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quinta-feira, 20 de abril de 2017

DOMINGUINHOS - PRIMEIRA NOITE (VOLUME I)

A Esplanada estava lotada. Os shows já haviam começado quando chegamos.

Já passara Mourinha do Forró. Nádia Maia e Targino Gondim terminariam seus espetáculos, em poucos minutos.

Quis saber das pessoas como teria sido o show de Mourinha do Forró. “Muito bom!”, disseram-me quase em uníssono.

E quanto a Nádia e Targino? De novo a resposta de tantos: “Eles foram maravilhosos.”

De Mourinha, já tinha notícias de muito longe. Já, pois, o conhecia de perto. De vários shows. Realmente, muito bons. Contagiantes!

Quanto à dupla, ainda assisti um pouco, já que o espetáculo fluía, a caminho de sua conclusão. Pelo pouco que vi, fiquei impressionado.

A última apresentação estava por conta de Dorgival Dantas. Que me disseram muito boa.

Estive, como nunca, focado no espetáculo de Andrea Amorim. Talvez porque nunca a ouvira cantar Forró. Conhecia Andrea, cantando Rock e Bossa Nova. Forró mesmo, só ontem. Um verdadeiro show. Maravilha de show. Vi em Andrea uma Elba Ramalho bem melhor. Incrivelmente, melhor. Sem nenhuma restrição à grande cantora paraibana. 

Fui ao êxtase com sua participação. Por seu repertório. Por seu encanto. Por sua presença de palco. Por sua voz... Tudo nela, maravilhoso.

Com Cezzinha, vi Dominguinhos ressuscitado. Eis que aquela sanfona, aquele chapéu... E, sobretudo, aquela voz... Tudo nele me remetia ao Mestre. E ele caprichou na interpretação das músicas do Mestre. Parecia mesmo Dominguinhos ressuscitado. Milagrosamente, ressuscitado.

Hoje, comentando com amigos o seu show, disseram-me que ele trabalhara com Dominguinhos. Que acompanhara o Mestre durante muitos anos.

Em resumo: muito boa essa primeira noitada do Dominguinhos.
Tenho certeza de que, lá de cima, ele esteve muito feliz, ontem, e estará durante todo o Festival. Homenagem da “Cidade de Simôa” a um filho seu.

sábado, 15 de abril de 2017

MESTRE DOMINGUINHOS (VOLUME I)

Escrevi, outro dia, melancolicamente... em pleno Festival de Inverno de 2013. Era 24 de julho daquele ano:                                                          “Dominguinhos morreu. Estou triste! Muito triste! E, comigo, todo o povo brasileiro. Particularmente, todo o povo nordestino. E, ainda mais, particularmente, todo o povo da cidade de Garanhuns. Cidade que o viu nascer.”

Cheguei à Esplanada, muito animado, com Emília e um grupo de amigos e amigas para assistirmos ao show de Andrea Amorim. Ela, como Dominguinhos, nascera em Garanhuns e hoje faz sucesso lá fora, inclusive no exterior, agora abraçando a Bossa Nova.

De repente, a notícia: morreu Dominguinhos. Eu, todos fomos acometidos de uma profunda tristeza e de um sentimento de perda irreparável, que, no fundo, viria a prejudicar o nosso entusiasmo diante do show que se anunciava da nossa cantora revelação.

Garanhuns deve muito a Dominguinhos. O nosso cantor-poeta sempre levava consigo, para o Brasil inteiro, as belezas e os encantos de sua cidade. E ele o fazia com toda a sua genialidade, mas com aquela simplicidade que encantava a todos e a todas. Daqui, e de todo esse imenso Brasil.

Os versos de suas canções encarnavam alguma coisa que transcendia e transpassava os nossos sentimentos. Senão, vejamos esses: “Estou de volta pro meu aconchego / Trazendo na mala bastante saudade / Querendo um sorriso sincero, um abraço / Para aliviar o meu cansaço / E toda essa minha vontade / Que bom poder estar contigo de novo / Roçando o teu corpo e beijando você / Pra mim, tu és a estrela mais linda / Teus olhos me prendem, fascinam / A paz que eu gosto de ter. / É duro ficar sem você vez em quando / Parece que falta um pedaço de mim / Me alegro na hora de regressar / Parece que vou mergulhar / Na felicidade sem fim”.

Agora, não vai faltar mais esse pedaço, Mestre Dominguinhos. E sua alegria, esteja onde você estiver, será plena porque você regressa para o lugar de onde saiu. E vai mergulhar, eternamente, na felicidade sem fim.

A Esplanada Guadalajara vai ter que mudar de nome. Se é que todos nós já não a chamávamos, com orgulho e vigor, de Esplanada Mestre Dominguinhos, por conta de suas frequentes presenças. Presenças de que você tanto apreciava.. Por certo, recordando seus tempos de menino, vagando...  cantando e tocando pelas ruas de sua cidade.



