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sábado, 5 de agosto de 2017

A ACADEMIA (09.01.2014) (VOLUME II)

Perguntaram-me sobre o que estaria ocorrendo com a Academia de Letras de Garanhuns, uma vez que correm notícias na cidade que teria havido reformas de seus estatutos sem a devida consulta aos seus quadros. Que teriam sido afastados e desprestigiados alguns acadêmicos históricos, com propósitos inconfessáveis. Enfim, que estaria ocorrendo “uma série de irregularidades” naquela Casa de Cultura. Que tem tudo para ser uma das referências maiores da nossa cidade. E que já o é.


Disse que não estava sabendo nada de oficial a respeito. E não estava. Mas que iria apurar. Que custava acreditar em qualquer daquelas notícias, por entender absurdas, mas que julgava saídas de mentes pouco desejosas de verem o crescimento de Garanhuns. Notadamente, através desse viés mágico e único que é a cultura de sua gente. Mas, dizia na época, que iria me inteirar para poder conferir minha posição mais embasada a respeito. 

Não quis tratar desse assunto de forma pública pela sua delicadeza. Sobretudo, para preservar a imagem da Academia e de seus acadêmicos. Da Academia e de seus patronos. Da Academia e de sua história. Que vem de longe. Vem de 1978. Do centenário da nossa cidade. Com Rilton Rodrigues da Silva, Humberto Alves de Moraes, Antônio Gonçalves Dias, Aurélio Muniz Freire, João Calado Borba... Vem de mais longe ainda. Vem da década de 1950. Com Geraldo de Freitas Calado, Erasmo Bernardino Vilela, Ronaldo Souto Mayor... Quando criaram o Grêmio Cultural Ruber van der Linden... Mais tarde, a nossa Academia de Letras de Garanhuns. Fundada e instalada por aquelas personagens, na presença, dentre outras, do Cônsul da Costa Rica - José de Abreu Santos, do Bispo da Diocese de Garanhuns - Dom Tiago Postma, Ivaldo Rodrigues Dourado e tantos e tantos outros. 

Foi linda. Muito linda a solenidade de instalação da Academia de Letras de Garanhuns, naquela noite fria de 04 de fevereiro de 1978. Ali, na Rua XV de Novembro, 287 - eterna sede da cultura garanhuense.  Por isso ouso dizer que a Academia de Letras de Garanhuns deve ser tratada com respeito ao seu passado. Passado que projeta um grande futuro para nossa cultura e para nossa cidade.  

Outra época, li em João Ribeiro o seguinte: “Se a Academia não presta, então também o Brasil não presta.” Penso que João Ribeiro foi infeliz, porque tanto a Academia de Letras do Brasil presta como o Brasil também presta. Tanto que sobrevive, a nossa ABL, há décadas. E sobreviverá a séculos. Quiçá milênios.

Igualmente, penso com relação à nossa Academia e à nossa cidade. Que só nos dão orgulho. Sobretudo, pelo que dizem delas, lá fora. Da nossa Academia. Da nossa cidade: “Uma cidade que tem uma Academia de Letras é uma cidade diferente”. 

Ah! Como ouço dizerem! Ah! E como me orgulho disso! “Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido”, disse, um dia, o poeta Fernando Pessoa. Quem sabe para que pudéssemos, agora, repetir suas palavras, pensando na nossa Academia de Letras de Garanhuns.         
  
Pugno por uma Academia no modelo da Academia Francesa, iniciada no século XVII. No modelo da Academia Brasileira, iniciada no século XIX. Onde seus membros estejam à disposição permanente do serviço à cultura. Sem apegos a cargos nela disponíveis.  E sem interesses inconfessáveis. Pugno por uma Academia que esteja perto da população, a ela ajudando no correto exercício da nossa Língua. Pugno pelo academicismo expresso no lema “Ad immortalitatem”. E com sucessão através da vontade do conjunto dos acadêmicos pelo voto direto e secreto da maioria de seus membros como, de resto, acontece em todas as grandes Academias. 

Não posso, portanto, estar feliz com as notícias que hoje me chegam. Agora, pela imprensa. E que me dão conta daquilo que me falavam há meses. Com um agravante. Tudo já corre na Justiça. Nos Tribunais. 

