigos que passam. Perigos que se esvaem. Como tantos no passado. Passado recente. Passado remoto. 

E não me queiram pechar de estrabismo... Porque a história do nosso país é rica em saídas para crises. Minha resposta a estas está na ponta da língua: sou patriota. Acredito no meu país. E sou homem de muita fé. Sem embargo de também temer. Mas encorajado pelos desfechos das crises do passado.    

Pobre país... Tão rico e tão pobre. Rico e pobre a um só tempo. Pobre de homens públicos. Sérios. Probos. Republicanos. Vocacionados à vida pública. Vida pública na acepção da palavra: servir a todos. Essa a missão da vida pública. 


País rico e pobre. Rico em beleza. Rico em território. Rico em biodiversidade. Rico em potencialidade. Rico por sua gente boa. Contudo, pobre por seus homens públicos. 

Penso que nunca vivemos um momento tão difícil. Desde Dom João VI, em 1817, com a “Revolução Republicana”. Desde Dom Pedro I, em 1831, com sua abdicação e seu retorno à Europa. Desde Dom Pedro II, em 1889, com o “Golpe de Deodoro” e sua humilhante e injusta expulsão do Brasil. Desde Vargas, em 1930, com a chamada “Revolução de 30”. Ainda desde Vargas, em 1937, com a implantação do “Estado Novo”. Novamente, desde Vargas, em 1952, com seu suicídio. Desde Jânio, em 1961, com sua renúncia. Desde Goulart, em 1964, com o Golpe Militar. Desde Collor, em 1992, com sua deposição. Desde Dilma, em 2016, com seu afastamento e posterior deposição, para ficarmos só nesses episódios que causaram temor e insegurança à nação. Mas que a eles sobrevivemos.  



Estamos atônitos... Com aguda sensação de acefalia... Sem sabermos, a rigor, para onde caminhamos. Para onde vamos. Sem sabermos que destino nos espera. 

Pobre da Nação Brasileira. Nunca a vi tão triste... Acéfala ou quase acéfala... como em nossos dias. Não! Nunca! Desde menino, pré-adolescente, adolescente, e, hoje, maduro. 

Não! Nunca! Não! Nunca a vi. Nem nunca li nos livros que contam a nossa história.

Saída desejamos, e a queremos para logo. Porque a gente brasileira não pode mais suportar essa situação. O país parado ou quase parado. E a nação sofrendo, sangrando e envergonhada, sendo alimentada em seus dias a dia, só, e tão só, por notícias ruins, ou, quando não, péssimas! E, com efeito, tristes, muito tristes, vergonhosas, decepcionantes... até asquerosas. 

Estou decepcionado e triste, assim como toda a nação brasileira. Em nossos dias, só escândalos e mais escândalos. Roubalheiras e mais roubalheiras. Verdadeiras endemias, sem limites. Só!

No meu entendimento, só há uma saída para esse pesadelo em que vivemos: a punição exemplar desses irresponsáveis e criminosos.  Extirpando-os da vida pública porque, para ela, eles não servem. E, certamente, nunca serviram.  

Os números dos assaltos aos cofres públicos são deveras estratosféricos. Inimagináveis. Muito além, anos-luz, dos limites de nossa imaginação. 

A falta de honestidade se implantou em nosso país, justamente por aqueles que podiam e deviam dar o exemplo, enquanto nossos mandatários.

Hoje, já não se sabe que político é honesto. A gente quer apostar em um ou outro e, de repente, ele aparece nos noticiários. E pior: no final das contas, quem vai pagar a conta é a Nação Brasileira.

Ah! Se a Nação Brasileira tivesse em mente as palavras de William Henley, e delas fizesse prática: “O tempo passa / e ainda assim / sem medo em mim / nada me assombra / Nem o vão tão fino / Nem o mau decreto que me empalma / Sou o senhor do meu destino / Sou o capitão de minha alma.” 

Penso que seria por aí que poderíamos ser outra nação, respeitada por aqueles que desejam ser os nossos timoneiros do futuro. Futuro que estimo próximo.  

segunda-feira, 20 de março de 2017

MÉRITO POLÍTICO (VOLUME I)


Às vezes, penso: “tenho saudade desta tribuna”. Aqui, estive durante quatro anos, com tantos. Daqui, vejo ainda alguns: Audálio Ramos Machado Filho, Zaqueu Naum Lins e Daniel da Silva. Mas, daqui, vem-me, também, a lembrança de João Inocêncio Filho, Aldemiro de Medeiros Aquino, Edson Rodrigues Pereira, Gedécio Barros de Almeida, José Carlos Santos, José Carlos Rocha Santos, José Augusto Moura Acioli... 

Como foram bons aqueles tempos, que não voltam mais. Daqui, desta Casa, procurávamos cada um ao seu estilo, lutar pelos sonhos da cidade e de seus cidadãos. E penso, hoje, que valeu a pena ter passado por esta Casa. 

Esta Casa sempre foi muito generosa comigo. Por duas vezes, presta-me uma homenagem. A primeira, data de 31 de maio de 1989. Eu, recolhido em minha residência, de repente recebo a visita de alguns amigos diletos, vereadores de minha cidade, à época. E a memória me traz os nomes de Paulo Francisco Gomes, Armando Domingos de Melo, Audálio Ramos Machado, Antônio Ferreira Duarte, José Ataíde Acioli Filho, Joaci Laurindo de Souza... Foram me comunicar que a Câmara Municipal de Garanhuns havia aprovado um “Projeto de Resolução”, que me conferia o honroso título de “Cidadão de Garanhuns”. 