Sinto, no entanto, que não basta que troquemos o nome da Esplanada. Sinto que queremos muito mais. Queremos o resgate de Dominguinhos à sua cidade. Queremos, portanto, que lhe seja cumprido o seu maior desejo. O de ter o seu descanso eterno na sua querida cidade de Garanhuns, “onde o nordeste garoa”, porque foi aqui onde tudo começou. Porque foi aqui que o “Rei do Baião” o descobriu para ele reinar, em sua sucessão, como o grande Mestre Dominguinhos.

Garanhuns, por sua gente, pede à família de Dominguinhos a guarda de seus restos mortais, até para que seus filhos, netos... não venham a dizer como Gabriel Garcia Márquez: “A gente não é de um lugar enquanto não tem um morto enterrado nele.”

Dominguinhos vem aí. E, daqui, de sua terra. De sua Garanhuns. Ele estará sempre, quem sabe, a cantar: “No meu Garanhuns / O forró é bom demais / Todo mundo se sacode / Cada vez querendo mais / Neve caindo / Ai, meu Deus, que coisa boa! / Suíça Brasileira / É a terra da Garoa / Quando chega o São João / É grande a emoção do povão / No Parque Ecológico Pau Pombo / Tem um relógio solar como atração / Foi lá que comecei com meus irmãos / Tocando na feira pra ganhar o pão / Tudo isso é motivo de recordações / Garanhuns, Garanhuns”.

Garanhuns recebeu Dominguinhos. Ele está de volta para sua terra em atenção e em homenagem ao seu desejo. E criou o “Viva Dominguinhos” para que ele, em tempo algum, deixe de ser lembrado e festejado, como o será a partir de hoje, nessa IV Edição do “Viva Dominguinhos”. Para que ele, em tempo algum, saia da memória de todos nós, garanhuenses.

Sem o menor fiapo de dúvida, o prefeito Izaías atendeu não só a um desejo de Dominguinhos, mas a um desejo de toda a gente garanhuense.  

terça-feira, 28 de março de 2017

TEMOR E INSEGURANÇA (VOLUME I)

Temo! Temo muito pelo nosso país. E esse temor me remete aos versos de Camões: “Que nos perigos grandes o temor / É maior vinte vezes que o perigo.” 

Tomara! E que seja sempre assim. Porque assim já ocorrera tantas vezes em nosso país. Mais temor que, propriamente, perigo. Perigos que passam. Perigos que se esvaem. Como tantos no passado. Passado recente. Passado remoto. 

E não me queiram pechar de estrabismo... Porque a história do nosso país é rica em saídas para crises. Minha resposta a estas está na ponta da língua: sou patriota. Acredito no meu país. E sou homem de muita fé. Sem embargo de também temer. Mas encorajado pelos desfechos das crises do passado.    

Pobre país... Tão rico e tão pobre. Rico e pobre a um só tempo. Pobre de homens públicos. Sérios. Probos. Republicanos. Vocacionados à vida pública. Vida pública na acepção da palavra: servir a todos. Essa a missão da vida pública. 


País rico e pobre. Rico em beleza. Rico em território. Rico em biodiversidade. Rico em potencialidade. Rico por sua gente boa. Contudo, pobre por seus homens públicos. 

Penso que nunca vivemos um momento tão difícil. Desde Dom João VI, em 1817, com a “Revolução Republicana”. Desde Dom Pedro I, em 1831, com sua abdicação e seu retorno à Europa. Desde Dom Pedro II, em 1889, com o “Golpe de Deodoro” e sua humilhante e injusta expulsão do Brasil. Desde Vargas, em 1930, com a chamada “Revolução de 30”. Ainda desde Vargas, em 1937, com a implantação do “Estado Novo”. Novamente, desde Vargas, em 1952, com seu suicídio. Desde Jânio, em 1961, com sua renúncia. Desde Goulart, em 1964, com o Golpe Militar. Desde Collor, em 1992, com sua deposição. Desde Dilma, em 2016, com seu afastamento e posterior deposição, para ficarmos só nesses episódios que causaram temor e insegurança à nação. Mas que a eles sobrevivemos.  



Estamos atônitos... Com aguda sensação de acefalia... Sem sabermos, a rigor, para onde caminhamos. Para onde vamos. Sem sabermos que destino nos espera. 

Pobre da Nação Brasileira. Nunca a vi tão triste... Acéfala ou quase acéfala... como em nossos dias. Não! Nunca! Desde menino, pré-adolescente, adolescente, e, hoje, maduro. 

Não! Nunca! Não! Nunca a vi. Nem nunca li nos livros que contam a nossa história.

