segunda-feira, 5 de setembro de 2016

OBRIGADO, SENHOR! (VOLUME I)

Vocês são muito carinhosos conosco. Todos: Natanael, Romildo, Paulo, Eulália, Wilma, Flora, Geise, Tetê, Ruth... São tantos! São tantas! Enfim, vocês todos e todas!

E o que dizer de nossos cronistas? Cronistas da família. Cronistas das Academias. Cronistas... Deixa-nos vertendo lágrimas. Como deixaram indizíveis familiares. Amigos e amigas, aqui, não reverenciados.

De uma das crônicas de família que nos chegou, agora, apesar de datada de 02 de setembro de 2012, saboreamos essas recordações, que não as entendemos a destempo, a despeito de a família ter crescido nesses últimos anos: 

“Há 40 anos, um estudante e uma estudante começaram a viver uma bonita história. Um casamento como outro qualquer: Maria Emília e Givaldo... Tio Padre os abençoou aos pés do altar. O juiz os uniu em frente à sua mesa. Os acontecimentos bons, até agora, suplantaram os mais difíceis. Um casal vencedor, tendo como principal razão de suas vidas, uma bonita família.”

E mais outra das Academias:

“Hoje, vocês estão completando 40 anos de casados, representados em celebração pela simbologia das ‘Bodas de Carbonato’... Givaldo e Emília, muitas dificuldades vocês enfrentaram na vida, muitas lutas vocês venceram juntos... Foi preciso muita coragem para vencer tudo aquilo que vocês dois encararam, tudo que passaram. Isso tudo, sem dúvida, é um belo exemplo de vida... Acreditem: muitas coisas ainda vão mudar e melhorar. Vocês ainda têm uma vida inteira pela frente, para aprender a ser família, e não apenas um casal... Casamento não é para qualquer um...”

E mais. E mais... Que a todos agradecemos e pedimos para se considerarem referenciados nessas tortuosas linhas.

Mas, de repente, outra que foi demais... Que foi fundo... Que não podemos deixar de referir. Ela lembra o diálogo de Matias Cardoso com Fernão Dias. Eles, bandeirantes do Brasil. Do Brasil que surgia para ser o país que é hoje. Matias, lugar-tenente de Fernão, arrefecera o sonho de encontrar esmeraldas, e fora anunciar sua deserção ao chefe, ao seu govenador Fernão Dias. 

O amigo cronista, citando Paulo Setúbal, destaca: “Fernão Dias escutava, arrasado. Podia esperar tudo, menos ouvir de Matias Cardoso a dureza que estava ouvindo. E dizia ferido: ‘Vós, Matias Cardoso? O meu lugar-tenente? O que eu busquei com tanto gosto? Vós?’ ‘Eu mesmo, D. Fernando! Digo e repito: desanimei. Não continuo mais. Já reuni os meus homens. Estão todos prontos. Hoje mesmo deixamos a Bandeira.’ Fernão Dias refletiu e disse: ‘Está bem, Matias Cardoso. O companheiro mais querido abandona-me no momento cru. Não importa! Eu tendo vencido índios e feras. Hei de vencer a ingratidão dos amigos.’  

Você, Givaldo, nunca abandonou um amigo. Por isso quero lhes saudar nessa hora, a você e a Emília, pelo exemplo que vocês nos dão.” 

Que Deus nos abençoe nessa caminhada. Que já faz anos. Que, no entanto, seu primeiro dia, ainda presente em nossas memórias, dele nós recordamos como se fora ontem. E Deus tem sido muito bom conosco por isso.

Muito obrigado, Senhor! Ontem, éramos apenas nós dois aos pés do Vosso Altar, naquela noite fria de Garanhuns de 02 de setembro de 1972, na Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

Hoje, somos 13. Nós dois, seis filhos e cinco netinhos. E todos vivendo num ambiente de muita paz e compreensão e, sobretudo, seguindo os Vossos ditames e a eles tementes.