Disse, na ocasião, e relembro hoje: “Estou surpreso”. É que, de muito, não me achava de outra cidade, já que tudo em minha vida ocorrera, aqui, nas terras de Simôa. 

Com efeito, ainda nos braços de minha mãe, chegara à Garanhuns, da cidade vizinha de Correntes para, aqui, residir até os dias de hoje. Com efeito, fui batizado na Igreja de São Sebastião. Lá, na Boa Vista, pertinho de onde morávamos, na Praça Dom Pedro II. Com efeito, minhas primeiras letras conheci na Escola de Dona Dulcina Galvão, ali, na Avenida Santo Antônio, hoje, “Shopping Center Brasil”. Com efeito, fiz o então curso primário na Escola de Dona Geraldina Miranda. Ali, na Rua Doutor José Mariano, antiga Rua do Recife. Por derradeiro, os cursos ginasial e clássico, cursei-os no Colégio Diocesano, ali, na lendária Praça da Bandeira. 

Agora, mais uma homenagem esta Casa me presta: “Mérito Político”. Título muito enriquecedor. Sobejamente enriquecedor, sobretudo neste momento em que vivemos em nosso país quando, perplexos, estarrecidos e desencantados, parecemos desejosos que nos tenham como amantes de qualquer outra atividade, que não seja a atividade política. Atividade, para mim, a mais nobre, a mais sagrada - se assim posso dizer. Se seu exercício se reveste da plenitude de sua essência. Se seus amantes merecessem a estima, o respeito e a admiração dos seus seguidores e da sociedade que representam. Se seus eleitores “... corressem para eles do que eles para seus eleitores”, nas palavras de Barbosa Lima Sobrinho. 

Ah! Que bom seria se esse fosse o corolário do que, hoje, vivenciamos para sairmos, todos, desse estado em que nos encontramos. Sim, porque este é muito ruim para todos nós. Sobretudo e, principalmente, pela iminência da desconstrução da nossa democracia. Da nossa jovem democracia. Que ainda a construímos, com muita luta, com muito esforço, com muito sacrifício. Inclusive, de vidas de inúmeros compatriotas. 

O político precisa ter equilíbrio emocional para enfrentar os seus dias a dia. Ele tem que ter a consciência de que, para o exercício de suas funções, precisa estar muito mais para um bom magistrado, sempre à procura do equilíbrio e da justiça, na busca permanente da felicidade e da satisfação da sua comuna. Ele tem que ter humildade. Esta, carregada da certeza de que, pelo menos em um particular, cada ser humano é melhor... Sim, é melhor do que o outro. 

O político “não é nenhum iluminado. Ele é uma pessoa comum, igual a todas as outras, com virtudes e defeitos”, disse-nos, certa vez, um Companheiro de Leonismo, Divaldo Suruagy, em uma de suas memoráveis e maravilhosas crônicas. E arrematava: “... importante é que seja honesto, trabalhador, capaz, paciente, prestativo, atencioso, e, principalmente, que tenha espírito público, isto é, coloque os interesses da coletividade acima das solicitações pessoais.” 

A atividade política exige, como nenhuma outra, muita vocação. Vocação, que eu diria, sacerdotal. 

Algumas pessoas chegam até a conquistar mandatos eletivos. E exercem com inteligência as suas funções. Mas, na natureza dessas pessoas, não está intrínseca a natureza do político. Este, como referido, é dotado de atributos que lhe marcam: tolerância, paciência, atenção... Atributos que são excludentes, na sua falta, à atividade. Nela, na natureza do político, reside a diferença, a grande diferença, do simples mandatário, que, por dever, cumpre as tarefas que lhe impuseram, por obrigação, para o político, que as cumpre, mas com paixão, por vocação. Ou, como diria Marco Maciel “como uma ação missionária”. Aquele, simplesmente, como um peso em sua vida, uma tarefa a mais de seu dia a dia, correndo para entregar a obra, que lhe fora demandada ou imposta à execução, todavia, sem o menor entusiasmo à sua realização. Este, ao contrário, com satisfação em seu dia a dia. 

Confesso que fiquei dias a pensar sobre essa segunda surpresa que me faz esta Casa. Aqui e agora. Surpresa, na expressão da palavra. Daí ter-me indagado do porquê da concessão desse honroso e cobiçado título à minha pessoa. 

E eu me dizia nas minhas horas de profundo pensar: mandatário não sou. Certo que fui lá atrás. Mas por pouco tempo - um único mandato. Se bem que a este tenha dedicado todo meu entusiasmo à minha cidade. Se bem que a este tenha prestado, com todas as minhas forças, a minha contribuição à minha cidade. E, delas, tenha levado à ciência da sociedade, de forma sistemática. Sem interrupções. Através de Boletins de meu Gabinete, alcunhados de “Ação Parlamentar”. 

Mas... penso que esta Casa se fixou, para a tomada de tão relevante decisão, muito mais no cidadão Givaldo, a partir de sua inserção na nossa sociedade. Muito mais no cidadão Givaldo, a partir de sua intenção com as comunas de nossa cidade. Muito mais por sua dedicação e, até, intimidade com nossa cidade, presentes, sempre comigo, os atributos a que me referi, e essenciais à definição do homem político e, portanto, eventualmente, merecedor da honrosa e simbólica Comenda, que acabo de receber. 

