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domingo, 3 de setembro de 2017

GOSTO DE SAMPA - BOA TARDE I (03.09.2017) (VOLUME II)

Saímos do Museu Catavento e fomos direto ao Shopping Morumbi, um dos maiores de São Paulo. Gui ainda empolgado com o que vira, apesar do pouco tempo disponível para percorrer suas quatro seções - Universo, Vida, Engenho e Sociedade. 

Sobretudo, em restaurantes e lojas de finas grifes - 483. Por lá almoçamos, e ficamos o resto da tarde, já sentindo saudade de São Paulo, uma vez que no dia seguinte estaremos voltando à realidade dos nossos dias a dia.  

No Shopping Morumbi, fomos à exaustão. Percorremos muitas de suas lojas. Todas? Nem pensar. Afinal, quase cinco centenas. E o Morumbi com aspecto de Shopping de alguns anos, posto que com mais de 35, já que inaugurado em 1982. E mantendo um fiel público de cerca de 10 milhões de pessoas/ano. 

Em nossas prosas, procurávamos saber de seus avanços ou recuos em relação ao ano passado. Mania de empresário, que carrega consigo sempre essa curiosidade: estar querendo saber como vai a Economia. Enfim, como ela vem se comportando, sobretudo em nossos dias. 

GOSTO DE SAMPA - BOM DIA I (03.09.2017) (VOLUME II)

Acordamos tarde. Emília a dizer que eu ia perder o café da manhã. “Já, já o Restaurante fecha para organizar o almoço”, disse ela. Pulei da cama e, açodado, corri ao “150” com Emília e Gui. 

“Vocês vão ao bis”? “Mas claro!”, aquiesceram em uníssono.  “Melhor que esse, só no Palace de Garanhuns, porque no Palace de Copacabana dizem que está deixando a desejar, sobretudo depois que demitiram mais de 100 por conta do momento difícil porque passa nossa Economia”, disse eu, brincando. 

No “150”, tomamos nosso café da manhã. Devagar. Devagarinho.  Sem sobressaltos. Aliás, como raramente o fazemos em casa por conta de nossos afazeres. Sem agenda a cumprir, ato contínuo. Afinal, estávamos em férias. Mesmo que curtas.

Voltamos à Unidade e nos preparamos para cumprir o programa daquela manhã, início de tarde. Na agenda: “Museu Catavento”. Ele, cultural e educacional. No Parque Dom Pedro II. Fantástico! Hoje, o Museu mais visitado do Brasil. Nele adentramos. Quando vi a sua imensidão, disse: “É preciso um dia inteiro para percorrê-lo”. Aos poucos, e na medida em que avançávamos pelo seu interior, eu rerratificava para: “Alguns dias.” 

Tomamos um susto - eu e Emília. Gui olhou para nós dois, e disse logo na primeira seção do Museu: “Estou curtindo uma nostalgia”. Perguntei para ele, assustado, e sob o olhar de Emília: “Nostalgia, Gui? Por quê?” No meu pensar, longe de ele saber o significado de nostalgia. Mas ele: “É que, até aqui, vovô, tudo que vi nessa seção eu já estudei na escola.” 

A emoção bateu-me fortemente. Depois, o orgulho. A mistura de emoção e orgulho, a ponto de não saber quando terminava um e começava o outro. A ponto de não saber discernir. Tomei uma atitude: agradeci a Deus, como sempre faço. Agradeci pelos cinco netinhos que nos deu - a mim e à Emília.

O Catavento tem mais de 250 instalações, distribuídas em quatro seções: “Universo, Vida, Engenho e Sociedade”. A Seção “Universo” dispõe de inúmeros painéis expositivos, representando o conhecimento do espaço. A Seção “Vida” exibe diversos blocos: Biomas, Árvore da vida, Insetos, Vida no oceano, Aquários marinhos, Fotossíntese, Do veneno ao remédio, Aves do Brasil, Evolução e Darwin, Corpo Humano, Célula e DNA.  A Seção “Engenho” se dedica à engenhosidade humana e acumula um conjunto de obras interativas, ricas e diversificadas. Por fim, a Seção “Sociedade” aborda a questão do meio ambiente.   