Saída desejamos, e a queremos para logo. Porque a gente brasileira não pode mais suportar essa situação. O país parado ou quase parado. E a nação sofrendo, sangrando e envergonhada, sendo alimentada em seus dias a dia, só, e tão só, por notícias ruins, ou, quando não, péssimas! E, com efeito, tristes, muito tristes, vergonhosas, decepcionantes... até asquerosas. 

Estou decepcionado e triste, assim como toda a nação brasileira. Em nossos dias, só escândalos e mais escândalos. Roubalheiras e mais roubalheiras. Verdadeiras endemias, sem limites. Só!

No meu entendimento, só há uma saída para esse pesadelo em que vivemos: a punição exemplar desses irresponsáveis e criminosos.  Extirpando-os da vida pública porque, para ela, eles não servem. E, certamente, nunca serviram.  

Os números dos assaltos aos cofres públicos são deveras estratosféricos. Inimagináveis. Muito além, anos-luz, dos limites de nossa imaginação. 

A falta de honestidade se implantou em nosso país, justamente por aqueles que podiam e deviam dar o exemplo, enquanto nossos mandatários.

Hoje, já não se sabe que político é honesto. A gente quer apostar em um ou outro e, de repente, ele aparece nos noticiários. E pior: no final das contas, quem vai pagar a conta é a Nação Brasileira.

Ah! Se a Nação Brasileira tivesse em mente as palavras de William Henley, e delas fizesse prática: “O tempo passa / e ainda assim / sem medo em mim / nada me assombra / Nem o vão tão fino / Nem o mau decreto que me empalma / Sou o senhor do meu destino / Sou o capitão de minha alma.” 

Penso que seria por aí que poderíamos ser outra nação, respeitada por aqueles que desejam ser os nossos timoneiros do futuro. Futuro que estimo próximo.  

quarta-feira, 15 de março de 2017

JAZZ! QUE SAUDADE! (VOLUME I)

“Que saudade! Que saudade!”, escrevi em 2015. Porque sentia mesmo. Porque ouvira mesmo. De tantos. E de tantas. Daqui e alhures. Saudade do “Garanhuns Jazz Festival”. Que chegara ao seu último dia.

Parecia que eu, que todos os milhares de apreciadores do Jazz e do Blues estavam se despedindo deles, já que, em 2016, não contamos mais com o nosso “Garanhuns Jazz Festival”, que se consolidava, que se sedimentava, que orgulhava a todos que enchiam seus pulmões para dizer: “Garanhuns, dentre tantos codinomes, é conhecida como a ‘Cidade das Flores’, a ‘Cidade onde o Nordeste Garoa’... E, a partir de 2008, com o Jazz e o Blues, também como a ‘Cidade dos Festivais’.”

É, foi uma pena. Está sendo uma pena, o fim do Festival do Jazz e do Blues.  Perdermos esse diferencial, que conferia charme e glamour ao nosso Tríduo de Momo. Diferencial que não tínhamos, mas que passamos a ter para a alegria maior da cidade, sem embargo das marchinhas e dos frevos dos carnavais. E para o entusiasmo de milhares de amantes do Jazz e do Blues, que aportavam em Garanhuns, nos dias de Carnaval. Estes, hoje, concentrados em Recife e Olinda, com pequenos respingos em algumas outras cidades do interior de nosso estado. E eles acorriam para nossa cidade, trazendo a ilusão de que se dirigiam para Nova Orleans, Chicago ou Nova York, e o sonho de um encontro com ícones jazzistas americanos e brasileiros como: Miles Davis, Louis Armstrong, Ella Fitzgerald, John Coltrane, Billie Holiday e tantos..., dos EUA, e como André Mehmari, Vinicius Dorin, Babi Assad, Romero Lubambo e tantos, do Brasil.

Para se ter uma ideia, em 2008, primeiro ano do “Garanhuns Jazz Festival”,  a ocupação da hotelaria na cidade, com o Jazz e o Blues, chegou à marca de 51,00% contra 24,09% , em 2005; 24,04% em 2006 e 42,00% em 2007, por conta dos retiros das Igrejas Evangélicas na cidade. Chegamos a alcançar, no ano de 2.011, 91% de ocupação, com declínio em 2015, para 69,00%, mesmo assim considerada uma boa marca, na classificação da hotelaria, que vai de taxas péssimas a excelentes, passando por ruins, razoáveis, boas e ótimas. São indicadores, portanto, que não poderiam ser deixados de lado na hora de uma tomada de decisão sobre o avanço ou não do Jazz e do Blues em nossa cidade.