Dentro desses pressupostos, desse raciocínio, penso que teria, certamente, decidido esta Casa. Não enxergo outra razão que a levasse a assim decidir. E, ademais, sabendo da nobre missão dos vereadores de minha cidade, fiquei a imaginar as horas de debates à tomada dessa grande decisão. 

Sinto que as minhas missões em defesa de minha cidade e com elas o meu apego à sua população devem crescer. E muito! E tudo isso vai me exigir um maior esforço, até para o entusiástico louvor da atenta sociedade garanhuense sobre as decisões, tomadas por esta Casa. 

De minha parte, prometo: zelarei e redobrarei meus esforços no sentido de continuar merecedor da confiança de cada um de vocês, que representam a população de Garanhuns. 

Recebo, portanto, esta Comenda que leva o nome de um dos mais dedicados vereadores da história desta Casa, a quem conheci - Osvaldo Ferreira da Silva - que aqui esteve durante três mandatos, e que me anima a realçar, aqui e agora, o seu exemplo de mandatário com o tempero de grande político. 

Isso posto e glorificado, daqui parto para o meu aconchego. E, de lá da minha alcova, vou agradecer a Deus - como, de resto, já o tenho feito - por me ter conduzido até aqui, sem nunca, em momento algum da minha vida, ter atropelado quem quer que seja ou, pelo menos, ter agido com incorreção e/ou indisposição com quaisquer amigos e amigas, que se ombrearam comigo em caminhadas pela vida afora. Donde me confere a certeza de que, na vida, só construí pontes. Nunca muros. Na vida, só construí amizades. Na vida, não conheci nem sei do sentido de inimizades. E, aquelas, com doses fortes de honestidade, franqueza, presteza... E muita lealdade, graças ao bom Deus. 

Mas, entrementes, esta Casa ainda houve de prestar outra homenagem a outro membro de minha família. Esta, a meu irmão, que, como eu, também foi vereador em nossa cidade, junto a homens que fizeram história em Garanhuns - Aluísio Souto Pinto, Amílcar da Mota Valença, Antônio Sarmento de Pontes, Elias da Silva Barros, João Bezerra Sobrinho, José Augusto Pinto, José Cardoso da Silva, Luiz Pereira Junior, Pedro de Souza Lima, Raimundo Atanásio de Moraes, Petrônio Fernandes da Silva e Uzzae Canuto. 

E, daqui, eu me refiro ao espaço dos ex-vereadores de Garanhuns, que leva seu nome: Geraldo de Freitas Calado, numa iniciativa do Vereador Gerson José de Carvalho Souza Filho, referendada pela unanimidade deste Augusto Plenário. 

De Geraldo, meu irmão, guardo suas palavras: “Teu dever é lutar pelo direito, mas no dia em que encontrares o direito em conflito com a justiça, não hesites em lutar pela justiça.” 

Por fim, quero agradecer a todos pela homenagem que me prestam, neste dia. A todos os representantes da gente boa de Garanhuns e, de forma muito especial, ao Vereador Daniel, pela iniciativa que terminou contando com o apoio e os aplausos desta Casa. 

Certamente, vocês marcam minha vida. A minha e de meus familiares - minha esposa, Emília, meus filhos e meus netos. E a todos os meus das famílias - Calado, Freitas e Valença, a todos meus amigos e amigas da nossa cidade. 

Sinto, por fim, neste instante, ecoarem nos meus ouvidos os versos de Cecília Meireles: “Basta-me um pequeno gesto / Feito de longe e de leve / Para que venhas comigo / E eu para sempre te leve...” 

O gesto de vocês, no entanto, foi grande. Enorme! Gigante! E dele jamais esquecerei.

quarta-feira, 15 de março de 2017

JAZZ! QUE SAUDADE! (VOLUME I)

“Que saudade! Que saudade!”, escrevi em 2015. Porque sentia mesmo. Porque ouvira mesmo. De tantos. E de tantas. Daqui e alhures. Saudade do “Garanhuns Jazz Festival”. Que chegara ao seu último dia.

Parecia que eu, que todos os milhares de apreciadores do Jazz e do Blues estavam se despedindo deles, já que, em 2016, não contamos mais com o nosso “Garanhuns Jazz Festival”, que se consolidava, que se sedimentava, que orgulhava a todos que enchiam seus pulmões para dizer: “Garanhuns, dentre tantos codinomes, é conhecida como a ‘Cidade das Flores’, a ‘Cidade onde o Nordeste Garoa’... E, a partir de 2008, com o Jazz e o Blues, também como a ‘Cidade dos Festivais’.”

É, foi uma pena. Está sendo uma pena, o fim do Festival do Jazz e do Blues.  Perdermos esse diferencial, que conferia charme e glamour ao nosso Tríduo de Momo. Diferencial que não tínhamos, mas que passamos a ter para a alegria maior da cidade, sem embargo das marchinhas e dos frevos dos carnavais. E para o entusiasmo de milhares de amantes do Jazz e do Blues, que aportavam em Garanhuns, nos dias de Carnaval. Estes, hoje, concentrados em Recife e Olinda, com pequenos respingos em algumas outras cidades do interior de nosso estado. E eles acorriam para nossa cidade, trazendo a ilusão de que se dirigiam para Nova Orleans, Chicago ou Nova York, e o sonho de um encontro com ícones jazzistas americanos e brasileiros como: Miles Davis, Louis Armstrong, Ella Fitzgerald, John Coltrane, Billie Holiday e tantos..., dos EUA, e como André Mehmari, Vinicius Dorin, Babi Assad, Romero Lubambo e tantos, do Brasil.

