sábado, 7 de maio de 2016

PARABÉNS, SETÚBAL! (VOLUME I)

Aniversário do Setúbal. Gosto de estar presente ao aniversário do Lions Clube Recife Setúbal. Não sei se por Elton, quem sempre me levou em conta e com ele tive uma respeitável e sólida amizade; não sei se por Eulália, por sua doçura e seu jeito carinhoso de receber os Companheiros e Amigos. Ou, de todos e de todas que fazem esse promissor Clube de Serviços. Cuido que por eles - Elton e Eulália - e todos. Companheiros e Companheiras abnegados à causa do Leonismo. 

Elton trabalhara na SUDENE, e de lá me trazia notícias de meu primo querido, Osman, que também por lá labutara durante muitos anos no seu jurídico. De Eulália não esquecerei jamais, sobretudo de seu nome, que era o nome de minha mãe.

Nesse aniversário do Setúbal, não sei por que razão, mas na minha memória, veio a lembrança de Elton ao longo de toda solenidade. Ele que tanto me ajudou ao longo de meu mandato de Governador do Distrito para os Estados de Pernambuco, Alagoas e Maceió. Ele, como sempre acontece nesses aniversários de seu Clube, teria sido o grande homenageado, “in memoriam”, daquela noite, com muita justiça!

O Setúbal festejava naquela noite os seus primeiros 20 anos - Bodas de Porcelana. Outras, contudo, virão. Inúmeras outras Bodas. E enquanto esse Clube existir, e existirá por muitos anos ainda, o nome de Elton constará sempre na ordem das homenagens que o Setúbal tiver de prestar. 

Não seria exagero dizer que o Clube foi a razão de vida de Elton nos seus últimos anos. Tamanhos sua dedicação, carinho e prática de servir por servir. Na pureza e na profundeza da expressão, e isso, ele sabia fazer, magistralmente.

Não foi em vão a sua luta. Seus Companheiros, Companheiras, Amigos e Amigas estavam, lá, saudando aquela data - 06 de maio, comemorando a grande efeméride. Mas, também, festejando Eulália, e querendo dizer a ela, se é que não já vêm dizendo, faz tempo: “Você, a cada dia, deixa Elton mais feliz, porque você continua erguendo sua bandeira como se fosse ele que o fizesse. E, como ele soube fazê-lo...”

Penso, às vezes... Ah! Penso que Elton incentivava Eulália a capitanear suas iniciativas! E o fazia sem sentir. Sem que mesmo soubesse.

Parecia prepará-la para o futuro. Sem sua presença. Mas penso também que, mesmo em outro plano, Elton continua por perto, dizendo a Eulália que o Setúbal precisa seguir, e se sentindo cada dia mais feliz com o avanço de seu sonho.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

O LIVRO DE AUGUSTO (VOLUME I)

Augusto César, do Jornal “O Columinho”, convidou-me para o lançamento de seu livro “Memórias de Garanhuns”, que aconteceu na quinta-feira, 31 de março passado.  

Confirmei minha presença, mas, infelizmente, com compromissos inadiáveis fora da cidade, não me foi possível comparecer. Avisei-lhe, no entanto. E, depois, lamentei ter perdido a grande festa. Que soube muito boa e representativa, tendo reunido muita gente das Letras da cidade e autoridades locais. 

Ao seu livro, por insistência de Augusto, escrevi algumas linhas sob o título “Depoimento” e, nele, exaltei o monumento literário que acabara de ler, ainda nos seus originais. 

Por ele desfilam Marcílio Reinaux, Lígia Beltrão e Hildeberto Martins - três nomes que engrandecem nossa cidade. E são, por assim dizer, verdadeiros “monstros sagrados das Letras garanhuenses”. Grandes escritores! Excelentes cronistas!