Aqui, impõem-se as perguntas: A1. Ultimaram as mínimas providências para que o Jazz e o Blues não fossem para outra cidade, já que, aqui, com VIII Edições sucessivas, e de sucesso - 2008 a 2015? A2. Ouviu-se o trade turístico da cidade sobre o assunto? Ouviu-se o seu comércio? Ouviram-se as suas associações de serviços de táxi e de moto táxi? Ouviu-se o pequeno comércio ambulante? Ouviu-se ....  Enfim, auscultou-se a sociedade civil organizada da cidade sobre o Jazz e o Blues?

Temos que reagir! Unir forças. Iniciativa pública e iniciativa privada. Enfim, todos! Para podermos melhor “vender” nossa cidade. “Atrair” para ela os reais de fora para sua economia. E, deles, muito precisamos. 

Os turistas na cidade impactam todos os seus segmentos. Isso é aqui e em todo o mundo. Do flanelinha ao  empresário - são 52 segmentos da economia. É só conversarmos com o menino que toma conta do carro do turista. Com a menina que vende a sua pamonha ou a sua pipoca. Com a senhora que vende o seu milho cozido ou assado. Com o rapaz do táxi e da moto táxi. Com as pessoas dos restaurantes, das lojas comerciais, dos bares... Com os desempregados que, nos Festivais da cidade, têm assegurado o seu emprego, embora temporário. Enfim, com dezenas de pessoas. De segmentos. Que preparam os seus produtos. E que os vendem, e que são os responsáveis maiores pelo nosso desenvolvimento econômico, que pretendem participar dele com mais ousadia, com mais presença, com mais permanência, já com um programa turístico de sua cidade nas mãos. 

Será que já paramos para pensar quanto um turista deixa na cidade, da forma a mais horizontal possível, ao longo de um período desses - seis dias com cinco noites? A conta é fácil. Muito simples. Vou fazê-la. Por que não? Com transparência. Com despudor... Afinal, deve ser assim. 

Um turista que vem a um evento como esse gasta por dia, em média, cerca de R$ 400,00. Se recebermos 5.000 visitantes - número modesto - temos aí um faturamento de R$ 2 milhões no dia. Ou seja: R$ 10 milhões, no período. 

Garanhuns pode perder esses reais? A sua economia pode dispensar esses valores, sobretudo quando sabemos que todos são beneficiados com alguns deles, como disse: do flanelinha ao empresário -  micro, pequeno e grande? E, não se pode esquecer do município - recolhem-se impostos e taxas; também do estado - recolhem-se impostos de circulação de mercadoria; igualmente da União - recolhem-se uma infinidade de tributos federais. Penso que não podemos abrir mão disso, nem na crise, nem fora dela. 

Ano passado, saí de minha cidade e fui passar o Carnaval em Recife. Na volta, na quarta-feira de cinzas, passava eu por Gravatá e ouvia pelo rádio uma entrevista do prefeito daquela cidade que falava de sua alegria com o Jazz e o Blues que promovera. E ele dizia: “Faturamos cerca de R$ 10 milhões”. Eu disse a Emília, que viajava comigo: “O número não é esse”. Emília, que vinha ao meu lado, me perguntou: “Você estima em quanto, Givaldo?” Eu respondi: “Eles faturaram muito mais. Aqui, tudo é mais caro. O dobro. De repente, o triplo. Esse faturamento não pode ter sido inferior a R$ 30 milhões.” 

Em Gravatá não tinha menos de 10.000 turistas no Jazz e no Blues do ano passado - 2016. Lá, se gastou, por dia, em média, R$ 600,00. Ou seja: aquele faturamento/dia foi da ordem de R$ 6 milhões, totalizando cerca de R$ 30 milhões no período. 

A contar pelas diárias dos hotéis... Vamos a um, de lá, equivalente a um dos nossos, daqui: R$ 334,70 por pessoa/dia, com pensão completa, lá. Em nossa cidade: R$ 198,44 por pessoa/dia, também com pensão completa. Veja a diferença. Só em hotel. E, no mais? Restaurantes, bares, compras... E tudo o que o turista gosta de consumir nessas ocasiões. 

Para esse ano de 2017, temos lá em Gravatá diárias por pessoa ao preço de R$ 380,40. Em nossa cidade, R$ 218,50. Grande a diferença, não é verdade?


Aí, é de se perguntar: O que eles têm lá, que nós não temos aqui? Clima? Água? Beleza? Geografia...? Não! Nenhuma dessas riquezas. Eles têm, sim: união, ousadia e disposição ao trabalho. Trabalho organizado e permanente. Calendários turísticos às mãos, sempre melhorados e ampliados. E, sobretudo, anunciados com a antecedência recomendada, a fim de que o turista, na verdade para quem fora montado, possa melhor se programar. Melhor se organizar. 