Para se ter uma ideia, em 2008, primeiro ano do “Garanhuns Jazz Festival”,  a ocupação da hotelaria na cidade, com o Jazz e o Blues, chegou à marca de 51,00% contra 24,09% , em 2005; 24,04% em 2006 e 42,00% em 2007, por conta dos retiros das Igrejas Evangélicas na cidade. Chegamos a alcançar, no ano de 2.011, 91% de ocupação, com declínio em 2015, para 69,00%, mesmo assim considerada uma boa marca, na classificação da hotelaria, que vai de taxas péssimas a excelentes, passando por ruins, razoáveis, boas e ótimas. São indicadores, portanto, que não poderiam ser deixados de lado na hora de uma tomada de decisão sobre o avanço ou não do Jazz e do Blues em nossa cidade.

Aqui, impõem-se as perguntas: A1. Ultimaram as mínimas providências para que o Jazz e o Blues não fossem para outra cidade, já que, aqui, com VIII Edições sucessivas, e de sucesso - 2008 a 2015? A2. Ouviu-se o trade turístico da cidade sobre o assunto? Ouviu-se o seu comércio? Ouviram-se as suas associações de serviços de táxi e de moto táxi? Ouviu-se o pequeno comércio ambulante? Ouviu-se ....  Enfim, auscultou-se a sociedade civil organizada da cidade sobre o Jazz e o Blues?

Temos que reagir! Unir forças. Iniciativa pública e iniciativa privada. Enfim, todos! Para podermos melhor “vender” nossa cidade. “Atrair” para ela os reais de fora para sua economia. E, deles, muito precisamos. 

Os turistas na cidade impactam todos os seus segmentos. Isso é aqui e em todo o mundo. Do flanelinha ao  empresário - são 52 segmentos da economia. É só conversarmos com o menino que toma conta do carro do turista. Com a menina que vende a sua pamonha ou a sua pipoca. Com a senhora que vende o seu milho cozido ou assado. Com o rapaz do táxi e da moto táxi. Com as pessoas dos restaurantes, das lojas comerciais, dos bares... Com os desempregados que, nos Festivais da cidade, têm assegurado o seu emprego, embora temporário. Enfim, com dezenas de pessoas. De segmentos. Que preparam os seus produtos. E que os vendem, e que são os responsáveis maiores pelo nosso desenvolvimento econômico, que pretendem participar dele com mais ousadia, com mais presença, com mais permanência, já com um programa turístico de sua cidade nas mãos. 

Será que já paramos para pensar quanto um turista deixa na cidade, da forma a mais horizontal possível, ao longo de um período desses - seis dias com cinco noites? A conta é fácil. Muito simples. Vou fazê-la. Por que não? Com transparência. Com despudor... Afinal, deve ser assim. 

Um turista que vem a um evento como esse gasta por dia, em média, cerca de R$ 400,00. Se recebermos 5.000 visitantes - número modesto - temos aí um faturamento de R$ 2 milhões no dia. Ou seja: R$ 10 milhões, no período. 

Garanhuns pode perder esses reais? A sua economia pode dispensar esses valores, sobretudo quando sabemos que todos são beneficiados com alguns deles, como disse: do flanelinha ao empresário -  micro, pequeno e grande? E, não se pode esquecer do município - recolhem-se impostos e taxas; também do estado - recolhem-se impostos de circulação de mercadoria; igualmente da União - recolhem-se uma infinidade de tributos federais. Penso que não podemos abrir mão disso, nem na crise, nem fora dela. 

Ano passado, saí de minha cidade e fui passar o Carnaval em Recife. Na volta, na quarta-feira de cinzas, passava eu por Gravatá e ouvia pelo rádio uma entrevista do prefeito daquela cidade que falava de sua alegria com o Jazz e o Blues que promovera. E ele dizia: “Faturamos cerca de R$ 10 milhões”. Eu disse a Emília, que viajava comigo: “O número não é esse”. Emília, que vinha ao meu lado, me perguntou: “Você estima em quanto, Givaldo?” Eu respondi: “Eles faturaram muito mais. Aqui, tudo é mais caro. O dobro. De repente, o triplo. Esse faturamento não pode ter sido inferior a R$ 30 milhões.” 

Em Gravatá não tinha menos de 10.000 turistas no Jazz e no Blues do ano passado - 2016. Lá, se gastou, por dia, em média, R$ 600,00. Ou seja: aquele faturamento/dia foi da ordem de R$ 6 milhões, totalizando cerca de R$ 30 milhões no período. 

A contar pelas diárias dos hotéis... Vamos a um, de lá, equivalente a um dos nossos, daqui: R$ 334,70 por pessoa/dia, com pensão completa, lá. Em nossa cidade: R$ 198,44 por pessoa/dia, também com pensão completa. Veja a diferença. Só em hotel. E, no mais? Restaurantes, bares, compras... E tudo o que o turista gosta de consumir nessas ocasiões. 

Para esse ano de 2017, temos lá em Gravatá diárias por pessoa ao preço de R$ 380,40. Em nossa cidade, R$ 218,50. Grande a diferença, não é verdade?