E agradecidos por ouvirmos, como acabamos de ouvir, outro dia, de nossa netinha Isabella. Ela, que vive nos EUA: “Eu quero ir para o Brasil.” E de nossa netinha Gabriela: “Eu quero morar em Garanhuns.” 

 Por fim, fazemos nossas as palavras do grande Victor Hugo: “Errem, caiam, pequem, mas sejam justos. Porque ser santo é uma exceção. A regra é ser justo.” E que Deus nos conserve assim. Com nossa família. Com nossos amigos. E com toda a sociedade.  

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

O FIG É PARA QUEM VEM DE FORA (VOLUME I)



Fim da XXVI Edição do FIG. Que esse ano foi débil. Pálido. Cinzento. Dele, cuidaram muito tarde. Até seu período foi anunciado dias antes de seu início. Depois suspenso. E depois? E depois... E assim ficou até às vésperas de sua abertura. Programação? Nem falar... Deixando atônito aquele público que a ele acorre de maneira crescente e fiel. Pelo FIG. Pela cidade. Pelos encantos e belezas de ambos. 

Hotéis obrigados a devolver centenas de diárias vendidas e sinalizadas. Restaurantes e bares suspendendo inúmeros pedidos para reforçar seus estoques. Um verdadeiro imbróglio. Triste. Muito triste. Tristeza de mau gosto.

Hotéis, restaurantes e bares viveram momentos de aflição, rompendo contratos, dispensando mão de obra, mal dizendo do embaraço e da embrulhada da situação. Lojistas inseguros sobre se reforçariam seus estoques, sobretudo de roupas quentes. E, muito ruim, sem uma palavra de consolo para aliviar a grande dor que tomou conta de todos os segmentos da área. 

Daí, o resultado. A cidade perdeu. E muito! Avalia-se que de 40% a 50%. Muito ruim para sua Economia, já ofegante, já combalida...

O FIG é, sobretudo, para quem vem de fora. Do Recife. De João Pessoa. De Natal... De Maceió. De Aracaju. De Salvador... Enfim, de todo esse Norte e Nordeste brasileiros. E, daqueles do Sul e do Sudeste, que não acreditam que no Nordeste exista uma cidade como a nossa, com o nosso clima. E vêm conferir. O FIG é para turistas. Para aqueles que vêm deixar seus reais na cidade. E são dezenas de milhares que ela espera todo ano. E o que se observa é que a cidade agradece a todos e a todas por suas presenças. E, por cima, ainda, reitera o convite para que voltem no ano seguinte.

Nossa cidade sonha com um FIG no modelo Gramado. Com um FIG nos moldes de Campos do Jordão. Milhares de turistas em nossa cidade. Nossa população faturando. E nossa Economia, crescendo. 

Naquelas cidades, termina um evento, já começa outro. Diria até: mal termina um evento outro já começa. E tudo planejado com bastante antecedência. Não se vira um ano sem se saber do que vai acontecer no ano seguinte. Mês a mês. De janeiro a dezembro. 

Somos considerados o maior Festival de Inverno não só daqui do Brasil, mas de toda a América Latina. Pela multiculturalidade de nossos espetáculos. Por sua exaustiva programação... Mas é de se perguntar: “É só desses títulos de que precisamos, hoje, passados tantos anos?” Penso que não. 

Urge que o reinventemos. Que o transformemos em um espetáculo de maior retorno à nossa população. E, aí sim, podermos assegurar distância dos nossos concorrentes do sul e sudeste brasileiros. 

Já que somos o maior produto cultural de Pernambuco nas terras de Simôa; já que alcançamos a irreversibilidade de sua existência, temos, repito, que nos reinventar, sob pena de descermos a escada da degradação.