Li, outro dia, uma crônica, assinada por Vanessa Bárbara, sob o título “Queria escrever”, publicada pelo Instituto Moreira Sales. Disse ela de seu desejo de escrever um texto: “Um texto tão bonito que o faça voltar pra casa, meu amor, sob o triste cochilo da lua”. E eu, daqui, tomo a liberdade de dizer: “Volta Lígia. Volta para tua casa, para tua cidade, que ela te receberá de braços abertos. Volta para tua Academia, porque sinto que, aqui, tu serás a imortal dos imortais. De repente, a imorrível, como bem quis ser nosso poeta Ronildo Maia Leite”. Mas... Quero registar, aqui, uma confissão: prefiro, no gênero literário, ler os Marcílio’s, Lígia’s, Carlos’s, Roberto’s, Wagner’s, Ronaldo’s, Hildeberto’s... a ler os Ruben’s, Verríssimo’s, Nelson’s, Millôr’s, Stanislaw’s, Vinicius’s... Porque falam da minha cidade. Da sua beleza. Da sua poesia. Enfim, de seus encantos. E o fazem, apaixonadamente. Porque, daqui, da “Cidade Simôa”, da “Cidade onde o Nordeste Garoa”, de Garanhuns do meu “Aconchego”, no dizer do nosso expoente maior, “O Mestre Dominguinhos”. 

Paixão em prosa, no gênero de crônicas. Crônicas com sabor de poesias. Poesias, que carecem de muito mais que talento. Que carecem de vidas... Vidas vividas. E vividas com muito amor... Na ingenuidade da infância. Da chegada da pré-adolescência e adolescência, aqui, no Planalto da Borborema, também conhecido como “Serra da Borborema”, que vem do sul. Lá, das Alagoas. Passa por aqui, e vai até Santa Cruz, no Rio Grande do Norte, numa extensão, em linha reta, de 400 km. 

Eles, sim, tiveram suas histórias e suas estórias contadas em suas crônicas, inspiradas nessas terras. Terras que querem mais, e sempre mais, até em reverência aos seus antepassados. Que sempre a quiseram.  

“Na minha adolescência, meninos e meninas tinham bicicletas só de marcas importadas... Menino que não tinha bicicleta - como eu - pedia aos amigos uma trisca...”, escreve Marcílio, lapidar e saborosamente, para nosso delírio. 

“As festas de rua, no Natal, e a de São Sebastião, onde os alto-falantes anunciavam músicas oferecidas por alguém... O pastoril, onde eu, empetecada e brilhosa era a Contramestra que cantava enaltecendo o cordão azul...”, escreve Lígia.  

Ou, ainda, já longe de Garanhuns: lá da Europa. Mais precisamente em Portugal, mais ainda, da imortal Coimbra, ela nos brinda com palavras como essas, carregadas de saudosismo, falando do Rio Ceira, que deságua no Rio Mondego: “Lembrava a minha infância e adolescência, com um rio a domar-me ante as travessuras... O Rio que deixei para trás e nunca mais fui visitar...” Chora Lígia. E me faz, também, verter água dos olhos, por me levar a um passado que não volta mais. 

Por fim, Hildeberto. Sou seu leitor, desde aqueles tempos idos. Leitor, discípulo e admirador. Sempre presente em sua casa, aqui, na Avenida Rui Barbosa. Eu, menino, ainda, e já de olho nele para receber um pouco de seus ensinamentos. Observar, mais que um pouco, a sua postura de adolescente sensato, equilibrado, e sem açodamento nas atitudes, até no andar. Dele, li tudo ou quase tudo que escreveu: E o fiz no estilo recomendado por Émile Faguet: “Bem devagar, e, em seguida... bem divagar...”. Li “As Travessuras de Coco Chinês”, “A Pedra do Oratório”... E uma infinidade de editoriais, os quais li, reli e voltei a lê-los, de novo. Pensando no que nos ensinara Flaubert: “Ah! esses homens do século XVII! Como sabiam latim! Como liam devagar!”