É disso de que precisamos em nossa cidade: da união do público com o privado para fazermos um grande trabalho pela cidade. Para que possamos “vender” melhor os nossos produtos. “Vender”, em uma palavra: Garanhuns. “O melhor produto turístico de Pernambuco” - dissera-me sobre nossa cidade, outro dia, um amigo que trabalha na FUNDARPE e que é conhecedor do trade turístico do estado. E esse amigo, diga-se de passagem, não é da “Cidade de Simôa”, da “Cidade Poesia” de Garanhuns. 

Quando penso sobre essas questões de minha cidade, me vem a lembrança uma passagem de Machado de Assis: “As ruas podem ser ou estreitas, para se alargarem daqui a anos, ou já largas, para evitar fadigas ulteriores.”  

Somos, com orgulho, a “Cidade do Clima Maravilhoso”, a “Cidade das Sete Colinas”, a “Cidade das Flores”, a “Cidade onde o Nordeste Garoa”, a “Cidade dos Festivais”... E nenhuma outra cidade há de subtrair os nossos títulos. 

Ah! Não! Não, mesmo! Donde a conclusão: se lá atrás fizemos nossas ruas largas. Se lá atrás montamos festivais que ao longo dos anos deram certo, por que os encerrarmos agora? Sobretudo, sem se ouvir os diversos segmentos, responsáveis pela economia da cidade, e pelo seu desenvolvimento. 

Que enfrentemos, portanto, as “fadigas ulteriores” na tentativa de revertermos esses nossos equívocos, produzidos, de certo, por nossos açodamentos. E que, hoje, tanto mal fazem à gente de Garanhuns.  

Mas vamos enfrentar as fadigas, porque esse é o preço que temos de pagar.   

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

O NATAL CHEGA MAIS CEDO EM GARANHUNS (VOLUME I)

Aqui, em curso, o Natal Luz 2016. A cidade está bonita. Linda. Bela... Como, certamente, ainda não a tínhamos visto. 

E como lhe fazia falta o toque que lhe deram para esse Natal. Parecia que a cidade estava a clamar por esse realce. Para lhe parecer mais bonita. Mais linda. Mais bela. De tal sorte que uma vez atendida, ela encanta muito mais aos milhares que a ela aportam. Tamanho o glamour conferido. Tornando-a mais bonita. A mais linda. A mais bela... A cidade luz... Pronta para o seu Natal. 

Muita falta. Muita falta fazia à nossa cidade. E lhe custou tão pouco essa empresa. Custou amor. Vontade. Compromisso... Da parte de nossos gestores para vermos a cidade ao encontro de sua principal vocação: o Turismo, que gera empregos, que produz renda. E tudo para tantos segmentos da Economia. E de forma horizontal e universal. 


Nesta IV Edição do Natal Luz 2016, observamos as ruas e as avenidas da nossa cidade tomadas por pessoas de fora, de longe, que para aqui acorrem, para nossa alegria. 

Alguém diria que ainda é pouco. Decerto. Ainda é pouco. Mas de forma crescente. E em número que caminha para o impensável. 

É isso que a gente tem percebido nos dias a dia da cidade neste Natal Luz 2016. Tendo começado a 11 de novembro e terminando a 31 de dezembro. Com suas ruas e avenidas frenéticas, anunciando que a hora do nascimento do Menino Jesus está chegando.

E aos milhares e milhares, todos dizendo que no próximo Natal estarão de volta a Garanhuns.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

O FIG É PARA QUEM VEM DE FORA (VOLUME I)



Fim da XXVI Edição do FIG. Que esse ano foi débil. Pálido. Cinzento. Dele, cuidaram muito tarde. Até seu período foi anunciado dias antes de seu início. Depois suspenso. E depois? E depois... E assim ficou até às vésperas de sua abertura. Programação? Nem falar... Deixando atônito aquele público que a ele acorre de maneira crescente e fiel. Pelo FIG. Pela cidade. Pelos encantos e belezas de ambos. 

Hotéis obrigados a devolver centenas de diárias vendidas e sinalizadas. Restaurantes e bares suspendendo inúmeros pedidos para reforçar seus estoques. Um verdadeiro imbróglio. Triste. Muito triste. Tristeza de mau gosto.

Hotéis, restaurantes e bares viveram momentos de aflição, rompendo contratos, dispensando mão de obra, mal dizendo do embaraço e da embrulhada da situação. Lojistas inseguros sobre se reforçariam seus estoques, sobretudo de roupas quentes. E, muito ruim, sem uma palavra de consolo para aliviar a grande dor que tomou conta de todos os segmentos da área. 

Daí, o resultado. A cidade perdeu. E muito! Avalia-se que de 40% a 50%. Muito ruim para sua Economia, já ofegante, já combalida...