Como imaginei, logo ao adentrar no Museu, uma imensidão. Que para conhecê-lo bem se precisa de alguns dias. E nós por lá ficamos só algumas horas.  

sábado, 2 de setembro de 2017

GOSTO DE SAMPA - BOA NOITE I (02.09.2017) (VOLUME II)

“E aí, Gui? Que diz a nossa agenda?”, pergunto. “Vamos jantar em um restaurante tradicional. Vamos para o ‘Terraço Itália’. Lá, um espetáculo. Um deslumbre. Avista-se São Paulo do alto de 41 andares. Restaurante belíssimo. Já conferi tudo no Google. Vocês vão adorar. Fica lá na Avenida Ipiranga.” Tomei um susto com o discurso de Gui. “Menina! Que menino sabido!”, disse à Emília. 

“Já pediu o Uber?”, indago. “Já, vovô. Em cinco minutos ele estará aqui.” 

Realmente um encanto o Terraço Itália. Fino. E com um magnífico serviço. Realmente, irrepreensível. 

Lembrei à Emília: “Sempre desejamos conhecer o Terraço. Superveniências, todavia, não nos deixavam. E agora estamos aqui, com o nosso netinho.” No que ela me responde: “Foi bom assim, Givaldo. Como nossos filhos, eles sempre os primeiros.”

Na verdade, lá, em casa, fora assim: primeiro os meninos. Eles conheceram o exterior primeiro que a gente - eu e Emília. Givaldinho teria sido o primeiro. Foi estudar em Londres. E por lá ficou por quase um ano. A ideia era que voltasse falando a Língua Inglesa. E assim foi. Ano seguinte, Germana, também para Londres, lá morando durante quase um ano e meio. Por fim, Giovanna, que preferimos mandar para São Francisco porque, por lá, já estava Claudinha, nossa sobrinha. 

Voltamos ao Maksoud felizes e leves pela bela noite que tivemos. Os três: eu, Emília e nosso netinho. No lobby do hotel, Gui olha para mim e diz: “Vovô, o senhor não quer me contratar como seu assessor, não? Falo fluentemente inglês; já, já mandarim. Sou desenrolado em agendas e em Uber, e tenho bom gosto como o senhor. Enfim, posso lhe ajudar muito”. Tomei um susto. Mas segurei. E disse: “Fale com seus pais, Gui. Se eles permitirem, você estará contratado.” 

Que netinho Deus me deu! Obrigado, Senhor! 

GOSTO DE SAMPA - BOA TARDE I (02.09.2017) (VOLUME II)

Ainda no “Eldorado”. Que surpreendeu a mim e Emília. Pela conservação. Parecendo novinho em folha. Muitas lojas de marcas e inúmeros restaurantes de ponta. Finos! Finíssimos!

Adentramos no ‘Applebee’s’. Um espetáculo! Germana de lá, de São Francisco, a perguntar onde estamos por conta do instantâneo de horas atrás que enviáramos. “No Brasil, minha filha. Em São Paulo. Naquele shopping que você, ainda novinha, conheceu com a gente”. O mundo está cada vez mais plano. Penso: como era a vida dos pais e dos avós, antigamente, sem notícias de seus filhos e de seus netos? 


Pedimos... Na verdade, Gui. Ele, incrivelmente, internacional: “Strawberry Lemonade, Nachos Nuevos e Buffalo Chicken Wings”. Uma delícia!

Emília, coitada, só olhando porque, de jejum, desde cedo, para um exame de logo mais no Hospital Santa Catarina.

Passeamos por todo o shopping até quase final da tarde. Gui, insaciável: quanto mais andava e conhecia, mais queria andar e mais queria conhecer. “Vovô que shopping maravilhoso!”, disse-me. “Pois é, Gui. Para aqui, no passado, a gente vinha com seu pai e suas tias e por aqui passávamos quase todo o dia. Eles adoravam!”, eu lhe disse. “Ah! Será por isso que estou gostando tanto?” No que eu respondi: “Não duvido, Gui. Quando voltar, conte para seu pai que você passou por onde ele passara com suas tias quando novos. Ele vai ficar muito feliz! Mas Gui, vamos embora que já é tarde. Sua avó tem que passar no Hospital Santa Catarina e você ainda tem agenda para logo mais à noite.”, disse-o. “Verdade, vovô! Vamos ao Terraço Itália!”


GOSTO DE SAMPA - BOM DIA II (02.09.2017) (VOLUME II)


Pensei... Mal concluí meu pensar... Eis-me nas ruas. 