 
Hildeberto nos ensina como tratar um amigo de verdade. Como ser-lhe grato: “Rossini, você nos surpreendeu. Viajou fora do combinado... Pegou-nos no impedimento, aquém ou além, não sei dizer bem, da linha da vida... Manda-nos sempre um ‘alô’, enviando também seus artigos, suas crônicas geniais, uma página inteira...” 

Perdi. Perdi a festa de Augusto. Que fez muito mais para o seu querido pai, Lúcio, in memoriam, do que para ele.

Eu parecia que não queria receber a homenagem do amigo Augusto. Na verdade, dela não sabia. Sabia de sua festa. E só. A homenagem, depois soube, seria uma surpresa. E minha falta de percepção perdurou. Que horror! Ele convocou os amigos e foi-me prestá-la, lá, em minha casa, com tantos, num santo domingo. Que é somente meu. Meu, de minha família e de alguns amigos. Onde se joga conversa fora. Coisa que os dias a dia da gente não me deixa fazê-la. 

Obrigado, Augusto! Obrigado amigos, que, como ele, estiveram naquele domingo a me homenagear. Quanta bondade! Sou-lhes grato.

terça-feira, 8 de março de 2016

DIA INTERNACIONAL DA MULHER (VOLUME I)


Evidente que a beleza de uma mulher não está só em suas roupas. No penteado de seus cabelos. No gosto de sua maquiagem...

A beleza de uma mulher é tão infinita que prefiro dizer que está, sobretudo, em sua alma. Em sua doçura. Em sua paixão... Enfim, em seus gestos, que entendo vindos de lá de dentro do coração com a sua capacidade de amar e ensinar a amar. 

Por isso que me ombreio a todas as mulheres neste dia de louvação a elas. Neste dia em que lhes cabe muita reflexão sobre sua realidade no passado, sobre sua realidade no presente, sobre as conquistas que ainda lhes faltam alcançar.

Da caminhada longa e espinhosa, que encararam, vencendo preconceitos, os mais abusivos e absurdos... Lutando contra forças poderosas e reacionárias, que as consideravam verdadeiros subprodutos humanos, mas que chegaram, por aqui, no Ocidente, devagarinho, devagarinho, nas décadas de 1910 e 1920. Um pouco mais, em 1932 e 1934, no Brasil, com o direito ao voto; em 1946, com o dever ao voto; posteriormente, na década de 1960, com suas presenças nas ruas, cobrando sua melhor inserção na sociedade; mais adiante ainda, em 1977, com sua relevância internacional, em boa hora, reconhecida pela ONU, dedicando este dia a elas.  Sem esquecer que, um pouco mais na frente, em 2008, era criada a campanha “As Mulheres Fazem a Notícia”, ampliando essa relevância em todo o mundo, através da atenção à igualdade de gênero.


Mas a grande luta das mulheres, hoje, no meu entender, foca a sua maior participação política, visto que somente cerca de 10% delas têm assento em nosso Congresso Nacional. Percentual muito baixo, sobretudo se levarmos em conta que a maioria de nosso eleitorado é formada por mulheres. 

Penso que essa deve ser a grande luta das mulheres nesse limiar de milênio, e já há quem diga, com grande atraso, se nos lembramos de que já estamos no ano de 2016, e somente com a última eleição de 2014 é que as mulheres conseguiram pontuar 9,9%, ou seja: 51 mulheres fazem partem da nossa Câmara de Deputados, num colegiado de 513 membros. O crescimento foi muito pouco se compararmos a última eleição de 2014 com a penúltima de 2010, quando as mulheres eram representadas, apenas, por 45 delas, numa Câmara de igual tamanho - 513.   Ou seja: uma relação de menos de uma mulher para cada dez deputados homens. No Senado, o cenário não é diferente. Tendo se renovado apenas em 1/3 nessas últimas eleições, e considerando as já existentes naquela Casa, as mulheres contabilizam 11 de um total de 81 senadores, ou seja: apenas 13,6% da Casa formada por elas. 