É triste, para mim. É triste, para Garanhuns. Para a memória dos seus fundadores, inclusive daqueles de lá de trás, que sonharam com essa ferramenta de cultura na já Garanhuns Universitária e Cultural a que se referia o estadista Agamenon Magalhães.   Muito triste! Não foi para isso que ingressei naquela noite de três de dezembro de 2005 na Academia de Letras de Garanhuns, para ocupar a Cadeira de número 22, que tem como patrono a figura extraordinária do Monsenhor Adelmar da Mota Valença. 


Não! Não posso estar feliz! Quando ainda há pouco autorizei a impressão da 4ª Edição de minhas linhas “Padre Adelmar e a Academia de Letras de Garanhuns”. Que fora apresentado naquela “Bela Noite de Academia”.  Ela, ocupada por seus acadêmicos. Ela, invadida por acadêmicos de Recife e de Maceió, aqui aportados para prestigiá-la. Ela, tomada pela sociedade de Garanhuns. Orgulhosa pelo momento que vivia a sua cidade.  Alegre!   Feliz! E o seu presidente a dizer, com voz macia, modulada, magnetizante: “Sofri também, confesso. No meu canto, sentado, vertia lágrimas. A emoção presidiu-me... À Academia compete, entretanto, engrandecer e imortalizar. Givaldo Calado de Freitas tem essa missão, como acadêmico... Compete a todos ler e guardar. Direta ou indiretamente, como se fossem todos da Academia. E que amem esta terra e que reconheçam seus brios. Guardem-no.”

Serei sempre acadêmico. No modelo francês. No modelo brasileiro. Já o disse! Pugno, pelo menos. Mas, dizendo. Foi para isso que aceitei humilde e hesitante o caminho da imortalidade. Que uma vez alcançado, só o outro: o da imorribilidade. Este de que tanto falava Ronildo Maia Leite. Mas, sem o “estágio” daquela. 

Depois de tanto relutar, eis-me imortal. No que pese meu estado de espírito. Que penso correto aos imortais.  Hoje, sou imortal da única, para mim. Da Academia de Letras de Garanhuns. E tudo por conta daquela noite fria de Garanhuns, quando Garanhuns se reencontrou, aos poucos, com Garanhuns, no aguardo de suas madrugadas para ser mais Garanhuns ainda. Com seu frio úmido e medicinal.  

A Academia, no entanto, tem que voltar às suas origens. E vai voltar. Esse é o sentimento. Por Garanhuns. Que não a quer perder. Que não admite perdê-la. Porque ela, hoje, mais do que nunca, é a grande referência cultural da nossa cidade. Uma grande e importante referência. 

sábado, 29 de julho de 2017

POLO DOMINGUINHOS - NONA NOITE (VOLUME I)

Última noite do Palco Dominguinhos. Cheguei à Esplanada. Vejo-a cheia. Aos milhares. No palco, a garanhuense Andrea Amorim. Ela que me encantou outro dia no Festival  Dominguinhos, cantando forró. Não sabia que cantava. Sabia que cantava Rock, Bossa Nova. Forró, não! Ela, portanto, eclética, musicalmente. Gigante, no Palco. Com presença, nele, que poucos têm. Magnífica. Exuberante. Em seguida, Jr. Black, Spok Frevo Orquestra, Zé Ricardo com participação especial de Sandra de Sá e Fernanda Abreu.

“Vamos ao Palco do Forró assistir a ‘Banda Coruja e seus Tangarás’, que vão varar a madrugada?” - perguntaram-me. Disse-lhes: “Estão brincando! Depois do Som na Rural, Palco Cultura Popular, Palco Pop, Palco Instrumental. Agora, Palco Dominguinhos, vocês ainda querem ir ao Palco Forró?” Devolveram: “É que ainda há tempo para assistirmos a ‘Azulinho’ e a ‘Banda Coruja e seus Tangarás’.”

Esse é o Festival de Inverno de Garanhuns. Como tenho referido: imenso, denso... Não em vão o “Maior da América Latina”. Que precisa ser distendido para dar azo a que todos o conheçam em sua plenitude. Para que todos possam melhor presenciá-lo, aproveitá-lo, vivê-lo... E, daqui, partirem pensando em voltar em sua próxima edição.   