Aí, é de se perguntar: O que eles têm lá, que nós não temos aqui? Clima? Água? Beleza? Geografia...? Não! Nenhuma dessas riquezas. Eles têm, sim: união, ousadia e disposição ao trabalho. Trabalho organizado e permanente. Calendários turísticos às mãos, sempre melhorados e ampliados. E, sobretudo, anunciados com a antecedência recomendada, a fim de que o turista, na verdade para quem fora montado, possa melhor se programar. Melhor se organizar. 

É disso de que precisamos em nossa cidade: da união do público com o privado para fazermos um grande trabalho pela cidade. Para que possamos “vender” melhor os nossos produtos. “Vender”, em uma palavra: Garanhuns. “O melhor produto turístico de Pernambuco” - dissera-me sobre nossa cidade, outro dia, um amigo que trabalha na FUNDARPE e que é conhecedor do trade turístico do estado. E esse amigo, diga-se de passagem, não é da “Cidade de Simôa”, da “Cidade Poesia” de Garanhuns. 

Quando penso sobre essas questões de minha cidade, me vem a lembrança uma passagem de Machado de Assis: “As ruas podem ser ou estreitas, para se alargarem daqui a anos, ou já largas, para evitar fadigas ulteriores.”  

Somos, com orgulho, a “Cidade do Clima Maravilhoso”, a “Cidade das Sete Colinas”, a “Cidade das Flores”, a “Cidade onde o Nordeste Garoa”, a “Cidade dos Festivais”... E nenhuma outra cidade há de subtrair os nossos títulos. 

Ah! Não! Não, mesmo! Donde a conclusão: se lá atrás fizemos nossas ruas largas. Se lá atrás montamos festivais que ao longo dos anos deram certo, por que os encerrarmos agora? Sobretudo, sem se ouvir os diversos segmentos, responsáveis pela economia da cidade, e pelo seu desenvolvimento. 

Que enfrentemos, portanto, as “fadigas ulteriores” na tentativa de revertermos esses nossos equívocos, produzidos, de certo, por nossos açodamentos. E que, hoje, tanto mal fazem à gente de Garanhuns.  

Mas vamos enfrentar as fadigas, porque esse é o preço que temos de pagar.   

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

"MANDA CHUVA" DO LIONS (VOLUME I)


Estou aqui, no Maceió Mar. Como sempre, gosto de conversar com todos os colaboradores dos hotéis por onde passo. E o faço porque tenho incursão na área. E, depois, por mais aprendizado. Que parece não ter fim.  E não tem mesmo. A cada dia, uma nova. 

De repente, vejo um desses colaboradores com ar de tensão, de preocupação... Pergunto do por que daquele seu estado. Ele me diz que, à noite, vai atender um horror de pessoas do Lions Clubes Internacional. “Muita gente! E gente muito exigente, chata! Dizem que mais que Roberto Carlos, que exige até toalhas azuis nas mesas e no chão.” 

“Serão mais de 300 pessoas, doutor. Daí o meu estado de tensão. De preocupação... Quero que tudo dê certo. O senhor compreende, não é?”

Digo a ele: “Fique tranquilo. No Lions não tem disso não. Lá, você vai se encontrar com pessoas simples, humanas, de coração aberto e mente larga. Sobretudo, solidárias, fraternas... Ideários do Movimento Leonístico.  

As pessoas do Lions vão lhe tratar bem. Não só a você, mas a todos os seus colegas de trabalho.” 

Sua expressão começou a mudar... E ele a se descontrair... E, parecendo criar coragem, me perguntou: “Doutor, dá para o senhor me recomendar a essa senhora que dizem ser a ‘manda chuva’ do Lions nesse encontro? Dizem que ela tem nome de rainha. Mas que a chamam de ‘Tetê’. É verdade?” 


“Vou fazê-lo! Vou fazê-lo! Fique tranquilo!”

Na manhã seguinte, encontro o colaborador no café. “Doutor, me diga: que nota eles me deram?” No que eu respondo: “10, amigo. 10! A você e toda sua competente equipe. Vocês foram irrepreensíveis.”
O colaborador abriu um sorriso e extravasou toda a sua felicidade,  pelo dever cumprido.

Eu, ainda mais feliz porque, de repente, a imagem de Melvin Jones, com toda sua humildade, com seu desejo inquebrantável de querer fazer o bem a todos, veio-me à mente. Ele, enquanto grande inspirador e timoneiro desse exército de quase 1,5 milhão de homens e mulheres a serviço do bem, de forma espontânea e voluntariamente. E com foco, sobretudo, nas camadas mais necessitadas da população. 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

O NATAL CHEGA MAIS CEDO EM GARANHUNS (VOLUME I)

Aqui, em curso, o Natal Luz 2016. A cidade está bonita. Linda. Bela... Como, certamente, ainda não a tínhamos visto. 

E como lhe fazia falta o toque que lhe deram para esse Natal. Parecia que a cidade estava a clamar por esse realce. Para lhe parecer mais bonita. Mais linda. Mais bela. De tal sorte que uma vez atendida, ela encanta muito mais aos milhares que a ela aportam. Tamanho o glamour conferido. Tornando-a mais bonita. A mais linda. A mais bela... A cidade luz... Pronta para o seu Natal. 

Muita falta. Muita falta fazia à nossa cidade. E lhe custou tão pouco essa empresa. Custou amor. Vontade. Compromisso... Da parte de nossos gestores para vermos a cidade ao encontro de sua principal vocação: o Turismo, que gera empregos, que produz renda. E tudo para tantos segmentos da Economia. E de forma horizontal e universal. 