Veja que só em 1932, com Getúlio Vargas, as mulheres conquistaram o direito ao voto, mas com uma série de restrições, como: se casadas, com autorização do marido, e, se solteiras ou viúvas, se provassem renda própria. Dois anos depois, também com Getúlio Vargas, em 1934, é que essas restrições foram abolidas. Mas elas continuavam apenas com direito ao voto. Só em 1946, afinal, e com a redemocratização, é que elas, as mulheres, passaram a ter, como os homens, o dever ao voto, e, mais recentemente, em 2009, a nossa legislação eleitoral criou a chamada “cota feminina” mínima e obrigatória para elas.

Vanessa Grazziotin, senadora pelo estado do Amazonas, considera a situação atual das mulheres “muito grave”. Segundo ela: “Somos mais de 50% da população e do eleitorado. Respondemos por 45% da produção deste país e pelo sustento de 1/3 das famílias. Mas todo esse protagonismo não reflete na nossa representação política. O problema tem sua raiz na discriminação que as brasileiras sempre sofreram em todo esse processo histórico. As desigualdades no mercado de trabalho, nas famílias e em outras esferas sociais ainda estão presentes.” 

Ela diz crer que vencer o preconceito é “um processo de longo prazo, para o qual os percentuais de recursos e de tempo de propaganda previstos, hoje, são claramente insuficientes.”

Saúdo, portanto, todas as mulheres brasileiras, e, em particular, as mulheres da minha cidade, neste dia tão importante para elas. E, daqui, exorto todas elas a continuarem a sua luta histórica.

Que esse dia seja de reflexão e de chamamento à luta de todas as mulheres. Que suas bandeiras sejam, sempre, por uma vida mais igualitária.

sexta-feira, 4 de março de 2016

PEDRO HUGO ( VOLUME I)

Pedro Hugo Maranhão Fernandes. “Amigo dos Amigos”, sempre me disseram! E eu, aqui, registraria, dentre tantos, dois: o meu cunhado Celso Benigno Silvestre Valença e José Luiz Fernandes Zoby. Amizades que vêm de longe... De crianças. De pré-adolescentes. De adolescentes... De toda uma vida. 

Com Pedro convivi muito pouco, ou quase nada. Até porque, ele, de outra geração, de outro ofício. Mas acompanhei, de longe, alguns passos de sua vida, de sua trajetória, do bom médico que foi e do político da época muito difícil da ditadura. 

Bom de bola, Pedro jogava no então bairro do Arraial da cidade e, dentre os “peladeiros”, havia Neném, com quem disputava a taça dos melhores da época. 

Sim, Neném. Ele que, como Pedro, mudaria de profissão para ser, mais tarde, famoso com sua sanfona: o nosso Mestre Dominguinhos. Que voltaria, mais tarde, depois de percorrer todo este país, ao seu “Aconchego”. 

Não me saem da cabeça os seus versos: 

“Estou de volta pro meu aconchego
Trazendo na mala bastante saudade
Querendo um sorriso sincero
Um abraço para aliviar meu cansaço
E toda essa minha vontade”

Pedro foi ser médico - e dos bons -, com residência em cirurgia e especializado em cirurgia infantil, tendo feito história na cidade como grande profissional que era. 

Deus chamou Pedro Hugo neste último 23 de fevereiro, pertinho de seu aniversário, já que colheria mais uma rosa no jardim de sua existência, em data de 28 de fevereiro, cinco dias, portanto, antes da festa que fariam, com certeza, por aqui, em sua homenagem, sua esposa, seus três irmãos, quatro filhos, dez netos e indizíveis amigos.