O FIG é, sobretudo, para quem vem de fora. Do Recife. De João Pessoa. De Natal... De Maceió. De Aracaju. De Salvador... Enfim, de todo esse Norte e Nordeste brasileiros. E, daqueles do Sul e do Sudeste, que não acreditam que no Nordeste exista uma cidade como a nossa, com o nosso clima. E vêm conferir. O FIG é para turistas. Para aqueles que vêm deixar seus reais na cidade. E são dezenas de milhares que ela espera todo ano. E o que se observa é que a cidade agradece a todos e a todas por suas presenças. E, por cima, ainda, reitera o convite para que voltem no ano seguinte.

Nossa cidade sonha com um FIG no modelo Gramado. Com um FIG nos moldes de Campos do Jordão. Milhares de turistas em nossa cidade. Nossa população faturando. E nossa Economia, crescendo. 

Naquelas cidades, termina um evento, já começa outro. Diria até: mal termina um evento outro já começa. E tudo planejado com bastante antecedência. Não se vira um ano sem se saber do que vai acontecer no ano seguinte. Mês a mês. De janeiro a dezembro. 

Somos considerados o maior Festival de Inverno não só daqui do Brasil, mas de toda a América Latina. Pela multiculturalidade de nossos espetáculos. Por sua exaustiva programação... Mas é de se perguntar: “É só desses títulos de que precisamos, hoje, passados tantos anos?” Penso que não. 

Urge que o reinventemos. Que o transformemos em um espetáculo de maior retorno à nossa população. E, aí sim, podermos assegurar distância dos nossos concorrentes do sul e sudeste brasileiros. 

Já que somos o maior produto cultural de Pernambuco nas terras de Simôa; já que alcançamos a irreversibilidade de sua existência, temos, repito, que nos reinventar, sob pena de descermos a escada da degradação.

Não perco de vista que o FIG começou maior - 13 a 28 de julho. Era o ano de 1991. Portanto, nascemos com 16 dias. Hoje, encurtamos para 10. 10 dias? Quando ele exige, para os que estão lá fora poderem se agendar melhor, que seja, pelo menos, de 30 dias. Ou seja: com 04 finais de semana, como acontece, de resto, com o São João de Caruaru e Campina Grande, e com os Festivais do sul e sudeste brasileiros. Sem embargo de, durante a semana, de domingo a quinta-feira, estarmos com nossos artistas locais e regionais em todos os seus polos e palcos. E temos tantos! Mas com a certeza de que, aqui, estarão milhares de turistas, impactando com seus reais a nossa Economia.

Estou a estrebuchar? Não! A bravatear alguém? Penso que estou simples e humilde, a dizer o que venho dizendo há muito anos. E quem conhece minha história sabe disso.” 

Do Festival de Inverno de Garanhuns, falo desde o primeiro, no já longínquo ano de 1991. Bastou aquele... Só ele, para Garanhuns e Pernambuco saberem que estavam a contemplar o nascimento do futuro maior produto cultural do estado.      
    
Que tenhamos, portanto, mais cuidado e zelo com o nosso FIG. Ele, que é Patrimônio Cultural e Imaterial de Pernambuco, em Garanhuns. Já, já, Patrimônio Cultural e Imaterial do Brasil, em Pernambuco. 


sábado, 25 de junho de 2016

FESTIVAL DE INVERNO PRECISA CRESCER (VOLUME I)


06.07.1990. Nesta data, o Garanhuns Palace Hotel abria suas portas pela primeira vez.

13.07.1991. Nesta data, começava a I Edição do Festival de Inverno de Garanhuns. 

Ainda hoje, um e outro, novinhos, em folha. Porque sempre reinventados. Reinvestidos. Assim, portanto, reoxigenados, revigorados... E, a cada ano, com uma surpresa a mais. Inovando. Daí, sempre modernos, contemporâneos. Feitos para atender às exigências dos que a eles aportam.

Na I Edição do Festival de Inverno, o seu palco, instalado ao lado do nosso Centro Cultural, dispunha de modesta estrutura, pequena, diminuta... se formos comparar com a estrutura dos palcos de que dispomos hoje. Mas, nem por isso, deixou de ser grande, como que a sugerir e apontar à marca de suas próximas Edições.

Naquela Edição do FIG, Alceu Valença, Zé Ramalho, Dominguinhos... brilharam. E durante os 16 dias do Festival, Garanhuns recebeu milhares de turistas. Turistas que acorreram à nossa cidade para conferir a sua beleza, encantarem-se com a hospitalidade de nossa gente, e assistirem ao advento daquele que seria “O Maior Festival Multicultural da América Latina”. Turistas que trouxeram dividendos à cidade, à sua gente, do pequeno ao grande. Como sempre digo: do flanelinha ao empresário.