Não perco de vista que o FIG começou maior - 13 a 28 de julho. Era o ano de 1991. Portanto, nascemos com 16 dias. Hoje, encurtamos para 10. 10 dias? Quando ele exige, para os que estão lá fora poderem se agendar melhor, que seja, pelo menos, de 30 dias. Ou seja: com 04 finais de semana, como acontece, de resto, com o São João de Caruaru e Campina Grande, e com os Festivais do sul e sudeste brasileiros. Sem embargo de, durante a semana, de domingo a quinta-feira, estarmos com nossos artistas locais e regionais em todos os seus polos e palcos. E temos tantos! Mas com a certeza de que, aqui, estarão milhares de turistas, impactando com seus reais a nossa Economia.

Estou a estrebuchar? Não! A bravatear alguém? Penso que estou simples e humilde, a dizer o que venho dizendo há muito anos. E quem conhece minha história sabe disso.” 

Do Festival de Inverno de Garanhuns, falo desde o primeiro, no já longínquo ano de 1991. Bastou aquele... Só ele, para Garanhuns e Pernambuco saberem que estavam a contemplar o nascimento do futuro maior produto cultural do estado.      
    
Que tenhamos, portanto, mais cuidado e zelo com o nosso FIG. Ele, que é Patrimônio Cultural e Imaterial de Pernambuco, em Garanhuns. Já, já, Patrimônio Cultural e Imaterial do Brasil, em Pernambuco. 


sábado, 30 de julho de 2016

ESCORRIA NO TEMPO (VOLUME I)

 Não, amigo. Não! O Wagner é daqui. Das terras de Simôa. Que um dia resolvemos homenagear, atendendo a tantos pedidos da sociedade civil organizada da nossa cidade. Não, amigo. Não! No que pese Clarice ser internacional. No que pese ser a nossa maior contista, romancista... Enfim, a nossa maior... É que Wagner é daqui. E digo isso não porque ele trabalhou comigo. Mas, talvez, até por isso, também, porque, aí, conheci melhor o seu talento. 

Vejo Wagner, portanto, como a nossa Lispector de calça, no porvir. E estamos conversados. 

Ah! Sei lá. Sei lá. Preciso ordenar melhor minha cabeça. Focá-la num objetivo. Objetivo ainda não definido. De vida? Sei lá. Sei lá. Até quando? Cobro-me. É terrível, amigo.

Enquanto decorre... E escorre... Recebo repetidas cobranças de amigos e amigas como você. O que dizer? Valho-me do Senhor. E, resignado, deixo tudo em Suas mãos. 

Prosa é conferir em “Isso Que Escorre”. Que li num fôlego só. E por ter feito isso, sobrou-me tempo para conferi-lo. Devagar. Devagarinho. A tempo de avaliar a dor de Cássia e a tristeza de Murilo na peleja em que se meteram. Sobretudo, quando o amor deles “escorria” no que se chamava tempo. O “inconfessável tempo” e seus atos.

Penso que Wagner conseguiu contar em seus maravilhosos contos, muito do que a grande Clarice Lispector não contou em seus “Todos os Contos”. E a todos digo isso. Como o disse nessa XXVI Edição do FIG. A Karina. A Aristóteles. E a tantos presentes. 

Aposto nesse “menino”. Sei de sua dedicação às Letras. Estas, da “Última Flor do Lácio, inculta e bela”.

Conheço-o! Por isso, permito-me dizer: Aposto nesse “menino”.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

CHAPLIN RESSUSCITOU? (VOLUME I)

Amigos me deram um susto. De Repente, Chaplin no Camarote com todos nós.

Da minha cabeça, a lembrança de sua morte no Natal de 1977. Ele, já aos 88 anos.

De repente, também, a lembrança do roubo de seu cadáver, com caixão e tudo, de sua sepultura em 1º de março de 1978. Mais que de repente, ainda, a lembrança do tampão de 1,80m de espessura que a família colocara em seu segundo sepultamento, para evitar mais malfeitos a seu túmulo.