Pedro Hugo teve breve incursão política em Garanhuns. E, em época difícil, muito difícil à atividade, devido à ditadura, com seus Atos Institucionais e Complementares. E, com estes, seus “Pacotes”. Seus entulhos autoritários, que, reunidos em Decretos-Leis, recrudesciam mais ainda o regime, roubando a esperança de tantos que sonhavam com a volta da democracia ao país, que só viria ocorrer muitos anos depois, em 1985. Cassavam vocações. Matavam vocações. Impediam o surgimento de outras. Inibindo e afastando a juventude do exercício político, do exercício do espírito público. 

Foi nessa situação jurídica-eleitoral que o nosso personagem disputou as eleições de prefeito de Garanhuns, ganhando e não levando por não ter conseguido superar o somatório dos votos obtidos pelos candidatos do então PDS. 

Imagino que, por isso, Pedro Hugo desistiu de sua passageira incursão política. Mas, quem sabe? Acuado, desiludiu-se, decepcionou-se... 

Não era, no entanto, para lhe ter ocorrido isso. Até porque, penso, ele teria sido o grande vitorioso moral naquela eleição. Mas, certamente, sem vocação, tornou-se recluso da sua desilusão, da sua decepção... E tudo por conta dos entulhos, que somente seriam expurgados, definitivamente, da Legislação Eleitoral Brasileira, através da Emenda Constitucional 25, de maio de 1985, que passou a permitir coligações partidárias que suprimiu as famigeradas sublegendas, que extirpou do processo eleitoral o voto vinculado, aberração que obrigava o eleitor a votar, no mesmo partido, de vereador a governador, e vice versa. E o candidato - caso seu partido rejeitasse essa regra, a lutar contra a soma dos votos, de até três candidatos de um mesmo partido adversário. 

Penso, hoje, que Pedro Hugo não tinha vocação para esses embates, como certamente, tinham o saudoso Ulisses Guimarães, a nível nacional, e Humberto de Moraes, a nível local. Embates que são perversos, desiguais, difíceis, cruéis, duros... E que continuam sendo ainda em nossos dias. Que dirá naqueles anos de escuridão, quando esses embates aconteciam com regras, previamente estudadas, medidas, elaboradas, dentro dos gabinetes. Longe do Congresso fechado, de recesso forçado. E, sobretudo, humilhado... Tudo de roldão, sem a oitiva de quem quer que seja. Além deles mesmos que pensavam, igualmente. E tudo porque o poder não havia perdoado 1974, quando a maioria esmagadora da população brasileira disse, enfática e eloquentemente: “Basta! O perigo passou!” E numa eleição para renovação de 1/3 do Senado, 16 das 22 cadeiras foram preenchidas pelos que pregavam o “Basta!”. Eram 72,72%, portanto. Representada pela oposição. Pelo então MDB. “Queremos a democracia de volta”, diziam.

Tivesse Pedro Hugo perseverado, marchado em frente, penso que ele teria sido convocado, novamente, para outros embates. Quem sabe em 1988? Ou em 1992? Houve tantas eleições depois da sua. Depois de 1982. E de presságio em presságio - vencendo infortúnios, representados pelos casuísmos do dia, estamos construindo o futuro da pátria que queremos: democrática, igualitária, solidária, fraterna... Para todos. 


Descanse em paz, Pedro Hugo. Seu nome ficou na história política de Garanhuns. E como exemplo de dignidade. De lealdade. De coragem... A serviço de Garanhuns e de sua gente.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

MULHERES BRASILEIRAS (VOLUME I)

Hoje, 24.02.2016. As mulheres brasileiras comemoram o “Dia da Conquista do Voto Feminino”. Há exatos 84 anos, portanto. Já que instituído em 1932, apesar das restrições a ele impostas, a exemplo de que ao voto só teria direito a mulher casada, com autorização do marido, e as viúvas e solteiras com renda própria. Essas restrições, todavia, foram eliminadas em 1934, mas foi em 1946 que o voto passou, também, a ser obrigatório para as mulheres. Porque até então era só um direito, não um dever, como passou a sê-lo até nossos dias.