Não tenho o menor fiapo de dúvida sobre o que tenho referido, faz anos. Distender o Festival. Prestigiar o turista. Que quer uma distinção. E é tão pouco: um espaço, posto que opcional. Assim, pagando pelo uso dessa opção. Chegou a hora, portanto, de se procurar prolongar o FIG, para que seja mais bem presenciado, aproveitado, vivido... Sobretudo, por quem aporta à nossa cidade para assisti-lo. E desse público, Garanhuns e Pernambuco, muito precisam. 

Sendo assim, chegou a hora de se procurar distinguir aqueles que vêm de fora com um espaço a eles opcional. São turistas de Recife, João Pessoa, Natal e Fortaleza, pelo norte. São turistas de Maceió, Aracaju e Salvador, pelo sul. Diria de todo esse Norte e Nordeste brasileiros que, para as montanhas acorrem, na busca do frio garanhuense, e atraídos para assistirem, ao vivo, a shows de qualidade.

Como referido pela produtora Priscila Melo na “Plataforma FIG”, que veio para ajudar a azeitar a cadeia produtiva da música independente no Brasil: “São dezenas de artistas circulando durante dez dias na cidade, que nem sempre sabem encontrar o caminho mais rápido para sua música escoar da melhor forma no mercado. Queremos encurtar essas pontes.” 

Já referi nessas linhas sobre essas noites do FIG - Palco Dominguinhos. Mas, vale a pena repetir as palavras de Zé Ricardo, que é um dos curadores do Rock in Rio ao cabo da “Plataforma FIG”. Disse ele: “O FIG nos faz pensar e até repensar os nossos próprios projetos. Ou seja: essa iniciativa do FIG é fundamental para o futuro da música. Quem pensa em música de qualidade, quem pensa realmente em uma entrega para o público de conteúdo, não só de uma entrega superficial, precisa estar trocando, se atualizando e aprendendo com seus colegas de produção”. (grifamos)

Vamos, portanto, ficar atentos. O FIG - XXVIII Edição, desde já, começa a ser pensado. E, oxalá, acolhidas aquelas providências, que vêm ao encontro de sua melhora e de sua grandeza. E todos as queremos.    

O FIG, Edição XXVII foi sucesso. Já dizia em seu lançamento, em Recife: apesar dos tempos difíceis em que vivemos no Brasil, Pernambuco, com competência, fará, um grande Festival, senão o Festival de seus sonhos. Até em homenagem à sua história, em respeito às edições passadas do Festival de Inverno de Garanhuns. Hoje, consolidado, eterno como Patrimônio Cultural e Imaterial de Pernambuco. 

terça-feira, 25 de julho de 2017

POLO DOMINGUINHOS - QUINTA NOITE (VOLUME I)

“Como posso marcar presença no Festival de Inverno se não há um lugar seguro para eu ficar?” E mais: “Não há um espaço, em seu principal palco, em que eu possa estar bem acomodado com minha família.” E mais... Essas críticas me chegam, recorrentemente, por parte daqueles que aportam em Garanhuns por ocasião de seu Festival de Inverno. 

A mim me parece, contudo, questão de fácil solução. Com efeito, por que não se instalar no outro lado do palco um espaço destinado aos turistas? Que, evidentemente, pagariam por ele. Não ensejando, portanto, maiores custos ao FIG. E trazendo melhor retorno à cidade e ao estado? O retorno de podermos contar com uma maior presença de turistas, sobretudo se alongado para quatro finais de semana aquele palco. E o turista é o público que deve perseguir o Festival, a fim de termos o retorno econômico desejado. Insisto: o FIG tem que ter como foco o retorno econômico, já que é “O Maior Produto Cultural do Estado.”  


Mas a noite de ontem foi muito boa, com um bom público no Palco Dominguinhos. Por lá, passaram Lucas Santana, a Banda Eddie, Baiana System. Espetáculos maravilhosos que bem poderiam constar na agenda de um daqueles quatro finais de semanas propostos, acrescidos, para encerrar com um nome de peso.  