Será que Chaplin ainda está entre nós, decorridos tantos anos? Não duvido. Não duvido... Sobretudo em dias como os que hoje vivemos em nosso país. Roubos, roubos e mais roubos... Que talvez tenham chegado até a Suíça, onde ele se encontra enterrado, no cemitério Corsier-sur-Vevey.

Será que roubaram de novo o cadáver de Charles Spencer Chaplin? E ele ressuscitou para estar conosco nessa XXVI Edição do Festival de Inverno de Garanhuns?

Devaneando em meio à beleza, ao encanto e à magia do Festival de Inverno de Garanhuns? Ou embriagado pelo calor humano de tantos amigos e amigas que nesses momentos se juntam para saudarem Garanhuns?

É que, nessas horas, aqui, homem comum vira Papa Francisco. É que, nessas horas, aqui, gente do povo vira Charles Chaplin... 

São fatos que somente ocorrem em Garanhuns? Ou nesse nosso planeta, cada vez mais plano, em algum lugar, devaneio e embriaguez pelo entusiasmo dos amigos nos levam a tanto?


Não! Isso não pode acontecer. Nem aqui, nem alhures. No que pese o próprio Chaplin. No que pese Evita, e esta, faz pouco, diziam nas redes que teriam seus restos mortais sido violados. Não! Não pode ter sido. Estive lá, onde ela está. No Risoleta. A sepultura é profunda. Metros e metros de profundidade - penso que 60. E placas e placas de concreto a cada 5 metros. 

Mas eis que um amigo meu me sai com essa: “Givaldo, Chaplin, não. Ele nunca vai ressuscitar. Ele não era político. Evita Perón, quem sabe? Já foi uma. De repente, ressuscita novamente. Político é assim. Difícil de morrer. Mas fácil de ressuscitar”.





sábado, 25 de junho de 2016

FESTIVAL DE INVERNO PRECISA CRESCER (VOLUME I)


06.07.1990. Nesta data, o Garanhuns Palace Hotel abria suas portas pela primeira vez.

13.07.1991. Nesta data, começava a I Edição do Festival de Inverno de Garanhuns. 

Ainda hoje, um e outro, novinhos, em folha. Porque sempre reinventados. Reinvestidos. Assim, portanto, reoxigenados, revigorados... E, a cada ano, com uma surpresa a mais. Inovando. Daí, sempre modernos, contemporâneos. Feitos para atender às exigências dos que a eles aportam.

Na I Edição do Festival de Inverno, o seu palco, instalado ao lado do nosso Centro Cultural, dispunha de modesta estrutura, pequena, diminuta... se formos comparar com a estrutura dos palcos de que dispomos hoje. Mas, nem por isso, deixou de ser grande, como que a sugerir e apontar à marca de suas próximas Edições.

Naquela Edição do FIG, Alceu Valença, Zé Ramalho, Dominguinhos... brilharam. E durante os 16 dias do Festival, Garanhuns recebeu milhares de turistas. Turistas que acorreram à nossa cidade para conferir a sua beleza, encantarem-se com a hospitalidade de nossa gente, e assistirem ao advento daquele que seria “O Maior Festival Multicultural da América Latina”. Turistas que trouxeram dividendos à cidade, à sua gente, do pequeno ao grande. Como sempre digo: do flanelinha ao empresário.

Estive presente àquele I Festival de Inverno. Na minha memória, a presença de Nelson Mota, que estava ali como curador. Ele, que é grande jornalista, compositor, roteirista, produtor, escritor e letrista. Ele não sabia que estaria assistindo ao nascimento daquele que seria “O Maior Festival Multicultural da América Latina”. 

O Festival de Inverno de Garanhuns nascera com 16 dias, de 13 a 28 de julho. Da sua V Edição, em diante, já cobrávamos o seu reconhecimento como “Patrimônio Cultural e Imaterial de Pernambuco”. Que terminou acontecendo, anos depois. Tamanho o seu sucesso. Tamanha a sua grandeza. Tamanha a sua consolidação. Precoce, por certo. 

