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sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

O NATAL CHEGA MAIS CEDO EM GARANHUNS (VOLUME I)

Aqui, em curso, o Natal Luz 2016. A cidade está bonita. Linda. Bela... Como, certamente, ainda não a tínhamos visto. 

E como lhe fazia falta o toque que lhe deram para esse Natal. Parecia que a cidade estava a clamar por esse realce. Para lhe parecer mais bonita. Mais linda. Mais bela. De tal sorte que uma vez atendida, ela encanta muito mais aos milhares que a ela aportam. Tamanho o glamour conferido. Tornando-a mais bonita. A mais linda. A mais bela... A cidade luz... Pronta para o seu Natal. 

Muita falta. Muita falta fazia à nossa cidade. E lhe custou tão pouco essa empresa. Custou amor. Vontade. Compromisso... Da parte de nossos gestores para vermos a cidade ao encontro de sua principal vocação: o Turismo, que gera empregos, que produz renda. E tudo para tantos segmentos da Economia. E de forma horizontal e universal. 


Nesta IV Edição do Natal Luz 2016, observamos as ruas e as avenidas da nossa cidade tomadas por pessoas de fora, de longe, que para aqui acorrem, para nossa alegria. 

Alguém diria que ainda é pouco. Decerto. Ainda é pouco. Mas de forma crescente. E em número que caminha para o impensável. 

É isso que a gente tem percebido nos dias a dia da cidade neste Natal Luz 2016. Tendo começado a 11 de novembro e terminando a 31 de dezembro. Com suas ruas e avenidas frenéticas, anunciando que a hora do nascimento do Menino Jesus está chegando.

E aos milhares e milhares, todos dizendo que no próximo Natal estarão de volta a Garanhuns.

domingo, 20 de dezembro de 2015

É O NATAL LUZ! É O ANO NOVO! É O JAZZ FESTIVAL! (VOLUME I)




Acordo. Ainda é madrugada. Percebo que só um dos meus olhos a aprecia. O outro parece pedir mais um pouco de repouso. Até por minhas compulsivas leituras, noites adentro. Pede o outro, mais um pouco de deleite. Só o outro? Só um deles?

No que pese a isso tudo, levanto com a ideia fixa de que tenho que partir à luta. E feliz da vida por sentir avanços. Avanços, apesar de tudo... Apesar dos pesares... Digo a mim mesmo: hei de vencê-los com as armas de que disponho e que Deus me deu: meu entusiasmo pelo trabalho, a que chamo de minha terapia. Meu êxtase. Talvez, únicos. Que agradeço ao Senhor, sem reclamações que nunca me ocorrem. 
Afinal, para que lamentar-me? Tenho sim, muita reverência a Ele. E com muita fé no amanhã. Milagre divino. Sempre renovado. Quem viver verá.

Levanto-me, e vejo que a cidade amanhecera coberta de névoa. Cinzenta. E, já desperto, de olhos bem abertos, lembro-me que já é dezembro. Que estamos vivendo a beleza do “Natal Luz” da cidade. Que não pretende ser o maior do planeta, mas que lutará com a força de cada garanhuense para ser, um dia, o maior do Brasil.

Já no escritório, cuido das minhas tarefas.  Chega a noite. E, com ela, a garoa que vai virar a madrugada. 

Bate-me, de repente, lembranças de anos passados. Ocorrem-me: fora à Igreja. À Matriz de Santo Antônio. E, nela, o nome: Matriz. Este é o nome, digo, que dará azo a outro nome: Matriz Center. Em gestação. Em obras. Reverência a ela: Matriz. Matriz de Santo Antônio. 

Hoje, volto à mesma Matriz: a Matriz de Santo Antônio. Faço minhas orações. E, de coração leve, parto... Parto para conferir a grandeza da magia de minha cidade. Não, sem antes me lembrar de suas missas aos domingos, estas celebradas pelo Monsenhor Tarcísio Falcão, que também fora meu professor. E, também, para dar uma olhadinha a outro local de igual importância, denominado matriz: Matriz Center. Este por mim entregue à minha cidade em 1987. Aquela, por nossa Igreja, no já distante 1859.    

Vivemos o mês de dezembro, e a cidade continua frienta como se vivesse o mês de julho. Como se estivesse ainda a saudar o seu inverno. 

Lembro-me de palavras expostas em parede do Palace: “A cor de chumbo das nuvens dos meses de maio, junho e julho parece que se repete nessa madrugada de dezembro, e de outras, indicando colidir com os tímidos raios solares, que apontam à crença de emanarem de mãos divinas, sendo lançados sobre minha cidade” - escrevera-me, outro dia, um amigo que prezo, deixando meu espírito nas nuvens e tomado de satisfação. 