Estive presente àquele I Festival de Inverno. Na minha memória, a presença de Nelson Mota, que estava ali como curador. Ele, que é grande jornalista, compositor, roteirista, produtor, escritor e letrista. Ele não sabia que estaria assistindo ao nascimento daquele que seria “O Maior Festival Multicultural da América Latina”. 

O Festival de Inverno de Garanhuns nascera com 16 dias, de 13 a 28 de julho. Da sua V Edição, em diante, já cobrávamos o seu reconhecimento como “Patrimônio Cultural e Imaterial de Pernambuco”. Que terminou acontecendo, anos depois. Tamanho o seu sucesso. Tamanha a sua grandeza. Tamanha a sua consolidação. Precoce, por certo. 

Anos seguintes, já se falava em no título ‘Patrimônio Cultural e Imaterial do Brasil’. Pensava-se em atrair mais turistas, a fim de conhecerem a nossa gente. Sentirem o nosso clima. Divulgarem a nossa cidade. E, com o Festival, contemplarem o nosso inverno. Visionários? Não! Exagerados? Também, não! Quem sabe? Talvez apaixonados. Se quiserem, que o digam. Mas ai do mundo não fossem os visionários. Os exagerados. Os apaixonados... É que pensávamos na nossa Economia. É que focávamos na geração de emprego e renda à nossa população. 

A esse respeito sempre indagávamos: “Por que Caruaru e Campina Grande fazem as suas festas de São João em 30 dias e nós não podemos fazer o nosso Festival de Inverno em 30 dias? Se, aqui, temos muito mais apelo que eles, lá? Por conta de nosso clima, de nossas belezas naturais. Enfim, de tantos e tantos mais, que nos sentíamos acanhados em nomear para não nos parecer arrogantes, enquanto defendemos nossa cidade.” 

Gramado e Campos do Jordão, por outro lado, fazem os seus Festivais de Inverno em períodos muito mais longos do que os nossos. Posto que tenhamos começado com 16 dias, como referido, hoje são realizados com apenas 10, para prejuízo e tristeza da cidade. E mais: naquelas cidades se define toda uma programação do que vai ocorrer no ano seguinte, ainda no curso do ano anterior. Programação de todo o ano seguinte, de janeiro a dezembro, que culmina com o já tradicional Natal Luz, que já tem o seu início em novembro. 

O Festival que advogamos para Garanhuns teria um formato diferente, decerto. Os nomes nacionais que, atualmente, são espremidos em 10 dias, seriam distribuídos em 04 finais de semana e, durante a semana, ou seja, de domingo à quinta, em seu palco principal, trabalharíamos com nomes locais e regionais. Não haveria quaisquer outras despesas a mais, com a contratação de artistas famosos para aqueles dias. 

Por outro lado, a estrutura de camarotes tem que ser revista. Impensável que os turistas que vêm à nossa cidade continuem assistindo aos espetáculos de seu palco principal sem um ambiente confortável e mais seguro para eles. E isso tem sido a grande queixa dos que vêm à nossa cidade nessa época do Festival. 


A proposta que temos é no sentido de que seja instalado um grande camarote para turistas que, claro, pagariam ingressos para lá ficarem.

De mais a mais, seria de se contatar empresas estatais como a CAIXA, o BNDES, o BNB, o BB... E empresas privadas como o SANTANDER, o BRADESCO, o HSBC..., a fim de não se deixar toda ou quase toda despesa do Festival de Inverno de Garanhuns a cargo do Governo do Estado.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

PALACE - 25 ANOS (VOLUME I)



Empreender é empresa difícil. Muito difícil! Há quem diga, até, que em um país como o nosso, empreender é um suicídio. No mínimo, um devaneio, um delírio... Porque inacessíveis os incentivos que dizem existir. Porque impossível satisfazer a ganância tributária do Estado. E, por cima, ainda, o tempo que se perde com os atores de gestos, olhares e práticas avarentas e traiçoeiras daqueles que só pensam no ganhar fácil. Sem esforço... Em desprezo ao trabalho decente, honesto sério... E ao poder da imaginação criadora. Daqueles que bancam iniciativas que geram emprego e renda para dezenas. Centenas. Milhares... De homens e de mulheres que se dispõem a produzir. A construir um futuro melhor para todos.


Lá atrás, quis dar um presente à minha cidade. Sim, presente, através da construção e operação de uma Unidade Hoteleira. Pensava, como ainda hoje penso, e cuido que vou continuar pensando: A1 - que a cidade tinha tudo para retomar o seu destino turístico, existente nas décadas de 1960 e 1970, até metade da década de 1980; A2 - que a cidade tinha tudo para alavancar sua vocação turística. Esta, tábua, ou mais uma delas, sendo ela, a mais forte, para sua alavancagem econômica; A3 - que a cidade tinha tudo, em paralelo, que melhorar e ampliar seus atrativos turísticos; A4 - que a cidade tinha tudo que ampliar e reciclar seus receptivos; A5 - que a cidade haveria de conceber festivais e diversões como meio de conquistar e reconquistar aqueles que a ela possam aportar como aportavam no passado; A6 - Que, portanto, diante da cristalização dessas ações, a cidade deveria partir à defesa do resgate e inclusão de seu nome no cenário dos grandes destinos, pelo menos, dentro do Norte e Nordeste brasileiros.