Anos seguintes, já se falava em no título ‘Patrimônio Cultural e Imaterial do Brasil’. Pensava-se em atrair mais turistas, a fim de conhecerem a nossa gente. Sentirem o nosso clima. Divulgarem a nossa cidade. E, com o Festival, contemplarem o nosso inverno. Visionários? Não! Exagerados? Também, não! Quem sabe? Talvez apaixonados. Se quiserem, que o digam. Mas ai do mundo não fossem os visionários. Os exagerados. Os apaixonados... É que pensávamos na nossa Economia. É que focávamos na geração de emprego e renda à nossa população. 

A esse respeito sempre indagávamos: “Por que Caruaru e Campina Grande fazem as suas festas de São João em 30 dias e nós não podemos fazer o nosso Festival de Inverno em 30 dias? Se, aqui, temos muito mais apelo que eles, lá? Por conta de nosso clima, de nossas belezas naturais. Enfim, de tantos e tantos mais, que nos sentíamos acanhados em nomear para não nos parecer arrogantes, enquanto defendemos nossa cidade.” 

Gramado e Campos do Jordão, por outro lado, fazem os seus Festivais de Inverno em períodos muito mais longos do que os nossos. Posto que tenhamos começado com 16 dias, como referido, hoje são realizados com apenas 10, para prejuízo e tristeza da cidade. E mais: naquelas cidades se define toda uma programação do que vai ocorrer no ano seguinte, ainda no curso do ano anterior. Programação de todo o ano seguinte, de janeiro a dezembro, que culmina com o já tradicional Natal Luz, que já tem o seu início em novembro. 

O Festival que advogamos para Garanhuns teria um formato diferente, decerto. Os nomes nacionais que, atualmente, são espremidos em 10 dias, seriam distribuídos em 04 finais de semana e, durante a semana, ou seja, de domingo à quinta, em seu palco principal, trabalharíamos com nomes locais e regionais. Não haveria quaisquer outras despesas a mais, com a contratação de artistas famosos para aqueles dias. 

Por outro lado, a estrutura de camarotes tem que ser revista. Impensável que os turistas que vêm à nossa cidade continuem assistindo aos espetáculos de seu palco principal sem um ambiente confortável e mais seguro para eles. E isso tem sido a grande queixa dos que vêm à nossa cidade nessa época do Festival. 


A proposta que temos é no sentido de que seja instalado um grande camarote para turistas que, claro, pagariam ingressos para lá ficarem.

De mais a mais, seria de se contatar empresas estatais como a CAIXA, o BNDES, o BNB, o BB... E empresas privadas como o SANTANDER, o BRADESCO, o HSBC..., a fim de não se deixar toda ou quase toda despesa do Festival de Inverno de Garanhuns a cargo do Governo do Estado.

sábado, 7 de maio de 2016

PARABÉNS, SETÚBAL! (VOLUME I)

Aniversário do Setúbal. Gosto de estar presente ao aniversário do Lions Clube Recife Setúbal. Não sei se por Elton, quem sempre me levou em conta e com ele tive uma respeitável e sólida amizade; não sei se por Eulália, por sua doçura e seu jeito carinhoso de receber os Companheiros e Amigos. Ou, de todos e de todas que fazem esse promissor Clube de Serviços. Cuido que por eles - Elton e Eulália - e todos. Companheiros e Companheiras abnegados à causa do Leonismo. 

Elton trabalhara na SUDENE, e de lá me trazia notícias de meu primo querido, Osman, que também por lá labutara durante muitos anos no seu jurídico. De Eulália não esquecerei jamais, sobretudo de seu nome, que era o nome de minha mãe.

Nesse aniversário do Setúbal, não sei por que razão, mas na minha memória, veio a lembrança de Elton ao longo de toda solenidade. Ele que tanto me ajudou ao longo de meu mandato de Governador do Distrito para os Estados de Pernambuco, Alagoas e Maceió. Ele, como sempre acontece nesses aniversários de seu Clube, teria sido o grande homenageado, “in memoriam”, daquela noite, com muita justiça!