Ficar recolhido em “Sampa”, num sábado frio, com raios solares nos sugerindo um passeio agradável? Nem pensar! 

Meu netinho me diz: “Vovô, o Uber está chegando!” Corro e sou o primeiro a entrar no veículo, num gesto claro de que eu também queria sair. 

No Uber, pegamos a Consolação.  Entramos na Rebouças. Já, já na Faria Lima, para adentrarmos no “Eldorado”, um dos shoppings mais antigos de São Paulo e para onde vinha com Givaldinho, Germana e Giovanna naqueles tempos. Eles, ainda pequenos. Ah! Que saudade!  Ainda bem que, hoje, posso vir com os netinhos - Gui, Bella, Gabi, Shofia e Lucas. “Coisa boa os filhos. Melhor os netos!”, dizem. E a gente começa a acreditar. 

Passei a vista na agenda de Gui. Muitos shoppings. Dos mais antigos, mas ainda atuais, aos mais recentes, como o “JK” e o “Jardins”. Neles, além de conhecê-los, Gui quer conferir as suas marcas, desde roupas a restaurantes.

Pedi a Gui para dar uma olhadinha em sua agenda. Fiquei deveras impressionado. Para o Shopping Eldorado estava tudo listado: do que desejava conhecer e fazer. Disse a mim mesmo: “Menino centrado esse meu netinho. Tem foco. Sabe priorizar as coisas. Vai longe!” 



GOSTO DE SAMPA - BOM DIA I (02.09.2017) (VOLUME II)

Dormi mal, muito mal. Sei lá se dormi. Aqui, em São Paulo, gripei e passei a noite de ontem a tossir e a espirrar. Noite horrorosa! Lembrei-me do que me ocorrera, ontem, à noite, no Shopping Cidade de São Paulo. De repente, um espirro estridente. Disse a mim mesmo: “Ainda bem que Emília está longe e não viu nem ouviu meu espirro”. Viu e ouviu, no entanto, uma senhora paulista, muito elegante. Certamente da elite paulista. Que foi logo me dizendo: “A gripe lhe pegou feio. Fato?” No que eu a respondi: “Verdade! Verdade! Mas, já, já estou novo de novo.”, disse-a. “É que o frio de São Paulo este ano pegou pesado!”, continuou.  Disse-a: “O frio daqui, é muito seco. Muito seco.” “Verdade!”, disse ela. “O Senhor não é de São Paulo, não?”. “Não! Eu sou da cidade que tem o melhor frio do Brasil. Frio úmido e, absolutamente, suportável. Há quem diga até, medicinal. Sou de Garanhuns.” “Garanhuns? Mas onde fica essa cidade?”, questionou-me. “No Nordeste. Em Pernambuco”, respondi. “No Nordeste? Não acredito! Nordeste com clima frio e, por cima, úmido? Não! Não acredito mesmo!” Não quis polemizar com madame paulista. Saí, todavia, da conversa com uma certeza: o preconceito que aquela gente paulista tem contra a gente nordestina é muito grande, a ponto de duvidarem até da existência de um clima ameno em algum lugar do Nordeste.    

Agora, no café da manhã com Emília. O Gui veio logo cedo, e está absorto em seus jogos. 


Voltamos aos aposentos e fico sem saber o que fazer. Ou seja: se me mantenho recolhido para repousar mais um pouco ou se saio com eles para cumprir agenda. 



sexta-feira, 1 de setembro de 2017

GOSTO DE SAMPA - BOA TARDE III (01.09.2017) (VOLUME II)

Já tarde. Quase noite. No Kopenhagen, da Oscar Freire com Bela Cintra. Uma delícia! Do passeio pelas lojas bonitas para uma gente com poucos reais no bolso, mas comprando. Disse a Emília: “Quanta gente de sacolas nas mãos. Viva o Brasil! Essa gente não vai baixar o nosso astral. Roubar o nosso humor. Ah! Pelo menos o meu não! E, penso também, do forte povo brasileiro, que apesar de indignado e revoltado, não lhe falta alegria de viver e vontade de superar tudo de ruim que teria ocorrido em seu país de alguns anos para cá.” 