Mas, enquanto acontecia esse espetáculo nessa noite de terça-feira, tivemos também outros espetáculos nos diversos palcos, que encheram de entusiasmo a tantos e fortaleceu o clima do FIG na cidade. Assim, no Palco Cultura Popular. Que foi das 12 às 19 horas. No Palco Pop, das 17 às 20 horas. No Palco Som na Rural, a partir das 21 horas. No Palco Instrumental, das 17 às 20 horas; no Palco Forró das 22 às 24 horas. Este, inclusive, culminando com Assisão. São verdadeiros espetáculos que dizem alto do “Maior Festival Multicultural da América Latina”. E, ainda, o Palco Mamulengos e Pontos de Cultura, durante toda à tarde.             

segunda-feira, 24 de julho de 2017

POLO DOMINGUINHOS - QUARTA NOITE (VOLUME I)

Tenho falado: O FIG não se resume a um só palco. São vários. Para ser exato: oito. O Palco Dominguinhos, o Palco Cultura Popular, o Palco Pop, o Palco Instrumental, o Palco Mamulengos, o Palco Forró, o Palco Música na Catedral e o Palco Som na Rural. Além das oficinas que são maravilhosas, porque marcam, educam, capacitam. E elas são dez. Vi muitos desejosos de visitá-las. Mas, com que tempo? Afora outras ocorrências, no fundo, também palcos que conferem uma atmosfera alegre e festiva à cidade, atraindo quem realmente aprecia e gosta da cultura múltipla. Diversa... Daí o Festival de Inverno de Garanhuns ser considerado o “Maior Festival Multicultural da América Latina”. E esse título, claro, nenhuma cidade tem. Só Garanhuns! 

Isso deve, antes de tudo, orgulhar a nossa gente. E orgulha! E, mais: nesta XXVII Edição do FIG, a Prefeitura ainda banca o Palco Orquestrando, que tem sido muito procurado pelos turistas. Eles, fazendo uma verdadeira apoteose à parte, ao som de nossas orquestras. 

Agora, precisamos melhorar o FIG? Claro que sim! E eu estou muito à vontade para assim falar, até porque já o digo há muito tempo. E repito: vamos distender o Festival a ponto de que quem esteja lá fora, em Recife, João Pessoa, Natal, Fortaleza, Maceió, Aracajú, Salvador...  tenha condição de nele estar presente. 

Mas como distender o FIG? Fazendo-o em quatro finais de semana, com o mesmo número de artistas que, hoje, se comprimem no Palco Dominguinhos, em nove ou dez noites. E, aqui, diga-se, de domingo às quintas-feiras o Palco Dominguinhos daria lugar aos artistas locais e regionais. E no que respeita aos demais palcos, também se distenderia suas programações, a ponto de, todo dia, e durante os trinta dias, o clima do FIG esteja presente na cidade.    

A ideia é impactar mais e melhor a economia da cidade. E o FIG, em trinta dias, dentro deles quatro finais de semana, sem dúvida que atrairia muito mais turistas à cidade, porque estes teriam quatro opções de finais de semana para acorrerem a Garanhuns, a fim de prestigiar o Festival de Inverno. 

Bom para a cidade e para o FIG, que estaria livre do desperdício de apresentar atrações durante a semana no Palco Dominguinhos sem uma boa presença de turistas, que são os responsáveis pelo impacto econômico a que persegue o Festival. 

Mas nessa segunda-feira, quarta noite do Polo Dominguinhos, a Esplanada não contou com o público desejado. E aí não se queira culpar a programação, e só a ela. Na verdade, o exposto me parece que esclarece a razão. 

De Still Living a MPB4, passando por Herbert Lucena e Cantoria Agreste, vimos um palco bem servido. Inclusive, com MPB4 fazendo um grande show, que agradou e encantou a muitos. No que pese o pouco público presente.  

O desperdício estaria por aí. O que me faz, por derradeiro, dizer: vamos defender o nosso FIG. Reformatando-o. Sim! E também! Revigorando-o. Sim! E também! Fazendo-o, desse modo, até por sua condição de “Maior Produto Turístico de Pernambuco”, mais viril, atual e crescido. E este será, sempre, o seu foco. Encantando todo esse Norte e Nordeste brasileiros. E quem sabe, em breve, todo o país.