O Setúbal festejava naquela noite os seus primeiros 20 anos - Bodas de Porcelana. Outras, contudo, virão. Inúmeras outras Bodas. E enquanto esse Clube existir, e existirá por muitos anos ainda, o nome de Elton constará sempre na ordem das homenagens que o Setúbal tiver de prestar. 

Não seria exagero dizer que o Clube foi a razão de vida de Elton nos seus últimos anos. Tamanhos sua dedicação, carinho e prática de servir por servir. Na pureza e na profundeza da expressão, e isso, ele sabia fazer, magistralmente.

Não foi em vão a sua luta. Seus Companheiros, Companheiras, Amigos e Amigas estavam, lá, saudando aquela data - 06 de maio, comemorando a grande efeméride. Mas, também, festejando Eulália, e querendo dizer a ela, se é que não já vêm dizendo, faz tempo: “Você, a cada dia, deixa Elton mais feliz, porque você continua erguendo sua bandeira como se fosse ele que o fizesse. E, como ele soube fazê-lo...”

Penso, às vezes... Ah! Penso que Elton incentivava Eulália a capitanear suas iniciativas! E o fazia sem sentir. Sem que mesmo soubesse.

Parecia prepará-la para o futuro. Sem sua presença. Mas penso também que, mesmo em outro plano, Elton continua por perto, dizendo a Eulália que o Setúbal precisa seguir, e se sentindo cada dia mais feliz com o avanço de seu sonho.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

O LIVRO DE AUGUSTO (VOLUME I)

Augusto César, do Jornal “O Columinho”, convidou-me para o lançamento de seu livro “Memórias de Garanhuns”, que aconteceu na quinta-feira, 31 de março passado.  

Confirmei minha presença, mas, infelizmente, com compromissos inadiáveis fora da cidade, não me foi possível comparecer. Avisei-lhe, no entanto. E, depois, lamentei ter perdido a grande festa. Que soube muito boa e representativa, tendo reunido muita gente das Letras da cidade e autoridades locais. 

Ao seu livro, por insistência de Augusto, escrevi algumas linhas sob o título “Depoimento” e, nele, exaltei o monumento literário que acabara de ler, ainda nos seus originais. 

Por ele desfilam Marcílio Reinaux, Lígia Beltrão e Hildeberto Martins - três nomes que engrandecem nossa cidade. E são, por assim dizer, verdadeiros “monstros sagrados das Letras garanhuenses”. Grandes escritores! Excelentes cronistas!

Li, outro dia, uma crônica, assinada por Vanessa Bárbara, sob o título “Queria escrever”, publicada pelo Instituto Moreira Sales. Disse ela de seu desejo de escrever um texto: “Um texto tão bonito que o faça voltar pra casa, meu amor, sob o triste cochilo da lua”. E eu, daqui, tomo a liberdade de dizer: “Volta Lígia. Volta para tua casa, para tua cidade, que ela te receberá de braços abertos. Volta para tua Academia, porque sinto que, aqui, tu serás a imortal dos imortais. De repente, a imorrível, como bem quis ser nosso poeta Ronildo Maia Leite”. Mas... Quero registar, aqui, uma confissão: prefiro, no gênero literário, ler os Marcílio’s, Lígia’s, Carlos’s, Roberto’s, Wagner’s, Ronaldo’s, Hildeberto’s... a ler os Ruben’s, Verríssimo’s, Nelson’s, Millôr’s, Stanislaw’s, Vinicius’s... Porque falam da minha cidade. Da sua beleza. Da sua poesia. Enfim, de seus encantos. E o fazem, apaixonadamente. Porque, daqui, da “Cidade Simôa”, da “Cidade onde o Nordeste Garoa”, de Garanhuns do meu “Aconchego”, no dizer do nosso expoente maior, “O Mestre Dominguinhos”. 