A gente, apesar das andanças, compras zero. E viajamos com esse espírito. Compras, zero. Afinal, não se paga nada pelo banho de moda a que se assiste e até se prova. E, antes de adentrarmos no “Kopenhagen”, percorremos todas aquelas maravilhas que a Oscar oferece a quem a visita.  Foi, realmente, um final de tarde muito gostoso. Que costumo viver toda vez ou quase toda vez que venho a São Paulo.  


Do “Kopenhagen”, partimos para visitar o Shopping Cidade São Paulo, na Avenida Paulista. Dizia a agenda do meu netinho. “Vamos pra lá, vovô?”, cobrou-me. “Está na sua agenda? Então vamos. Mas claro que vamos, Gui! Depois, Maksoud. Seus avós vão precisar descansar um pouco. E sinto que você também”, disse-o. “Eu não, vovô. Estou bem. Não estou cansado”. Tive que lembrá-lo: “É que, Gui, você é muito novo. Ainda não passou dos 30. Seus avós, sim. Portanto, depois do Shopping Cidade São Paulo, cama! Que amanhã é outro dia e, segundo sei, sua agenda está cheia”, disse.


GOSTO DE SAMPA - BOA TARDE I (01.09.2017) (VOLUME II)

No Shopping Paulista. Aqui, conferindo vitrines e vitrines. É o programa do turista. De quem sai de sua cidade para turistar. Bom? Gostoso? Eu acho. Limpa a mente e lustra a alma, dando-nos trégua aos dias a dia da gente. Por isso que vez em quando turistar é preciso. 

“Vovô vamos à Praça de alimentação?”, perguntou-me. “Vamos Gui. Você manda, já o disse.” Nem me lembrei de que no meu Nordeste tenho verdadeiro horror às praças de alimentação. É que são muito barulhentas... Esqueci-me de me lembrar. 

“Vovô! Encontrei! Aqui tem ‘Taco Bell’!. Você gosta?”, perguntou-me Gui. “Não sei, Gui. Não sei. Mas, pergunta a sua avó. Porque outro dia me ofereceram um prato japonês, e ela partiu de lá dizendo: ‘Givaldo não gosta’. Sei lá se ela vai dizer o mesmo da comida mexicana. 



Agora, quer saber, Gui? Não pergunte nada a sua avó. Vamos nessa. Eu gosto!” 

E gostei mesmo. Também... Comida apimentada. Sou fascinado pela comida temperada, com um toque de pimenta. Uma delícia que eu voltaria a comer no mesmo restaurante - Taco Bell -, mas em outro Shopping.  

Gosto de viajar com meu netinho Gui. Ele, o primeiro dos cinco, tem 12 anos.  A irmã dele, Gabi, ainda muito nova para essas aventuras. De repente, bate a saudade dos pais. Como resolver essa parada? Os outros moram nos EUA - Bella, Sophia e Lucas. As duas primeiras, de Giovanna e o último, de Germana. Mas também muito novos ainda. 

Final do ano, todos aqui conosco. Vai ser uma farra. Ano passado a vivenciamos. Quando foram embora... Meu Deus! Que saudade! A casa ficou vazia. E, também, triste. Nunca pensei que netos nos dessem tanta alegria e gosto pela vida, essa dádiva do Senhor.  

GOSTO DE SAMPA - BOM DIA I (01.09.2017) (VOLUME II)

Gosto muito de São Paulo. Vez em quando levo meu netinho Guilherme conosco - eu e Emília. Disse-o desta vez: “Vou a São Paulo me encontrar com sua avó. Quer ir comigo?” No que ele me responde: “Quero, vovô. Também gosto muito de São Paulo.” “Então fale com seus pais”, disse. 

Durante esses nossos dias a dia em São Paulo, estas linhas levarão o título de “Gosto de Sampa”. Nossa estada será no Maksoud, que sempre nos acolheu muito bem nesta cidade. 

Emília, já em São Paulo, em nosso aguardo, já que aqui chegara desde sexta-feira (25), procedente de Paris, aproveitando as férias de nossas filhas, Germana e Giovanna, que moram nos EUA. Cheguei a perguntar: “Por que só as três?” E ela me respondeu: “Viagem só de mãe e filhas.” Fiquei na minha. Mas com uma pontinha de ciúme. Fazer o quê?   