Para chegarmos ao patamar de hoje, ou seja: o voto obrigatório também às mulheres, a caminhada foi longa e lenta. Para se ter uma ideia, a discussão sobre o voto da mulher só foi chegar ao Congresso em 1891, sendo, contudo, rechaçado pela maioria dos congressistas que apostavam na inferioridade da mulher e no perigo que o voto feminino poderia acarretar à preservação da família brasileira.        
 
Cumpre referir o pioneirismo da estudante de direito mineira, Mietta Santiago. Ela, educada na Europa. De volta ao Brasil, descobriu em 1928 que o veto ao voto das mulheres contrariava o artigo 70 da Carta Magna do Brasil de 1891, então em vigor. Impetrando Mandado de Segurança, teve seu direito confirmado, tendo votado em si mesma, já que candidata a Deputada Federal naquele ano. Seu gesto de coragem e enfrentamento serviu de inspiração ao grande poeta Carlos Drummond de Andrade, que fez um poema em sua homenagem: 

“Mietta Santiago,
loura poeta bacharel.
Conquista, por sentença de Juiz,
direito de votar e ser votada
para vereador, deputado, senador,
e até Presidente da República,
Mulher votando?
Mulher, quem sabe, Chefe da Nação?
O escândalo abafa a Mantiqueira,
faz tremerem os trilhos da Central
e acende no Bairro dos Funcionários,
melhor: na cidade inteira funcionária,
a suspeita de que Minas endoidece,
já endoideceu: o mundo acaba.” 

As mulheres brasileiras, portanto, têm tudo para comemorar esta data, no que pese a tristeza com que encaramos, hoje, nossos quadros políticos. Mas que somente poderemos melhorá-lo com a participação efetiva de todos e de todas. Homens e mulheres que, deveras, queiram o melhor para o nosso país, para o nosso estado e, particularmente, para a nossa cidade. 

Parabéns, mulheres garanhuenses!

domingo, 3 de janeiro de 2016

QUE SAUDADE! (VOLUME I)

Estava a organizar e ordenar alguns álbuns de família. Ofício que carrega a gente de saudades, de emoções, de muitas emoções... Dá trabalho? Que nada! É prazeroso. De repente, surpresas mil. E mais surpresas, porque eles registram passagens de nossas vidas, que imaginávamos apagadas de nossas memórias. E que, de chofre, a gente volta ao passado, e se reencontra com momentos que gostaríamos que voltassem. Em mãos, faz pouco, fotos de minhas filhas, Germana e Giovanna, com suas avós, Deolinda e Eulália.


Bate-me imensa saudade. Lembrança de momentos vividos com as duas. Uma, minha mãe. A outra, minha sogra. Delas, sempre tenho grandes passagens e lembranças a recordar. Que me apertam o coração. Para mim, duas Santas. No que pese de estilos de vida diferentes. Minha mãe, mais afirmativa, corajosa e agitada. Minha sogra, mais comedida, passiva e tranquila. Duas Santas, no entanto - repito. Santas pelo carinho e pelo amor que dispensavam a todos quer fossem pobres, ricos, pretos, brancos, letrados ou não, oprimidos e poderosos...

Irreprimivelmente, dedico o maior respeito a todos os meus que se foram. Olho-as. Volto a olhá-los com solenidade e reverência. Que, às vezes, passa-me a lembrança do temor que deles tinha no limiar de minha existência. Nos meus verdes anos de criança. 

Dos meus ancestrais, só conheci o meu avô Assis. “Coronel Assis”, como o chamavam. Não conheci minha avó, Flora. 

Minha mãe falava muito de sua doçura. De sua religiosidade. De seu apego às Obras Divinas. Foi meu tio Luiz, irmão de minha mãe, quem, em vida, me presenteou com uma pintura, retratando a imagem de meus avós maternos. Há pouco mandei restaurá-la. E está aqui, na minha Galeria.  