Os pardais, com suas asas molhadas, cortavam o céu no início dessa manhã e da maioria dessas manhãs desses dias de dezembro como se quisessem anunciar o nascer de um dia esplendoroso, que só veio, e que só vieram bem mais tarde. Por esses dias de dezembro, tamanhas as trovoadas que desabaram dos céus divinos que, de repente, tive a sensação que estivéssemos vivendo dias de nossos invernos.

Pensei ainda: “É o Natal que se aproxima, e as chuvas dessa madrugada estão a saudar a proximidade do nascimento do menino Jesus. É o Natal que se aproxima... Que ainda se aproxima, e nós já estamos a saudá-lo com uma programação que aponta para o que serão os Natais que hão de vir em nossa cidade”. Natal e Ano Novo. Ano Novo e Jazz Festival. Este que se sagrou... Este que se notabilizou... Como a cara de Garanhuns. Pela ousadia de sua gente. Pela coragem de seu povo. De transformar o tríduo momesco em um grande Festival. 


Em mais um Festival de Garanhuns. Da terra “Onde o Nordeste Garoa”, como disse o poeta. Ou da “Cidade dos Festivais”, como diz a paixão garanhuense. Que recebe milhares de turistas de todo esse Nordeste, que vibram com Garanhuns porque o Jazz diz alto, lá fora, que no Nordeste não só existe seca, fome, miséria... Mas que aqui existem também clima, cultura, atmosfera... E apaixonados pelo que há de melhor em manifestações culturais no mundo. Que Garanhuns, no tríduo, se transforma na capital internacional do Jazz, fazendo lembrar àqueles que para aqui acorrem, o mundo artístico-cultural de cidades como Nova Orleans, Chicago e Nova York, nos Estados Unidos.  

De repente, por conta das trovoadas, a destempo, a cidade fica sem internet.  Serão as chuvas de dezembro, querendo anunciar que, em pouco tempo, chega o nascimento de Jesus Cristo? Sim, o Natal? 

Penso de novo: “Como eram nossas conversas, lá atrás, sem essa maravilha... Sem esse milagre... Ou quase milagre humano, chamado internet?”


Imagino que por isso nasciam tantos.  Hoje,  poucos. Como ou quase como na China. E, quando nascem, os anos já decorreram.

Não. É Natal. E com ele, já, já, o Novo Ano. E... Ato, quase contínuo, o Garanhuns Jazz Festival. 

Salve Garanhuns! Por isso que não quero nunca sair de minha cidade. Porque ela é valente. Ousada. Ambiciosa... Porque ela tem foco. Diria, até, focos... Que a alimentam. E que lhe apontam para o futuro. 

Meu Deus! Tenho que ir trabalhar...  Apesar de ser Natal. Apesar de ser Ano Novo. Apesar do Jazz que se aproxima.

Tenho que ir trabalhar. Tenho que ir ajudar a receber como reis e rainhas, no mínimo como príncipes e princesas regentes, àqueles e àquelas que chegam à cidade. Já estou com os dois olhos bem abertos... Mas sem internet? Como hei? Mas vou. Pelo menos trabalho com o milagre da vida. E esta foi Deus que me deu. E só Ele pode me tirar. Só Ele!

quarta-feira, 9 de julho de 2014

O RELÓGIO DE FLORES E O MENINO (VOLUME I)

Nos meus dias a dia na minha cidade, contemplo o Relógio de Flores pelo menos quatro vezes nas minhas idas e vindas da minha residência ao meu escritório. 

Um dos símbolos de Garanhuns conta com permanentes visitações públicas, quer da gente da cidade - que parece que vai ali para conferir o seu estado, quer daqueles que para lá acorrem no desejo de conhecê-lo nessas suas vindas à “Cidade de Simôa”, em busca de nosso clima e de nossas belezas.

Outro dia, parei por lá para caminhar por seus jardins, sempre verdes e bonitos, cuidadosamente gerenciados pelo Poder Público municipal. De repente, me apareceu um menino. Menino poeta que me perguntou se eu queria ouvir, em prosa e verso, a história do Relógio de Flores. Disse-lhe que fazia questão. E, em cordel, ele se expressava a ponto de me encantar. Perguntei, então, se ele já ouvira falar de Ronildo Maia Leite. Disse-me que não. Informei-o de que Ronildo foi um ilustre garanhuense. Homem das Letras que deixou para nós um poema muito bonito sobre o Relógio de Flores. Perguntei-lhe se desejava conhecer o poema. Ele, meio sem jeito, disse-me que sim. Mas, antes, me fez uma pergunta: “O senhor não gostou de minha declamação?” “Gostei! Gostei muito! Adorei!”, disse-lhe. “Mas vou lhe declamar o poema de Ronildo. E você haverá de gostar muito, também. O seu nome é ‘A Corola do Tempo’.”, cravei. 