Teria eu feito pesquisas e análises econômico-financeiras para decidir pela empresa? Mas claro que sim! E, ademais, tudo ou quase tudo que deveria fazer. E digo: hoje, passados 25 anos, posto que aquelas pesquisas e análises não tivessem sido favoráveis à iniciativa, decidi, no que pese, pela execução do projeto, penso que no sonho do avanço da cidade ao encontro de sua vocação. 


Teimei! Decidi investir. E parti, com todo vigor, à empresa.

Confesso que foi duro. Muito duro! Como fora para tantos daqui e algures. Naquela época. Anterior a ela e a ela posterior. Mas, hoje, confesso: não me doíam tanto aqueles empecilhos que se renovavam e se robusteciam nos dias a dia da minha caminhada. Não me doía a ausência do governo. Que, se não ajudava, poderia, ao menos, incentivar. Pelo menos, saudar a chegada de uma iniciativa privada na cidade. Iniciativa essa de que Garanhuns estava a sonhar. E que viria para enriquecê-la melhor. Enfim, aplaudindo-a. Saudando-a... Posto que sem citar seus atores. Para que, afinal? O que me doía mesmo era a presença de opiniões não solicitadas... Sim! Não solicitadas! Imbuídas de olhares e de práticas de avareza... De pessoas pequenas e mesquinhas, incapazes de um gesto sequer de decência e de defesa de sua cidade e da sua gente. Esses, sim, doíam-me porque partiam com a intenção... De me arrefecer. De me sufocar. De me destruir... Anulando meu entusiasmo e disposição à luta. Luta que sempre esteve comigo desde minha pré-adolescência e adolescência. Adensada pelo tempo pelas graças de Deus. Enfim, meu sonho de querer enxergar, amanhã, a minha cidade maior e mais completa. Porque mais moderna. Porque mais contemporânea.



No que pese tudo isso, fui em frente. E, hoje, posso dizer que o Palace está pronto. Ou como sempre me diz uma grande amiga que comigo divide meu entusiasmo por Garanhuns: “prontinho” para receber bem e melhor (como se impõe. E deve!) àqueles e àquelas que aportam em nossa cidade.

O Garanhuns Palace Hotel está pronto e premiado. Pronto em sua estrutura.  Premiado por seu cuidado. Por seu esmero... Para com aqueles e aquelas que apreciam hospitalidade. E, esta, trabalhada com excelência. 

Bodas vieram nessa caminhada... Muitas!

Bodas. Bodas. E Bodas... Era a palavra que mais ouvia da minha equipe quando da concepção, formatação e nascimento do Palace. Palavra até hoje ouvida e celebrada. Parecendo dizer que a empresa teria e terá vida longa.  Para o bem da cidade. Alegria de seus investidores. E, quem sabe, sobretudo, em resposta àquelas opiniões não solicitadas. Portanto, indesejadas.  
 
E caminhamos pelo tempo, passando por elas. Bodas de Madeira, aos 05 anos; Bodas de Estanho, aos 10 anos; Bodas de Cristal, aos 15 anos; Bodas de Porcelana, aos 20 anos. E, naqueles 20 anos, eu dizia, deixando gravado em seu piso Quilombo (cada piso e cada ambiente do Palace saúda Garanhuns). E Quilombo é uma das Sete Colinas de Garanhuns:

“É com essa alegria que o Palace se prepara para atingir sua maioridade, ou seja: seus 21 anos no próximo ano - seis de julho de 2011. Mas com o mesmo entusiasmo do seu primeiro aninho.”

O Palace faz, hoje, 25 anos - Bodas de Prata. Não há quem diga! Também, novo. Novíssimo! Porque cuidado. Porque acariciado. Porque repaginado. Porque...

É com muita alegria que todos nós do Palace comemoramos essa data que marcou a nossa cidade - 06 de julho de 1990. Data que distendeu o nosso prazer em receber bem e melhor àqueles que acorrem a “Cidade de Simôa”.



Mas o fazemos, pensando em outras Bodas que hão de vir. Bodas de Pérola, aos 30 anos; Bodas de Esmeralda, aos 40 anos; Bodas de Ouro, aos 50 anos; Bodas de Diamante, aos 60 anos. Bodas. Bodas. E Bodas... Através de gerações. E, tomara que como no seu primeiro aninho.