Nesta IV Edição do Natal Luz 2016, observamos as ruas e as avenidas da nossa cidade tomadas por pessoas de fora, de longe, que para aqui acorrem, para nossa alegria. 

Alguém diria que ainda é pouco. Decerto. Ainda é pouco. Mas de forma crescente. E em número que caminha para o impensável. 

É isso que a gente tem percebido nos dias a dia da cidade neste Natal Luz 2016. Tendo começado a 11 de novembro e terminando a 31 de dezembro. Com suas ruas e avenidas frenéticas, anunciando que a hora do nascimento do Menino Jesus está chegando.

E aos milhares e milhares, todos dizendo que no próximo Natal estarão de volta a Garanhuns.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

OBRIGADO, SENHOR! (VOLUME I)

Vocês são muito carinhosos conosco. Todos: Natanael, Romildo, Paulo, Eulália, Wilma, Flora, Geise, Tetê, Ruth... São tantos! São tantas! Enfim, vocês todos e todas!

E o que dizer de nossos cronistas? Cronistas da família. Cronistas das Academias. Cronistas... Deixa-nos vertendo lágrimas. Como deixaram indizíveis familiares. Amigos e amigas, aqui, não reverenciados.

De uma das crônicas de família que nos chegou, agora, apesar de datada de 02 de setembro de 2012, saboreamos essas recordações, que não as entendemos a destempo, a despeito de a família ter crescido nesses últimos anos: 

“Há 40 anos, um estudante e uma estudante começaram a viver uma bonita história. Um casamento como outro qualquer: Maria Emília e Givaldo... Tio Padre os abençoou aos pés do altar. O juiz os uniu em frente à sua mesa. Os acontecimentos bons, até agora, suplantaram os mais difíceis. Um casal vencedor, tendo como principal razão de suas vidas, uma bonita família.”

E mais outra das Academias:

“Hoje, vocês estão completando 40 anos de casados, representados em celebração pela simbologia das ‘Bodas de Carbonato’... Givaldo e Emília, muitas dificuldades vocês enfrentaram na vida, muitas lutas vocês venceram juntos... Foi preciso muita coragem para vencer tudo aquilo que vocês dois encararam, tudo que passaram. Isso tudo, sem dúvida, é um belo exemplo de vida... Acreditem: muitas coisas ainda vão mudar e melhorar. Vocês ainda têm uma vida inteira pela frente, para aprender a ser família, e não apenas um casal... Casamento não é para qualquer um...”

E mais. E mais... Que a todos agradecemos e pedimos para se considerarem referenciados nessas tortuosas linhas.

Mas, de repente, outra que foi demais... Que foi fundo... Que não podemos deixar de referir. Ela lembra o diálogo de Matias Cardoso com Fernão Dias. Eles, bandeirantes do Brasil. Do Brasil que surgia para ser o país que é hoje. Matias, lugar-tenente de Fernão, arrefecera o sonho de encontrar esmeraldas, e fora anunciar sua deserção ao chefe, ao seu govenador Fernão Dias. 

O amigo cronista, citando Paulo Setúbal, destaca: “Fernão Dias escutava, arrasado. Podia esperar tudo, menos ouvir de Matias Cardoso a dureza que estava ouvindo. E dizia ferido: ‘Vós, Matias Cardoso? O meu lugar-tenente? O que eu busquei com tanto gosto? Vós?’ ‘Eu mesmo, D. Fernando! Digo e repito: desanimei. Não continuo mais. Já reuni os meus homens. Estão todos prontos. Hoje mesmo deixamos a Bandeira.’ Fernão Dias refletiu e disse: ‘Está bem, Matias Cardoso. O companheiro mais querido abandona-me no momento cru. Não importa! Eu tendo vencido índios e feras. Hei de vencer a ingratidão dos amigos.’  

Você, Givaldo, nunca abandonou um amigo. Por isso quero lhes saudar nessa hora, a você e a Emília, pelo exemplo que vocês nos dão.” 

Que Deus nos abençoe nessa caminhada. Que já faz anos. Que, no entanto, seu primeiro dia, ainda presente em nossas memórias, dele nós recordamos como se fora ontem. E Deus tem sido muito bom conosco por isso.

Muito obrigado, Senhor! Ontem, éramos apenas nós dois aos pés do Vosso Altar, naquela noite fria de Garanhuns de 02 de setembro de 1972, na Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

Hoje, somos 13. Nós dois, seis filhos e cinco netinhos. E todos vivendo num ambiente de muita paz e compreensão e, sobretudo, seguindo os Vossos ditames e a eles tementes.

E agradecidos por ouvirmos, como acabamos de ouvir, outro dia, de nossa netinha Isabella. Ela, que vive nos EUA: “Eu quero ir para o Brasil.” E de nossa netinha Gabriela: “Eu quero morar em Garanhuns.” 

 Por fim, fazemos nossas as palavras do grande Victor Hugo: “Errem, caiam, pequem, mas sejam justos. Porque ser santo é uma exceção. A regra é ser justo.” E que Deus nos conserve assim. Com nossa família. Com nossos amigos. E com toda a sociedade.  

sábado, 25 de junho de 2016

FESTIVAL DE INVERNO PRECISA CRESCER (VOLUME I)


06.07.1990. Nesta data, o Garanhuns Palace Hotel abria suas portas pela primeira vez.

13.07.1991. Nesta data, começava a I Edição do Festival de Inverno de Garanhuns. 

Ainda hoje, um e outro, novinhos, em folha. Porque sempre reinventados. Reinvestidos. Assim, portanto, reoxigenados, revigorados... E, a cada ano, com uma surpresa a mais. Inovando. Daí, sempre modernos, contemporâneos. Feitos para atender às exigências dos que a eles aportam.