Nosso desembarque, ontem (31), meu e de Gui, se deu por volta das 13 horas, no aeroporto de Congonhas, de onde partimos direto para o Maksoud. Lá, Emília já nos aguardava. De lá, saímos para almoçar, e só viemos a fazer Check In por volta das 16 horas. E por lá ficamos. E por lá jantamos. No “150”, restaurante do hotel. Muito bom! 

Só agora, quase 10 horas da manhã deste 1º.09.2017, abrimos os olhos. Abrimos? Eu, pelo menos, ainda na dúvida: abrir ou não abrir? 

Gui, de “falador ligado”, dizendo dos hábitos de seu professor de mandarim: “Ele toma café da manhã pelo menos uma vez por mês em um hotel chique da cidade.” Tive vontade de pedir a Gui para perguntar ao seu professor se ele já tomara café da manhã no Palace. Balbuciei, todavia: “falador ligado” Perguntou-me: “Que é isso vovô?” 

“É um eufemismo, Gui. Cá pra nós. Às vezes sou meio eufêmico. Ou seja: substituo expressões por outras mais suaves. Como não gosto de usar a expressão ‘sujeito tagarela’, ‘sujeito matraqueador’... suavizo essas expressões e digo ‘sujeito falador’. Aí quando o sujeito está naquele estado, lá venho eu e digo: ele está com o ‘falador ligado’.” 

Silêncio, todavia, diante das gostosuras das camas. Que pareciam, nelas, nos segurar. No mínimo, por terem gostado de nossas presenças.

Emília, “ligando o falador”, começa dizendo da nova concepção de aluguéis em São Paulo: “Um espaço, um vão, alugado para tantos exporem seus produtos, disse-me Aparecida.” Aparecida, amiga com quem Emília esteve por esses dias. Ela, que mora em São Paulo. “Vou falar com Dinho sobre o assunto.”, disse-me.  E por aí ia, ia. Sem parar. Com o seu “falador” disparado. 

Eu, dizendo a mim mesmo: não se dorme nessa cidade. Nem no Maksoud. Templo sagrado de Sinatra. Sim, de Frank Sinatra. Quando de suas incursões pelo Brasil. Que horror! Que horror! Não se dorme...

De repente: “Minha gente! Vamos embora! Senão vamos perder o café da manhã!” A ordem, não precisa dizer. Sabe-se de sua autoria. 

“Verdade!”, digo eu que, ainda sonolento, ouvi Emília, perguntar, ato contínuo: “E a programação de hoje?” Digo: “É com Gui. Passou horas montando. Certamente fazendo pesquisas, entrevistas... para saber do bom em São Paulo. Não vamos contrariá-lo. Vamos cumprir seu programa. E, integralmente. Neto é neto. E avós são para isso mesmo.”  

Descemos para o café. Uma beleza! Tudo! A começar pelo encanto, educação e atitude receptiva do controle do Restaurante 150. Lá dentro, os garçons muito servis e diligentes. Sobre as mesas, um anúncio: “Não hesite em solicitar a um garçom o que desejar.” Disse: “Mas que lindo!” Claro que a mim mesmo. Coisa de quem sabe das coisas nesse ramo difícil que é a hotelaria. Salve a paixão! O hoteleiro tem que ser sempre, sobretudo, um apaixonado pela arte de bem receber. E bem servir. Vou levar essa mensagem ao Palace. “Será que tenho que pagar algum direito autoral?”, pergunto a mim mesmo. 

Penso em Emília: aqui ela está feita. Olho pra Gui e digo: “Tá sabendo, não é Gui? Aqui, no Maksoud, temos que comer muito, sobretudo no café da manhã.” No que ele me fala: “Vovó, ontem comprei sorvetes. Botei na geladeira e ele derreteu todo!” Emília, de imediato, responde: “Gui, a geladeira da Unidade não tem congelador”. 

“Emília, teste o anúncio e peça ao garçom para colocar os sorvetes de Gui no congelador”. Ela falou com o garçom, e os sorvetes de Gui vão voltar a ser sorvetes. 

“Vamos, vovô! Vamos sair. Vamos!”, chama-me. “Vamos, Gui. Mas vamos todos, primeiro, ao Hospital Santa Catarina. Sua avó vai fazer um exame lá. Depois a gente sai à execução da nossa agenda.”, disse-o. “Nossa não, vovô. Minha!” De certo, Gui. De certo! Coisa de neto para vovô.