Não tenho, no entanto, no meu acervo, nada que me lembre de meus avós paternos. Por quê? Nunca soube. Nunca me disseram. Gostaria tanto de vê-los em pintura para poder restaurar como fiz com a pintura da imagem de meus avós Assis e Flora. E completar minha galeria, que cuido com paixão, orgulho e zelo. 

Sou, incorrigivelmente, adepto dessas fotos do passado. Recente ou distante. Gosto! Sou, nesse ponto, à antiga. Como diria a cronista Fátima Quintas: “Gosto de sentir a consanguinidade dos ancestrais, de modo a cultuá-los com veemência”. E eu os cultuo. Sobretudo quando registram encontros como esses: duas avós que se foram com duas netas que as queriam e amavam muito.

Em minha casa, tenho um espaço só para esses registros. Aqueles que lá adentram me dizem que gostam muito. Cobrem-me de elogios, que espero sinceros.

Cultuo fotos, sobretudo de família. De ascendentes, de descendentes - avós, pais, irmãos, primos, filhos, netos... da consanguinidade. Enfim, de todos. Incluo, de igual modo, aqueles que se juntaram a ela. A essas fotos, que me conferem a sensação de estrar mais próximo de meu Criador, dedico solenes altares e respeitáveis liturgias... E esse estado me anima e me enriquece. Tudo isso me faz bem e me deixa feliz. 

Às vezes, em casa, desço para contemplá-las. E fico a dizer-me: “Ah! Faltam tantas, ainda”. Tantas... Como as de meus avós paternos. 

domingo, 20 de dezembro de 2015

É O NATAL LUZ! É O ANO NOVO! É O JAZZ FESTIVAL! (VOLUME I)




Acordo. Ainda é madrugada. Percebo que só um dos meus olhos a aprecia. O outro parece pedir mais um pouco de repouso. Até por minhas compulsivas leituras, noites adentro. Pede o outro, mais um pouco de deleite. Só o outro? Só um deles?

No que pese a isso tudo, levanto com a ideia fixa de que tenho que partir à luta. E feliz da vida por sentir avanços. Avanços, apesar de tudo... Apesar dos pesares... Digo a mim mesmo: hei de vencê-los com as armas de que disponho e que Deus me deu: meu entusiasmo pelo trabalho, a que chamo de minha terapia. Meu êxtase. Talvez, únicos. Que agradeço ao Senhor, sem reclamações que nunca me ocorrem. 
Afinal, para que lamentar-me? Tenho sim, muita reverência a Ele. E com muita fé no amanhã. Milagre divino. Sempre renovado. Quem viver verá.

Levanto-me, e vejo que a cidade amanhecera coberta de névoa. Cinzenta. E, já desperto, de olhos bem abertos, lembro-me que já é dezembro. Que estamos vivendo a beleza do “Natal Luz” da cidade. Que não pretende ser o maior do planeta, mas que lutará com a força de cada garanhuense para ser, um dia, o maior do Brasil.

Já no escritório, cuido das minhas tarefas.  Chega a noite. E, com ela, a garoa que vai virar a madrugada. 

Bate-me, de repente, lembranças de anos passados. Ocorrem-me: fora à Igreja. À Matriz de Santo Antônio. E, nela, o nome: Matriz. Este é o nome, digo, que dará azo a outro nome: Matriz Center. Em gestação. Em obras. Reverência a ela: Matriz. Matriz de Santo Antônio. 

Hoje, volto à mesma Matriz: a Matriz de Santo Antônio. Faço minhas orações. E, de coração leve, parto... Parto para conferir a grandeza da magia de minha cidade. Não, sem antes me lembrar de suas missas aos domingos, estas celebradas pelo Monsenhor Tarcísio Falcão, que também fora meu professor. E, também, para dar uma olhadinha a outro local de igual importância, denominado matriz: Matriz Center. Este por mim entregue à minha cidade em 1987. Aquela, por nossa Igreja, no já distante 1859.    