Na I Edição do Festival de Inverno, o seu palco, instalado ao lado do nosso Centro Cultural, dispunha de modesta estrutura, pequena, diminuta... se formos comparar com a estrutura dos palcos de que dispomos hoje. Mas, nem por isso, deixou de ser grande, como que a sugerir e apontar à marca de suas próximas Edições.

Naquela Edição do FIG, Alceu Valença, Zé Ramalho, Dominguinhos... brilharam. E durante os 16 dias do Festival, Garanhuns recebeu milhares de turistas. Turistas que acorreram à nossa cidade para conferir a sua beleza, encantarem-se com a hospitalidade de nossa gente, e assistirem ao advento daquele que seria “O Maior Festival Multicultural da América Latina”. Turistas que trouxeram dividendos à cidade, à sua gente, do pequeno ao grande. Como sempre digo: do flanelinha ao empresário.

Estive presente àquele I Festival de Inverno. Na minha memória, a presença de Nelson Mota, que estava ali como curador. Ele, que é grande jornalista, compositor, roteirista, produtor, escritor e letrista. Ele não sabia que estaria assistindo ao nascimento daquele que seria “O Maior Festival Multicultural da América Latina”. 

O Festival de Inverno de Garanhuns nascera com 16 dias, de 13 a 28 de julho. Da sua V Edição, em diante, já cobrávamos o seu reconhecimento como “Patrimônio Cultural e Imaterial de Pernambuco”. Que terminou acontecendo, anos depois. Tamanho o seu sucesso. Tamanha a sua grandeza. Tamanha a sua consolidação. Precoce, por certo. 

Anos seguintes, já se falava em no título ‘Patrimônio Cultural e Imaterial do Brasil’. Pensava-se em atrair mais turistas, a fim de conhecerem a nossa gente. Sentirem o nosso clima. Divulgarem a nossa cidade. E, com o Festival, contemplarem o nosso inverno. Visionários? Não! Exagerados? Também, não! Quem sabe? Talvez apaixonados. Se quiserem, que o digam. Mas ai do mundo não fossem os visionários. Os exagerados. Os apaixonados... É que pensávamos na nossa Economia. É que focávamos na geração de emprego e renda à nossa população. 

A esse respeito sempre indagávamos: “Por que Caruaru e Campina Grande fazem as suas festas de São João em 30 dias e nós não podemos fazer o nosso Festival de Inverno em 30 dias? Se, aqui, temos muito mais apelo que eles, lá? Por conta de nosso clima, de nossas belezas naturais. Enfim, de tantos e tantos mais, que nos sentíamos acanhados em nomear para não nos parecer arrogantes, enquanto defendemos nossa cidade.” 

Gramado e Campos do Jordão, por outro lado, fazem os seus Festivais de Inverno em períodos muito mais longos do que os nossos. Posto que tenhamos começado com 16 dias, como referido, hoje são realizados com apenas 10, para prejuízo e tristeza da cidade. E mais: naquelas cidades se define toda uma programação do que vai ocorrer no ano seguinte, ainda no curso do ano anterior. Programação de todo o ano seguinte, de janeiro a dezembro, que culmina com o já tradicional Natal Luz, que já tem o seu início em novembro. 

O Festival que advogamos para Garanhuns teria um formato diferente, decerto. Os nomes nacionais que, atualmente, são espremidos em 10 dias, seriam distribuídos em 04 finais de semana e, durante a semana, ou seja, de domingo à quinta, em seu palco principal, trabalharíamos com nomes locais e regionais. Não haveria quaisquer outras despesas a mais, com a contratação de artistas famosos para aqueles dias. 

Por outro lado, a estrutura de camarotes tem que ser revista. Impensável que os turistas que vêm à nossa cidade continuem assistindo aos espetáculos de seu palco principal sem um ambiente confortável e mais seguro para eles. E isso tem sido a grande queixa dos que vêm à nossa cidade nessa época do Festival. 


A proposta que temos é no sentido de que seja instalado um grande camarote para turistas que, claro, pagariam ingressos para lá ficarem.

De mais a mais, seria de se contatar empresas estatais como a CAIXA, o BNDES, o BNB, o BB... E empresas privadas como o SANTANDER, o BRADESCO, o HSBC..., a fim de não se deixar toda ou quase toda despesa do Festival de Inverno de Garanhuns a cargo do Governo do Estado.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

PALACE - 25 ANOS (VOLUME I)



Empreender é empresa difícil. Muito difícil! Há quem diga, até, que em um país como o nosso, empreender é um suicídio. No mínimo, um devaneio, um delírio... Porque inacessíveis os incentivos que dizem existir. Porque impossível satisfazer a ganância tributária do Estado. E, por cima, ainda, o tempo que se perde com os atores de gestos, olhares e práticas avarentas e traiçoeiras daqueles que só pensam no ganhar fácil. Sem esforço... Em desprezo ao trabalho decente, honesto sério... E ao poder da imaginação criadora. Daqueles que bancam iniciativas que geram emprego e renda para dezenas. Centenas. Milhares... De homens e de mulheres que se dispõem a produzir. A construir um futuro melhor para todos.