Paixão em prosa, no gênero de crônicas. Crônicas com sabor de poesias. Poesias, que carecem de muito mais que talento. Que carecem de vidas... Vidas vividas. E vividas com muito amor... Na ingenuidade da infância. Da chegada da pré-adolescência e adolescência, aqui, no Planalto da Borborema, também conhecido como “Serra da Borborema”, que vem do sul. Lá, das Alagoas. Passa por aqui, e vai até Santa Cruz, no Rio Grande do Norte, numa extensão, em linha reta, de 400 km. 

Eles, sim, tiveram suas histórias e suas estórias contadas em suas crônicas, inspiradas nessas terras. Terras que querem mais, e sempre mais, até em reverência aos seus antepassados. Que sempre a quiseram.  

“Na minha adolescência, meninos e meninas tinham bicicletas só de marcas importadas... Menino que não tinha bicicleta - como eu - pedia aos amigos uma trisca...”, escreve Marcílio, lapidar e saborosamente, para nosso delírio. 

“As festas de rua, no Natal, e a de São Sebastião, onde os alto-falantes anunciavam músicas oferecidas por alguém... O pastoril, onde eu, empetecada e brilhosa era a Contramestra que cantava enaltecendo o cordão azul...”, escreve Lígia.  

Ou, ainda, já longe de Garanhuns: lá da Europa. Mais precisamente em Portugal, mais ainda, da imortal Coimbra, ela nos brinda com palavras como essas, carregadas de saudosismo, falando do Rio Ceira, que deságua no Rio Mondego: “Lembrava a minha infância e adolescência, com um rio a domar-me ante as travessuras... O Rio que deixei para trás e nunca mais fui visitar...” Chora Lígia. E me faz, também, verter água dos olhos, por me levar a um passado que não volta mais. 

Por fim, Hildeberto. Sou seu leitor, desde aqueles tempos idos. Leitor, discípulo e admirador. Sempre presente em sua casa, aqui, na Avenida Rui Barbosa. Eu, menino, ainda, e já de olho nele para receber um pouco de seus ensinamentos. Observar, mais que um pouco, a sua postura de adolescente sensato, equilibrado, e sem açodamento nas atitudes, até no andar. Dele, li tudo ou quase tudo que escreveu: E o fiz no estilo recomendado por Émile Faguet: “Bem devagar, e, em seguida... bem divagar...”. Li “As Travessuras de Coco Chinês”, “A Pedra do Oratório”... E uma infinidade de editoriais, os quais li, reli e voltei a lê-los, de novo. Pensando no que nos ensinara Flaubert: “Ah! esses homens do século XVII! Como sabiam latim! Como liam devagar!”

 
Hildeberto nos ensina como tratar um amigo de verdade. Como ser-lhe grato: “Rossini, você nos surpreendeu. Viajou fora do combinado... Pegou-nos no impedimento, aquém ou além, não sei dizer bem, da linha da vida... Manda-nos sempre um ‘alô’, enviando também seus artigos, suas crônicas geniais, uma página inteira...” 

Perdi. Perdi a festa de Augusto. Que fez muito mais para o seu querido pai, Lúcio, in memoriam, do que para ele.

Eu parecia que não queria receber a homenagem do amigo Augusto. Na verdade, dela não sabia. Sabia de sua festa. E só. A homenagem, depois soube, seria uma surpresa. E minha falta de percepção perdurou. Que horror! Ele convocou os amigos e foi-me prestá-la, lá, em minha casa, com tantos, num santo domingo. Que é somente meu. Meu, de minha família e de alguns amigos. Onde se joga conversa fora. Coisa que os dias a dia da gente não me deixa fazê-la. 

Obrigado, Augusto! Obrigado amigos, que, como ele, estiveram naquele domingo a me homenagear. Quanta bondade! Sou-lhes grato.