Vivemos o mês de dezembro, e a cidade continua frienta como se vivesse o mês de julho. Como se estivesse ainda a saudar o seu inverno. 

Lembro-me de palavras expostas em parede do Palace: “A cor de chumbo das nuvens dos meses de maio, junho e julho parece que se repete nessa madrugada de dezembro, e de outras, indicando colidir com os tímidos raios solares, que apontam à crença de emanarem de mãos divinas, sendo lançados sobre minha cidade” - escrevera-me, outro dia, um amigo que prezo, deixando meu espírito nas nuvens e tomado de satisfação. 

Os pardais, com suas asas molhadas, cortavam o céu no início dessa manhã e da maioria dessas manhãs desses dias de dezembro como se quisessem anunciar o nascer de um dia esplendoroso, que só veio, e que só vieram bem mais tarde. Por esses dias de dezembro, tamanhas as trovoadas que desabaram dos céus divinos que, de repente, tive a sensação que estivéssemos vivendo dias de nossos invernos.

Pensei ainda: “É o Natal que se aproxima, e as chuvas dessa madrugada estão a saudar a proximidade do nascimento do menino Jesus. É o Natal que se aproxima... Que ainda se aproxima, e nós já estamos a saudá-lo com uma programação que aponta para o que serão os Natais que hão de vir em nossa cidade”. Natal e Ano Novo. Ano Novo e Jazz Festival. Este que se sagrou... Este que se notabilizou... Como a cara de Garanhuns. Pela ousadia de sua gente. Pela coragem de seu povo. De transformar o tríduo momesco em um grande Festival. 


Em mais um Festival de Garanhuns. Da terra “Onde o Nordeste Garoa”, como disse o poeta. Ou da “Cidade dos Festivais”, como diz a paixão garanhuense. Que recebe milhares de turistas de todo esse Nordeste, que vibram com Garanhuns porque o Jazz diz alto, lá fora, que no Nordeste não só existe seca, fome, miséria... Mas que aqui existem também clima, cultura, atmosfera... E apaixonados pelo que há de melhor em manifestações culturais no mundo. Que Garanhuns, no tríduo, se transforma na capital internacional do Jazz, fazendo lembrar àqueles que para aqui acorrem, o mundo artístico-cultural de cidades como Nova Orleans, Chicago e Nova York, nos Estados Unidos.  

De repente, por conta das trovoadas, a destempo, a cidade fica sem internet.  Serão as chuvas de dezembro, querendo anunciar que, em pouco tempo, chega o nascimento de Jesus Cristo? Sim, o Natal? 

Penso de novo: “Como eram nossas conversas, lá atrás, sem essa maravilha... Sem esse milagre... Ou quase milagre humano, chamado internet?”


Imagino que por isso nasciam tantos.  Hoje,  poucos. Como ou quase como na China. E, quando nascem, os anos já decorreram.

Não. É Natal. E com ele, já, já, o Novo Ano. E... Ato, quase contínuo, o Garanhuns Jazz Festival. 

Salve Garanhuns! Por isso que não quero nunca sair de minha cidade. Porque ela é valente. Ousada. Ambiciosa... Porque ela tem foco. Diria, até, focos... Que a alimentam. E que lhe apontam para o futuro. 

Meu Deus! Tenho que ir trabalhar...  Apesar de ser Natal. Apesar de ser Ano Novo. Apesar do Jazz que se aproxima.

Tenho que ir trabalhar. Tenho que ir ajudar a receber como reis e rainhas, no mínimo como príncipes e princesas regentes, àqueles e àquelas que chegam à cidade. Já estou com os dois olhos bem abertos... Mas sem internet? Como hei? Mas vou. Pelo menos trabalho com o milagre da vida. E esta foi Deus que me deu. E só Ele pode me tirar. Só Ele!