Lá atrás, quis dar um presente à minha cidade. Sim, presente, através da construção e operação de uma Unidade Hoteleira. Pensava, como ainda hoje penso, e cuido que vou continuar pensando: A1 - que a cidade tinha tudo para retomar o seu destino turístico, existente nas décadas de 1960 e 1970, até metade da década de 1980; A2 - que a cidade tinha tudo para alavancar sua vocação turística. Esta, tábua, ou mais uma delas, sendo ela, a mais forte, para sua alavancagem econômica; A3 - que a cidade tinha tudo, em paralelo, que melhorar e ampliar seus atrativos turísticos; A4 - que a cidade tinha tudo que ampliar e reciclar seus receptivos; A5 - que a cidade haveria de conceber festivais e diversões como meio de conquistar e reconquistar aqueles que a ela possam aportar como aportavam no passado; A6 - Que, portanto, diante da cristalização dessas ações, a cidade deveria partir à defesa do resgate e inclusão de seu nome no cenário dos grandes destinos, pelo menos, dentro do Norte e Nordeste brasileiros.


Teria eu feito pesquisas e análises econômico-financeiras para decidir pela empresa? Mas claro que sim! E, ademais, tudo ou quase tudo que deveria fazer. E digo: hoje, passados 25 anos, posto que aquelas pesquisas e análises não tivessem sido favoráveis à iniciativa, decidi, no que pese, pela execução do projeto, penso que no sonho do avanço da cidade ao encontro de sua vocação. 


Teimei! Decidi investir. E parti, com todo vigor, à empresa.

Confesso que foi duro. Muito duro! Como fora para tantos daqui e algures. Naquela época. Anterior a ela e a ela posterior. Mas, hoje, confesso: não me doíam tanto aqueles empecilhos que se renovavam e se robusteciam nos dias a dia da minha caminhada. Não me doía a ausência do governo. Que, se não ajudava, poderia, ao menos, incentivar. Pelo menos, saudar a chegada de uma iniciativa privada na cidade. Iniciativa essa de que Garanhuns estava a sonhar. E que viria para enriquecê-la melhor. Enfim, aplaudindo-a. Saudando-a... Posto que sem citar seus atores. Para que, afinal? O que me doía mesmo era a presença de opiniões não solicitadas... Sim! Não solicitadas! Imbuídas de olhares e de práticas de avareza... De pessoas pequenas e mesquinhas, incapazes de um gesto sequer de decência e de defesa de sua cidade e da sua gente. Esses, sim, doíam-me porque partiam com a intenção... De me arrefecer. De me sufocar. De me destruir... Anulando meu entusiasmo e disposição à luta. Luta que sempre esteve comigo desde minha pré-adolescência e adolescência. Adensada pelo tempo pelas graças de Deus. Enfim, meu sonho de querer enxergar, amanhã, a minha cidade maior e mais completa. Porque mais moderna. Porque mais contemporânea.



No que pese tudo isso, fui em frente. E, hoje, posso dizer que o Palace está pronto. Ou como sempre me diz uma grande amiga que comigo divide meu entusiasmo por Garanhuns: “prontinho” para receber bem e melhor (como se impõe. E deve!) àqueles e àquelas que aportam em nossa cidade.

O Garanhuns Palace Hotel está pronto e premiado. Pronto em sua estrutura.  Premiado por seu cuidado. Por seu esmero... Para com aqueles e aquelas que apreciam hospitalidade. E, esta, trabalhada com excelência. 

Bodas vieram nessa caminhada... Muitas!

Bodas. Bodas. E Bodas... Era a palavra que mais ouvia da minha equipe quando da concepção, formatação e nascimento do Palace. Palavra até hoje ouvida e celebrada. Parecendo dizer que a empresa teria e terá vida longa.  Para o bem da cidade. Alegria de seus investidores. E, quem sabe, sobretudo, em resposta àquelas opiniões não solicitadas. Portanto, indesejadas.  
 
E caminhamos pelo tempo, passando por elas. Bodas de Madeira, aos 05 anos; Bodas de Estanho, aos 10 anos; Bodas de Cristal, aos 15 anos; Bodas de Porcelana, aos 20 anos. E, naqueles 20 anos, eu dizia, deixando gravado em seu piso Quilombo (cada piso e cada ambiente do Palace saúda Garanhuns). E Quilombo é uma das Sete Colinas de Garanhuns:

“É com essa alegria que o Palace se prepara para atingir sua maioridade, ou seja: seus 21 anos no próximo ano - seis de julho de 2011. Mas com o mesmo entusiasmo do seu primeiro aninho.”

O Palace faz, hoje, 25 anos - Bodas de Prata. Não há quem diga! Também, novo. Novíssimo! Porque cuidado. Porque acariciado. Porque repaginado. Porque...

É com muita alegria que todos nós do Palace comemoramos essa data que marcou a nossa cidade - 06 de julho de 1990. Data que distendeu o nosso prazer em receber bem e melhor àqueles que acorrem a “Cidade de Simôa”.



Mas o fazemos, pensando em outras Bodas que hão de vir. Bodas de Pérola, aos 30 anos; Bodas de Esmeralda, aos 40 anos; Bodas de Ouro, aos 50 anos; Bodas de Diamante, aos 60 anos. Bodas. Bodas. E Bodas... Através de gerações. E, tomara que como no seu primeiro aninho.