A propósito, trazia o poema no bolso. Sei lá se para conferir os versos de Ronildo, diante do símbolo que iria contemplar naquela tarde, quase noite, de Garanhuns. Saquei o poema do meu bolso, e comecei a recitá-lo diante de um menino atento.  

“Fala-se agora do topo do Sinai,
um monte carrossel de onde o olhar rodopia pelos vales
sempre muito verdes.
Embaixo dele,
O Relógio de Flores, de fusos vegetais.

Os ponteiros são galhos de avencas,
o miolo esbugalha um girassol.
Uma rosa vermelha no meio-dia,
violetas uma hora da tarde,
papoulas às três,
hortênsias às quatro,
bogaris às cinco.
Rebentam lírios às seis da noite, na hora da Ave-maria.

Cheio de graças esse alegre canteiro.
Caprichento esse relógio único.
Sete da noite é a hora mais inconsútil de um dia inteiro.
Hora indecisa.
Parca.
Lusco-fusco.

Nem é noite propriamente dita,
embora o dia já tenha ido embora.
É hora da indecisão dos boêmios,
de quem sai do trabalho.
Indecisos anjos,
precavidos fantasmas,
cochilantes ladrões
cingindo os lábios da boca-da-noite,
assim apelidada pelos repórteres policiais.

Nada nesse mundo se conclui,
ou começa nessa hora sem marcas.
Por isso,
uma margarida amarela,
a flor das almas, de pescoço fino, 
olho espremido,
onde imprecisos dedos
debulham encabuladas pétalas
jamais de malmequer, bom que se diga.
Bem-me-quer, bem-me-quer, bem-me-quer.
É de tique-taque único esse relógio de flores.

Oito da noite, gradíolas.
Nove, azaléas.
Dez, orquídeas.
Onze, crisântemos.
À meia-noite, o relógio espreme as pernas numa virilha de gramas,
cravinas, laços-de-amor
e gerânios.

Sem falar nas folhas de eucaliptos
escapulindo do Parque Euclides Dourado
para barrufar o cangote da lua,
nuínha da silva, que vem lá das bandas do Magano.

Remelexem-se os ponteiros.
Mudam o nome das horas
na proporção que a madrugada avança:
botão de cravo que vai se abrindo até as três,
quatro, 
cinco.

Às seis,
a grande rosa amarela
alumiando a manhã refrescante.
Mudando famílias:
begônias,
sorrisos-de-Maria,
carinho-de-mãe,
cajados de São José.
Até ser de novo a rosa vermelha
no morno sol do meio-dia”. 

Ah, Ronildo! Como você nos faz falta. Com sua irreverência. Com sua genialidade poética. Com seu jeitão despojado de se apresentar aos seus conterrâneos, e com eles bater aquele papo. Sim, aquele irresistível papo que só você sabia bater. Contando aquelas histórias e estórias da nossa cidade de seus tempos. Tempos de sua Garanhuns, de seu Ginásio Diocesano, de sua Capela, da sua estátua de São José, do olhar do Padre às suas travessuras. Mas tempos, também, da descoberta do homem das Letras que você viria a ser. Do homem das Letras que atrairia o Pe. Adelmar, a todos da Capela do Ginásio, a todos da cidade... Enfim, a todos seus conterrâneos, conferindo-os imensa vaidade por poderem dizer que você, Ronildo, foi um de nós. E entre nós fez história. Praticou exercícios exitosos.

Depois de seu poema, Ronildo, o Relógio de Flores parece que se tornou mais relógio, mantidas as flores, decerto. Por sua beleza permanente. E pelas horas... Ah! As horas! Que marca e marca, sem falhar. Sim, sem falhar, desde 1981, não registrando atrasos ou avanços, além daquele minutinho, a cada ano.

A Praça Tavares Correia ficou mais bela depois do seu Relógio de Flores, como ficou também mais belo o Jardim Inglês, em Genebra, depois da implantação do seu Relógio de Flores, em 1955. O Relógio de Flores de Garanhuns concorre em pé de igualdade com seus similares da Suíça, em Berna, Zurique e Genebra. E é motivo de orgulho para essa cidade, que cobra a sua inclusão nos destinos turísticos do país. Por justiça! 

O menino, com o olhar lacrimejante, olhou para mim e disse: “Muito obrigado por ter lido para mim o poema. Ele é lindo. Você me daria uma cópia de sua letra para eu memorizar e passar a declamar na praça?” Disse: “Mas claro!” Dei-lhe um abraço. E segui para minha residência, feliz. Não sem pensar no menino. No que ele faria com Ronildo Maia Leite, daquele dia em diante.